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Ver “Metrópolis” com música ao vivo é um acontecimento para cinéfilos?

Não é só para fãs, é para todos. Porque todos têm que ver esse filme. É sensacional (risos). Haverá cerca de cem músicos tocando, como numa grande ópera de Strauss, Wagner ou Puccini. É uma música incrível.

Como surgiu essa sua paixão por trilhas sonoras?

Na Europa, fiz nos últimos 20 anos o acompanhamento de cerca de 25 títulos de filmes. São em geral ideias minhas, porque sou um fã de filmes e de conduzir a música de filmes! Gosto desse desafio. É muito mais difícil conduzir uma orquestra com a exibição do filme do que música normal, porque tem que ser no tempo exato.

Na música para filmes, o maestro é imprescindível. Por exemplo, a música de câmara no século 17 era conduzida sem maestro, mas, nesse caso, isso é impossível.

Quando você estreou a condução de “Metrópolis”?

Em 2001, fiz pela primeira vez, na Alemanha, com a versão de duas horas. E fiquei muito entusiasmado. Na época, foi a versão cortada. Quando faltava uma cena, ela era descrita com texto. E mesmo assim era um ótimo filme. A versão sem cortes, fiz logo quando saiu, em 2010.

Qual o papel da música em um filme mudo?

A música tem um papel importante num filme mudo porque dá a emoção. Nesse caso ela foi fundamental no restauro, para cortar o filme de novo. O que tínhamos de original era a partitura completa, que nunca foi perdida. E o restaurador pôde usá-la para remontar as cenas desconhecidas. Isso porque o compositor usou a técnica do leitmotif de Wagner, pela qual cada personagem tem seu tema musical. Há quatro personagens principais, mas muitos outros também têm temas, incluindo as máquinas. Além disso, o compositor usa dois saxofones, o que é raro numa orquestra. Ele sabe muito bem qual instrumento colocar para cada parte. E ele dá a cor do jazz para o cabaré onde os ricos se divertem. Escreveu um foxtrot para esse ambiente, o que faz com que se passe do clima misterioso dos trabalhadores sofrendo para um clima leve e alegre, com muita variedade. E há muita percussão para mostrar as máquinas no subterrâneo, além de cordas para o melodrama.

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