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FESTIVAL DE TEATRO

Anta e nonsense dão a largada para o Fringe

Opções boas vêm do Rio de Janeiro com texto de Fernando Arrabal e experimentalismos

  • Helena Carnieri
Piquenique no Front já foi um dos textos mais montados de Fernando Arrabal, mas anda esquecido | Janderson Pires/Divulgação
Piquenique no Front já foi um dos textos mais montados de Fernando Arrabal, mas anda esquecido Janderson Pires/Divulgação
 
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Como início do Festival de Teatro, hoje, a expectativa é que a gente tropece em espetáculos pelas praças e veja um burburinho maior na porta dos teatros.

Isso é ótimo para o ambiente cultural da cidade e até para a segurança urbana, mas fica sempre o dilema: como escolher o que assistir?

Além das 29 peças da mostra principal já discutidas pela Gazeta do Povo, são quase 400 espetáculos na mostra paralela Fringe.

Entre elas, existem mostras especiais com curadoria, mas também há coisas boas espalhadas pela grade. As apostas da semana vêm do Rio de Janeiro, mas com gente daqui na produção e no elenco.

A Anta de Copacabana, que terá apresentações todos os dias nessas duas semanas na pequena Bicicletaria Cultural, é um texto de Rafael Camargo que passou por uma recauchutagem bastante singular. Ele decidiu remontar esse texto de sua “fase anos 90”, adaptando-o para a estética que lhe interessa mais no momento: a do imobilismo e da inação.

“Era uma peça de muita encenação física, algo totalmente diferente do que eu faço agora. Resolvi trazer isso para a imobilidade”, explicou o diretor à Gazeta do Povo.

Em linhas gerais, significa que seus atores fazem pouquíssimos movimentos em cena, ainda que falem de coisas que envolvam tensão e ansiedade.

Nesse caso, trata-se de um morador de Copacabana (o que explica a sunga do figurino) que sofre de esquizofrenia. Sua prisão interior, daquelas que acometem mesmo a mente mais “normal”, ganha como metáfora a incapacidade do rapaz de sair do bairro carioca. Ainda que a perspectiva não pareça ruim para um curitibano, especialmente no inverno, são tempos que o levam à beira da loucura.

No papel que o próprio Camargo estreou em 1994, em São Paulo, está Adriano Petermann. A nova versão foi lançada no ano passado no Rio, onde, de acordo com o diretor, surgiu muita gente interessada na linguagem do imobilismo.

Em tempo, a trilha sonora original foi criada por Carlos Careqa naqueles idos.

Arrabal

A atriz e produtora Mariana Martins volta a Curitiba com o grupo com quem trabalha no Rio de Janeiro para encenar Piquenique no Front, de Fernando Arrabal. Considerado um clássico da dramaturgia do século 20, o texto apresenta a situação absurda de um soldado no front que recebe a visita dos pais. Estes decidem aproveitar o domingo no campo sem prestar atenção às bombas que caem e ao prisioneiro de guerra que ali está.

A tradução da francesa Jacqueline Laurence, que mora no Rio, foi dirigida por ela mesma pela primeira vez – em outros momentos, Fábio Porchat já encenou a mesma versão do texto.

“O texto é um clássico que já foi muito montado, mas tem sido esquecido, talvez pela curta duração [40 minutos]”, diz Mariana.

O espetáculo faz parte de uma ocupação carioca no Miniauditório do Guaíra, da qual participa o também nonsense As Mulheres da Rua 23.

Os atores Leo Campos e Leandro Bertholini interpretam duas viúvas que se reúnem todos os dias no mesmo local e horário para lembrar das alegrias passadas. Seu diálogo, porém, é “quase sem sentido”, conforme Campos. “Por exemplo, uma delas carrega as cinzas do pai morto, e a outra acha que o finado ainda a escuta”, conta.

A trama se passa no século 19. Na linguagem, um tratamento extremamente simples promoveu ume feito quase arcaizante: as senhoras falam corretamente, sem gírias nem contrações. “Fica parecendo que elas falam difícil”, brinca o ator.

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