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Antonio More/Gazeta do Povo

Antonio More/Gazeta do Povo / Murais de Poty Lazzarotto no centro de Curitiba: artista refinado e acessvel, que estabeleceu uma forte conexo com a identidade visual paranaense Murais de Poty Lazzarotto no centro de Curitiba: artista refinado e acessvel, que estabeleceu uma forte conexo com a identidade visual paranaense
Entrevista

As raridades editadas de Poty

Oswaldo Miranda (Miran), designer

Publicado em 28/02/2012 |
  • Comentrios

Curitiba ganhar um belo presente de 319 anos no prximo dia 29 de maro: uma megaexposio sobre Poty Lazzarotto, que ser inaugurada na mesma data, no Museu Oscar Niemeyer. O artista, popular pelos seus painis nas ruas da capital e que tambm aniversaria junto com a cidade (completaria 88 anos em 2012) ter a obra revisitada pelo designer Oswaldo Miranda, o Miran, que assina a curadoria, ou, como gosta de dizer, a edio da exposio. Um dos designers mais importantes do pas, o reservado Miran o criador das publicaes Raposa e Grfica, esta ltima considerada a melhor revista sobre design j publicada no pas.

Na mostra, que ainda no tem ttulo, ser possvel ver raridades como os bilhetes e cartes que Poty trocava com a mulher Clia Lazzarotto (entre eles, recados muito bem-humorados), uma verso do retrato do escritor Dalton Trevisan e sries de esboos inditos e de desenhos que ele fazia de forma compulsiva, diz Miran. Alm disso, o curador criou painis gigantes com fragmentos de desenhos de Poty, que formaro um cenrio no salo do museu. O pblico poder praticamente interagir com os seus pis, bondes, cavaleiros, carroas e ndios da mesma forma que fazem com os seu monumentos, explica. Confira os principais trechos da entrevista que Miran concedeu por e-mail com exclusividade para a Gazeta do Povo:

Reproduo

Reproduo / Artista teve com Guimares Rosa uma das mais ricas parcerias da literatura Ampliar imagem

Artista teve com Guimares Rosa uma das mais ricas parcerias da literatura

O senhor o criador de grandes obras-primas do design grfico. Como editar um artista como Poty?

Para mim o mais conveniente, para no ser comparado ao curador habitual. A curadoria uma coisa complicada e muito criticada. Mas, felizmente, a diretora do MON, Estela Sandrini, me deu a oportunidade de agir como um editor, fazendo uma leitura diferencial da obra do Poty. Eu me senti honrado, claro, pois o convite para a curadoria em que est envolvido o nome de um artista to significativo representa confiana no meu critrio e na minha trajetria como editor de imagens.

A mostra j tem nome definido?

No posso divulgar o nome da exposio, pois ofereci um grande nmero de ttulos para que selecionassem. Ainda no sei o resultado. Mas basta o nome Poty estar na frase. J uma atrao especial.

verdade que milhares de itens estaro expostos no MON?

Muito mais. Estamos trabalhando h quase dois meses. O MON e outros museus, como o Museu Metropolitano de Arte de Curitiba (Muma) e a prpria Fundao Cultural, j adiantaram parte da captao dos acervos para a minha seleo (o que abreviou um pouco o tempo). como se eu estivesse escolhendo as peas a dedo, editando um livro muito especial e imenso.Tambm tive a oportunidade de retirar e captar muitas peas e imagens que no pareceram to relevantes em outras mostras e ocasies, o que demonstra que, desta vez, um outro olhar vai fazer a diferena.

Alm dos museus, existe ajuda de familiares e colecionadores? H uma equipe de pesquisa?

Parte do acervo do Poty levou muito tempo para ser organizado graas aos esforos do irmo, o sr. Joo Geraldo Lazzarotto, que diretor da Fundao Poty. Ele montou uma equipe com restauradores, pessoas para catalogar e proteger as obras, formando um magnfico e bem cuidado inventrio. Trabalho este que comeou tempos atrs. Tudo isso somado aos acervos de outras entidades que comentei. O jovem designer Lucio Barbeiro (da Gazeta do Povo) quem me ajuda no trabalho, faz os contatos e tambm acompanha a reproduo fotogrfica das peas feitas pelo fotgrafo Juliano Sandrini. Estas reprodues so apenas para fazer a seleo, conhecer algumas obras e no tocar nos originais que seguiro para o MON.

Como a exposio ser dividida?

Ela inicia com registros da infncia do Poty, o desenvolvimento do seu desenho enquanto menino, os estudos durante a Escola Nacional de Belas Artes e da sua bolsa em Paris (onde ficou por dois anos). Passa tambm por registros com familiares e suas gravuras retratando-os, alm do Poty caricaturado por amigos artistas. Haver um pouco das gravuras, mas explico que nesta especialidade no me concentrei muito (o MON j fizera uma bela mostra). Entretanto, consegui obras inditas e pertinentes. Os esquetes dos seus cadernos de viagens, seu trabalho de ilustrao editorial, esboos e projetos dos murais e uma srie de estudos para obras j publicadas ou que no fazem parte do material.

Existe alguma obra ou objeto que o senhor possa destacar?

Os estudos de ilustraes dos mais variados temas, onde conseguimos verificar o grande poder de sntese do artista Poty. Encontramos esboos raros, de quatro a seis variaes da mesma situao abordada de maneira e ngulos diferentes, todas com excelente resultado grfico (mesmo as feitas com caneta esferogrfica) e com uma evidente estilizao das figuras ou dos objetos, uma caracterstica forte no seu trabalho. Os estudos simples de objetos indgenas e os registros dos movimentos de dana e caa, magnficos, resultaram nas ilustraes do famoso romance Mara de Darcy Ribeiro. Conseguimos entalhes que Poty produziu, que so poucos, e raridades com um jovem colecionador de Curitiba, Fernando Frantz, como estudo a lpis de painel de azulejos e ilustraes famosas como a do Grande Serto, Veredas (de Guimares Rosa).

Chama muita ateno o fato de Poty ser um artista consagrado e acessvel temos seus murais no centro de Curitiba e tambm algumas gravuras venda pela internet a preos razoveis. Esse tambm um fator curioso em sua obra?

Sim, isto mgico. A penetrao do seu trabalho, principalmente no povo paranaense, muito forte. Claro que foram os seus trabalhos nos murais e painis que o aproximaram do grande pblico. Na parte literria, onde esto as suas obras com desenhos fortes, s vezes at mais controvertidas para alguns, ganharam uma leitura mais intelectual, mais fechada aos habitus da leitura (risos). Eu j adorava a obra, o desenho do Poty. Estou mais fascinado ainda.

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