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Todos os sons de Hélio Brandão

O instrumentista curitibano grava o seu primeiro álbum-solo depois de três décadas de envolvimento profissional com a música

  • Marcio Renato dos Santos
“Vivencio a música, mas a família e a amizade são o que mais têm importância na minha vida”, afirma Hélio Brandão |
“Vivencio a música, mas a família e a amizade são o que mais têm importância na minha vida”, afirma Hélio Brandão
 
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Hélio Brandão caminha pelo centro de Curitiba e um transeunte o cumprimenta. O sujeito, que Brandão não conhece, frequenta o bar Blues Velvet (R. Trajano Reis, 314), onde o músico apresenta repertório de jazz nas noites das quartas-feiras. Na próxima quarta-feira (18), ele sobe ao palco do Pequeno Auditório do Teatro Positivo para o show de lançamento de seu primeiro álbum autoral, Incêndio na Lua, um diálogo que ele estabelece com o saxofonista norte-americano Wayne Shor­­ter.Mas Brandão é bem mais do que um jazzista.

Na realidade, a música sempre foi algo presente em sua vida. A primeira lembrança que ele tem é das manhãs de domingo da infância, quando o pai, Hélio, e mãe, Ofélia, ligavam, em volume elevado em um toca-disco, álbuns de Bach e Beethoven. Dos sete filhos do casal, apenas Renato não é músico. “O Renato, que é engenheiro, é o único que trabalha.” A frase é muito repetida, em tom de brincadeira, pela mãe do saxofonista.

O casarão dos Brandão, no bairro Mercês, é, e isso há mais de meio século, espaço para viver e sorver música.

Hélio cresceu sem saber exatamente qual instrumento tocar, diferentemente das irmãs que, desde os primeiros passos, já intuiam a respeito do futuro. Maria Esther e Maria Luiza foram para o violino. Maria Alice, para o cello. Eunice, já falecida, escolheu a viola. Zélia tornou-se flautista.

Na casa dos Brandão, todos os filhos aprenderam a ler partitura antes de conhecer o abecê. No tempo em que os amigos soltavam pipa e jogavam bola, o pequeno Hélio conheceu o Paraná apresentando-se com o conjunto Família Brandão.

Quando chegou o momento de fazer vestibular, por volta dos 18 anos, Hélio Brandão escolheu os cursos de Desenho Industrial na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e Comunicação Visual na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Foi aprovado nos dois cursos, mas se terminasse, poderia seguir por uma das duas profissões. Abandonou ambas. Somente assim, estaria livre para a música.

Desde então, muito tempo passou. Ele vive e sobrevive de música há três décadas. Não ficou nem um ano sem se apresentar em bares curitibanos. Viu muitos fecharem as portas, do Camarim ao Original Café.

Ele diz precisar do contato direto com o público, algo que apenas os bares viabilizam. Todo sábado, apresenta-se no Original Beto Batata (R. Prof. Brandão, 678). Se duas pessoas prestarem atenção, sente-se no paraíso.

Outras faces

Hélio Brandão bebe café no Paço da Liberdade Sesc Paraná e é cumprimentado por outros músicos curitibanos. Uns perguntam sobre os projetos que ele tem. O saxofonista conta que tem muitas propostas para realizar. O espetáculo O Carrossel, exibido ano passado, deve retornar aos palcos. “É a minha faceta Chico Buarque e Edu Lobo, com foco nas letras”, diz. Mas ele também quer prestar um tributo a Villa-Lobos, outro a Bach, um terceiro a Charlie Parker e um quarto a John Coltrane.

Brandão acaba de ser contemplado em um edital da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Curitiba. Sorri. Mas, apesar desse fomento oficial, nunca esperou por qualquer verba pública. Se vier, ótimo. Se não, arregaça as mangas e manda ver.

Esse novo álbum, Incêndio na Lua, teve custo de R$ 30 mil, que ele pagou com economias. Toca contrabaixo na Orquestra Sinfônica do Paraná, acompanhou, por longas temporadas, a Camerata Antiqua de Curitiba e a Orquestra de Câmara de Blumenau.

No entanto, apesar de toda essa movimentação, não considera a música como o elemento central de sua vida. Os amigos e a família são o que de mais relevante ele tem. A música, inclusive, é consequência e desdobramento do convívio com os entes próximos.

Hélio Brandão, aos 51 anos, caminha pela Rua XV e pouca gente repara nele. Discreto, some em meio à multidão, onde encontra combustível para toda música que faz.

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