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Cena de “Metrópolis” (1927), de Fritz Lang | Divulgação
Cena de “Metrópolis” (1927), de Fritz Lang| Foto: Divulgação

O programa da Orquestra Sinfônica deste domingo, às 10 horas, está sendo considerado o maior acontecimento dos últimos tempos – para cinéfilos.

Trata-se do acompanhamento musical simultâneo à exibição do filme “Metrópolis” (1927), de Fritz Lang, na versão sem cortes, disponível há cerca de cinco anos após o restauro de uma cópia descoberta em Buenos Aires.

Serão duas horas e meia de programação, com cerca de cem músicos tocando sob a condução do maestro Stefan Geiger.

Versão do clássico tem 2h33 de duração

“Metrópolis”, como Fritz Lang o fez, estreou na Alemanha em janeiro de 1927, mas saiu de cartaz quatro meses depois

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O regente alemão, que faz sua quarta apresentação em Curitiba, é um especialista e apaixonado pela arte de musicar filmes mudos. E esse é considerado um dos principais clássicos do cinema expressionista, lançado em 1927, apenas dois anos antes de surgir o cinema falado – o que dá uma ideia da empolgação com que ele traz essa exibição à cidade.

A música, de Gottfried Huppertz, além de ser inovadora, também foi fundamental para o processo de restauro, na remontagem das cenas cortadas.

Devido ao fraco desempenho que “Metrópolis” teve em seu lançamento na década de 1920, o filme acabou sofrendo vários cortes. Isso o tornou uma espécie de colcha de retalhos em que as cenas faltantes eram substituídas por quadros de texto.

A “gambiarra” foi aposentada pela cópia restaurada, que estreou em 2010 durante o 60.° Festival de Berlim, numa tela gigante diante do Portão de Brandemburgo.

No Teatro Guaíra, no domingo (5), Geiger promete que haverá uma tela tão grande quanto possível, do palco ao teto, com legendas em português (a produção é muda, mas existem quadros que pontuam a história).

Conduzir durante exibição de filme é um “desafio”

Entrevista com o maestro Stefan Geiger

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“O filme é uma história à parte”, contou o maestro à Gazeta do Povo. “A primeira exibição do filme não teve sucesso, então o diretor Fritz Lang cortou algumas partes, e depois a censura cortou ainda mais. A cada vez que o filme era cortado, perdiam-se cenas na remontagem dos rolos. E ainda algumas partes apodreceram...”

Para o maestro, “a grande sensação foi quando os arquivos [do Museo del Cine] de Buenos Aires encontraram meia hora a mais do filme e ele pôde ser reconstruído, faltando apenas alguns minutos. Hoje temos praticamente a versão original, cuja música conduzi pela primeira vez logo que ela saiu, em 2010.”

Em 2012, Geiger regeu a Sinfônica do Paraná simultaneamente à exibição de “As Aventuras do Príncipe Achmed”, animação muda infantil de 1918.

“Metrópolis” é importante não apenas pelas inovações cinematográficas que trouxe em termos de efeitos visuais, mas também por ter uma excelente construção de personagens e um enredo bem costurado – o roteiro é de Lang com a escritora Thea von Harbou, autora do romance em que o filme se baseia e mulher do diretor na época.

Metrópolis

Teatro Guaíra (Praça Santos Andrade, s/nº), (41) 3304-7900. Dia 5, às 10 horas. R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada). Classificação indicativa: 7 anos.

Com trama que se passa no ano de 2026, o filme apresenta uma sociedade de trabalhadores oprimidos pelo patrão e pelas máquinas, em que uma organização subterrânea e messiânica surge como uma esperança para os desafortunados.

A dupla que se coloca na brecha desse sistema é o filho do capitalista, Freder (Gustav Fröhlich), e a operária Maria (Brigitte Helm), líder espiritual dos operários. No desfecho, a união entre mão de obra e empresário é mediada por Freder.

Geiger destaca o lado visionário de Fritz Lang (1890-1976), que incluiu um telefone com tela para imagens e o primeiro robô do cinema, que serviria de modelo para toda a ficção científica feita desde então.

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