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Vila Nossa Senhora do rock

Misto de restaurante e casa de show, Dom Capone completa dez anos de música na Cidade Industrial de Curitiba

  • Sandro Moser
Vágner Capone é proprietário da casa desde 2005. “Núcleo do rock” na Cidade Industrial de Curitiba irá trazer o músico gaúcho Wander Wildner para festival no início do mês que vem. | Pedro Serapio/Gazeta do Povo
Vágner Capone é proprietário da casa desde 2005. “Núcleo do rock” na Cidade Industrial de Curitiba irá trazer o músico gaúcho Wander Wildner para festival no início do mês que vem. Pedro Serapio/Gazeta do Povo
 
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Há algo no ar além do ruído das fábricas da Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Há dez anos, no coração do bairro mais extenso da cidade e colado à histórica Vila Nossa Senhora da Luz, funciona o mais ativo posto avançado do rock curitibano na periferia.

Mistura de pizzaria e casa de show, o Dom Capone Pizza Rock (Rua Pedro Gusso, 4.047) tem dois salões amplos. Um deles é bem iluminado, tem um aquário em uma das paredes e mesas para famílias se fartarem com dezenas de sabores de pizza.

Ao outro se chega abrindo uma porta acústica e descendo alguns degraus. Ali, as paredes e as luzes são negras e há um pequeno e bem aparelhado palco por onde já passaram algumas das bandas de rock mais importantes da cidade, como Relespública, Escambau, Anacrônica e Uh La La!.

Esta dupla personalidade da casa foi forjada pelo músico e empresário Vágner Capone, proprietário do espaço desde 2005. “Sempre quis que a casa tivesse essa identidade roqueira. Não tenho preconceito nenhum contra outros gêneros, mas aqui sempre tocou rock”, afirma.

Desde o começo do empreendimento, Vágner decidiu que a casa teria uma conexão com a música e a cultura que traz “no sangue”. “Quando tinha quatro anos, meu pai sumiu no mundo deixando três filhos para minha mãe criar. A única outra coisa que ele deixou foi uma vitrolinha e alguns discos de rock que ouvimos até furar”, lembra o empresário.“Não esqueço da mãe comandando a faxina em casa ao som do [álbum duplo] “Quadrophenia”, do The Who”, recorda.

Pitbull mafioso

Vágner conta que há dez anos era garçom da pizzaria que funcionava no imóvel e, quando viu que os patrões queriam vendê-la, fez uma proposta: daria seu carro (um Voyage 1989) como sinal do negócio e tomaria empréstimo para fechar o rolo. Conseguiu comprar e reformular a casa batizando-a em homenagem a um cachorro pitbull negro que tinha “cara de mafioso”. O sucesso da casa acabou por rebatizar o seu proprietário.

No começo, a música no Dom Capone vinha dos altos falantes nas paredes, mas há cerca de cinco anos, Vágner decidiu instalar um palco e promover shows de rock. Foi além, montou um estúdio e um camarim no andar superior da casa e aumentou a capacidade de público no “saloon rock”. Quem inaugurou o palco foi sua própria banda e outras formações do bairro.

O primeiro músico do “Centro” a dar as caras foi o cantor e compositor Fábio Elias, líder da Relespública, há cerca de quatro anos. Atualmente, Elias é atração permanente da casa nas noites de quinta-feira.

“Na história do rock, todo o movimento surgiu no subúrbio das grandes cidades”, observa Fábio. Ele conta que quando soube que havia um bar de rock na CIC, atravessou a cidade e se ofereceu. “Fui recebido como nunca havia sido recebido em nenhum lugar no mundo”, conta. Hoje, Fábio é guitarrista da banda da casa, a Javali Banguela. “Enquanto os movimentos do centro acabam sempre em pizza, no Dom Capone a gente come pelas beiradas,” brinca o músico.

Desde então, dezenas de bandas se apresentaram no Dom Capone. Para Vágner, o diferencial da casa – além da localização – é o respeito aos artistas convidados. “Ninguém nunca tocou de graça. Há camarim, técnico de som... A gente preza muito este respeito ao artista”, diz.

Ele conta que os moradores do bairro reagem com orgulho às iniciativas da casa, que têm se tornado um elo entre as “muitas Curitibas”.

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