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“Melhor teatro do mundo”, Oficina é uma construção sem fim

  • Folhapress
 
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Teatro Oficina, um projeto da arquiteta Lina Bo Bardi com o diretor teatral Zé Celso Martinez. | Wikimedia Commons
Teatro Oficina, um projeto da arquiteta Lina Bo Bardi com o diretor teatral Zé Celso Martinez. Wikimedia Commons

Encabeçada pelo Oficina, a lista dos “melhores teatros do mundo” recém-divulgada pelo jornal inglês “The Observer” responde antes de mais nada à obsessão com rankings – no jornalismo contemporâneo, agravada em fim de ano.

Mas é também e sobretudo resultado do impacto que o teatro causa no espectador – e que obviamente causou no crítico de arquitetura do jornal, Rowan Moore, aliás “crítico do ano” de 2014 no Reino Unido, outra lista.

Moore descreve “um espaço longo, em forma de rua, na casca destruída de um antigo teatro”, a pista, como o diretor Zé Celso chama, quase sempre com protagonista e antagonista nos polos.

O Oficina “tem linhas de visão desafiadoras, assentos duros e não tem a forma que os teatros devem ter, mas isso o torna ainda mais intenso”.

Quem foi ao Oficina lotado no sábado (12), coincidentemente parte da 1.ª Jornada do Patrimônio arquitetônico de São Paulo, pode confirmar, quanto à visão, aos bancos e cadeiras e à intensidade.

Contra a corrente em quase tudo, o Oficina surge agora – heresia maior – à frente de nada menos que o teatro de Epidauro, do século 4 a.C., de lendária “acústica perfeita”.

Como indica a designação “teat(r)o”, que já vem da anterior “te-ato”, abraçada quando o grupo rompeu com o teatro como “instituição” na virada dos anos 1970, o Oficina não tem arquitetura estanque, não é um prédio. Ele é a ação.

A ruptura foi iniciada por Zé Celso e pela arquiteta Lina Bo Bardi em “Na Selva das Cidades”, de 1969, com “arquitetura cênica” que demolia o próprio interior do teatro e recorria aos entulhos de Minhocão, então sendo erguido diante do Oficina.

Estreando meses depois do Ato Institucional número 5, o diretor escreve no programa: “Entrando no nosso tempo de guerra. É o fim de um certo tipo de teatro. Quebrar tudo”.

Ao longo das mais de quatro décadas seguintes, um projeto aberto de Lina buscou dar forma ao Teat(r)o Oficina como é conhecido hoje – e mesmo ele passou por acidentes que afastaram o risco de estagnação.

Por exemplo, uma árvore que cresceria para dentro da pista se viu desviada para fora por um erro de construção. Agora mais alta que o Oficina, ela avança sobre o entorno, que Zé e Lina já queriam, lá atrás, para o teatro.

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