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Cinema

Personagens de “Valente” são melhores que a história

Princesa que não quer saber de cabelos bem alinhados, vestidos apertados e nem se interessa por possíveis pretendentes é a mocinha do novo filme da Pixar, que estreia nesta sexta-feira (20)

  • Luciane Horcel
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Personagens de “Valente” são melhores que a história

Desconstruir os clássicos e estereotipados personagens dos contos de fada ainda funciona. Depois da animação do ogro Shrek esculhambar com a imagem do príncipe perfeito e a doce e inocente Chapeuzinho ganhar, nas telas, uma versão radical e destemida no “Deu a Louca na Chapeuzinho Vermelho”, o filme “Valente” traz uma princesa às avessas.

>> Assista ao trailer oficial do filme

Os longos, ruivos e bagunçados cabelos da princesa Merida, que não quer saber de vestido arrumadinho, postura fina ou pretendentes, estão entre as mais marcantes cenas do longa-metragem em 3-D produzido pela Pixar Animation Studios da Disney, que se passa nos tempos medievais, quando batalhas épicas e lendas misteriosas são tão comuns quanto as muitas tradições familiares.

Logo no início do filme, as intenções do roteiro já ficam claras nas belas e montanhosas terras escosesas do século 10. A princesa Merida (Kelly Macdonald) é uma jovem impetuosa, que detesta as obrigações reais e a postura de princesa, que tanto lhe é cobrada pela mãe, a rainha Elinor.

O jeito irreverente da menina, as traquinagens dos três pequenos ruivos (irmãozinhos da princesa) e a cúmplice relação de Merida com o pai, o Rei Fergus, estão entre os destaques do filme, que é muito bonito visualmente. Em suma, os personagens são mais fortes que a história.

No roteiro, a princesa desafia um costume ancestral quando descobre que terá que se casar. Desesperada com a ordem dada pela mãe, a jovem acaba pedindo a uma bruxa que faça um feitiço que possa mudar o jeito da rainha e, com isso, seu destino.

A magia não funciona exatamente conforme Merida planeja e ela passa o filme todo tentando reverter a maldição. Ou seja, uma história que não tem lá tanta coisa de original, mas que rende por ser composta por personagens interessantes.

Aliás, por falar em boas sacadas, a tal bruxa está entre os acertos do longa-metragem. Mais preocupada em vender suas peças esculpidas em madeira do que em fazer feitiços, e com uma central de atendimento que funciona com o caldeirão e poções, a velhota é muito mais engraçada do que assustadora. Ou seja, outro personagem de conto de fadas que é descontruído na história. Quem deveria ser vilã, faz rir.

Como toda animação da Disney, a lição de moral é sempre parceira do grand finale, mas dessa vez ela não é lá tão emocionante. Não chega a dar aquele apertinho no peito meio constrangedor. De qualquer forma, vale para quem quer rir mais do que chorar.

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