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Redescoberto, Odair José canta em Curitiba

Aos 62 anos, músico finaliza disco em parceria com Zeca Baleiro: redescoberto |
Aos 62 anos, músico finaliza disco em parceria com Zeca Baleiro: redescoberto
 
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"Brega" não é o adjetivo mais condizente com o atual momento de Odair José. O sujeito que sempre esteve à margem da música popular brasileira, e que é esquecido de propósito em enciclopédias musicais – mesmo sendo evocado quando se tocam três acordes e se canta "Cadê Você" –, hoje tem trabalhos engatilhados com Zeca Baleiro, Arnaldo Antunes, Paulo Miklos, Fernando Catatau e Otto. E acaba de voltar do carnaval do Recife, onde tocou para mais de 30 mil.

Colecionando igualmente clássicos e polêmicas, o goiano radicado no Rio de Janeiro volta a Curitiba depois de dez anos e se apresenta dentro do projeto Quadra Cultural, que começa a partir das 14 horas de hoje em frente ao O Torto Bar, no bairro São Francisco. É a quarta edição do evento de iniciativa do proprietário do local, Arlindo Ventura (Magrão), que neste ano conta com o apoio da Fundação Cultural de Curitiba e do Sesc-PR. As bandas Djambi, Supercolor, Gente Boa da Melhor Qualidade e Decafonis também se apresentam.

Espécie de brega cult, Odair José tem "causos" na sua vida. Aos 62 anos, 41 só de carreira, já gravou mais de 400 canções. Entre elas, "standards", como "Uma Vida Só (Pare de Tomar a Pílula)", "Cadê Você" e "Deixa Essa Vergonha de Lado". E esses hits deverão ser ouvidos na tarde de hoje, faça chuva ou faça sol. "Já passou da hora de voltar a Curitiba. Espero que eu tenha muita sorte porque tenho que fazer uma coisa legal", disse o músico, cuja carreira começou em 1967.

Guitarrista e crooner de uma banda de baile, Odair se preparava para abrir o show de Roberto Carlos. "Eu tive acesso a ele. Queria mostrar minhas músicas e tal. Mas não funciona assim. Na época eu não sabia, então ele me disse: 'Me procura lá no Rio'. Como se fosse fácil achá-lo no Rio."

E lá foi Odair, um ano depois, para uma viagem que moldaria o que é a sua música. Em busca da fama, morou na rua. Tocava em boates e inferninhos. Fazia bicos e finalmente conseguiu o primeiro contrato, em 1970, quem diria, na CBS, a mesma gravadora do Rei. "Ele foi referência para mim, porque era referência para todo mundo na época. Mas aí temos que seguir o próprio caminho, não é?", questiona o cantor, remador contra a maré.

Numa época em que Roberto Carlos virava queridinho ao falar de namoricos de portão, a bossa nova seguia seus passos de pluma, Odair José saía do fluxo normal da MPB e tocava no quarto de nove entre dez empregadas domésticas ao falar da vida suburbana, de sexo e drogas – como nas explícitas "Em Qualquer Lugar" e "Viagem", respectivamente – sem metáfora alguma. "O Brasil é careta. Tudo tem que ser permitido, porque a permissão te é dada quando você nasce. Não há que ter regras, regra é um freio", diz o compositor.

A música da pílula foi censurada durante a ditadura militar, só voltando às rádios no governo João Figueiredo (1979-1985). "Mas a hipocrisia continua. É fácil encontrar aquele cara que vai à missa do domingo de manhã com a família e, à tarde, se encontra com a amante".

Com "Vou Tirar Você Desse Lugar" (Que você não pense nada triste/ Pois quando o amor existe/ Não existe tempo pra sofrer), a noção de MPB que Odair José tinha foi por água a baixo. O então produtor Rossini Pinto, da CBS, disse que não seria possível gravar a música. Odair mudou-se para a Polygram. "Me diziam: faça como o Roberto, escreva como ele. Mas eu não conseguia. A vida que eu via não era a vida que eles viam."

Odair José, ainda hoje, não sabe dizer o que é a MPB. "Não sei te responder isso, é meio esquisito. Para mim só tem a música boa e a ruim. A boa é aquela que todos cantam juntos.".

Também é dele um dos discos mais controversos da história da música brasileira. Com O Filho de José e Maria (1979), o compositor foi censurado, excomungado e espinafrado pela crítica. "Este é o meu Araçá Azul", diz, se referindo ao também estranho álbum de Caetano Veloso. Tentativa de ópera-rock, o disco de Odair falava sobre o amor livre. E dizia que não era preciso estar casado no papel para ser feliz.

Atualmente, o artista se prepara para lançar um disco em parceria com Zeca Baleiro, outro que vem redescobrindo um artista talvez nunca bem desvendado.

Serviço:

Quadra Cultural.Odair José, Djambi, Supercolor, Gente Boa da Melhor Qualidade e Decafonis.

O Torto Bar (R. Paula Gomes, 354), (41) 3027-6458. Dia 12, às 14 horas. Entrada franca.

Leia a entrevista completa no blog do Caderno G: www.gazetadopovo.com.br/blog/blogdocadernog

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