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Música

Tributo ao Legião Urbana emociona mais de 14 mil pessoas

Show contou com plateia à flor da pele, vocais envolventes de Wagner Moura e até um "não-fã" que xingou Dado Villa-Lobos

31/05/2012 | 04:44 |
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Se dissessem que uma banda que perdeu seu vocalista, compositor e idealizador conseguiria reunir mais de 14 mil pessoas em dois dias de show, isso soaria como um exagero. Não para quem conhece, gosta e acompanha a trajetória do Legião Urbana, banda de rock brasileira, com 15 milhões de cópias vendidas.

Os legionários

Como um coro só, cantando e interagindo uns com os outros, a plateia parecia mais um grande e unido grupo de amigos. Marly Correa, de 30 anos, por exemplo, que chegou ao meio-dia para o show que só começou 10 horas depois, não conseguia tirar o sorriso do rosto.

Principalmente quando Marcelo Bonfá cantou “Teatro dos Vampiros”, a música que ela esperava ouvir na voz dele. As amigas Ariane Farias, 25, Daniele Raposo, 24, Claudia Souza Castro, 30, e Carolina Nascimento, 29, já não se aguentavam mais de ansiedade enquanto estavam na fila de espera para entrar no Espaço das Américas. “Quando a gente virou fã mesmo o Renato Russo já tinha morrido, então essa é a nossa primeira grande chance de ver eles tocando”, contou Ariane.

Também tem famosos na lista de legionários. O ator Vladimir Brichta, a atriz Guilhermina Guinle e Mariana Ximenes, a apresentadora Fernanda Young e a modelo Mariana Weickert estavam entre as muitas celebridades que circulavam pela área VIP do Tributo ao Legião Urbana, nesta quarta (30). “As músicas desta banda fazem parte da minha vida. É nostálgico e muito gostoso”, disse a modelo que apresenta um programa de moda na GNT.

O que se viu na noite do MTV Ao Vivo - Tributo ao Legião Urbana, que teve a segunda apresentação nesta quarta-feira (30) no Espaço das Américas em São Paulo, foram mais de duas horas para nunca mais se esquecer. Enquanto no palco, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá tocavam juntos – o que, segundo o grupo, deve ser a última vez que acontece – uma plateia ensandecida, visivelmente realizada e emocionada deleitava-se com cada acorde, cantando todas as músicas e reverenciando as letras do poeta falecido em 1996.

No centro do palco, o ator e cantor Wagner Moura foi o maestro perfeito. Evidentemente que a potência vocal do líder da banda Sua Mãe, de Salvador, não consegue as notas que Renato Russo cantava com a mão nas costas. Isso era ainda mais evidente nas músicas mais lentas como “Eu Sei”, “Monte Castelo” ou “Andrea Doria”. Mas o agudo perfeito ou o grito sem desafinar não tinham a menor importância.

Com uma postura extremamente humilde e simpática, o “capitão Nascimento” colocava-se o tempo todo como um fã assumido que tinha tirado a sorte grande. E assim, ganhou a plateia. “Esse é o dia mais inacreditável da minha vida. Eu vou contar isso para os meus filhos e para os filhos dos meus filhos. Vou dizer que estive no palco com a maior banda de rock do país”, disse Wagner.

Ele e todo o público presente (de mais de 7 mil pessoas em cada noite) pareciam embriagados em uma emoção única, que só aumentava com a boa escolha do repertório. Para começar, “Tempo Perdido” e “Fábrica” abriram o show. Mais sérios e compenetrados, os dois astros do Legião iniciaram o show sem interagir muito, mais focados no som que faziam acompanhados de Rodrigo Favaro (baixo), Caio Costa (teclado e arranjos) e Gabriel Carvalho (violão). Aos poucos, a onda de êxtase corrompeu os músicos. “Vocês são joia demais! Eu tô muito emocionado”, declarou Marcelo Bonfá depois de tocar “A Via Láctea” e “Esperando por mim”, músicas do CD Tempestade, que Renato gravou já bastante doente.

Os dois “Legião” tiveram um belo momento a sós com a plateia. Sem Wagner nos vocais, depois de Bonfá cantar “Teatro dos Vampiros”, Dado apresentou uma versão acústica de “Geração Coca-Cola”, com a participação do multi-instrumentista Clayton Martin, que fez uma bela introdução de gaita no novo arranjo. Outro destaque da noite foi a dobradinha de Andy Gill, do Gang of Four (uma das bandas preferidas de Renato Russo), com Bi Ribeiro tocando “Damaged goods” e “Ainda é cedo”.

Único "não-fã"

Justamente em um dos momentos mais esperados pelos fãs, quando só o Dado e o Bonfá cantavam com a plateia, um homem, de aparentemente 30 e poucos anos, que estava na plateia, ofendeu, com um palavrão, a mãe de Dado Villa-Lobos. O músico respondeu na hora, fazendo gestos com a mão e falando para o jovem subir ao palco – como se chamasse para a briga. Irritadíssimo, Bonfá levantou da bateria e de tão desconcertado, chegou a escorregar e cair no chão enquanto xingava o cara.

A confusão chamou a atenção dos milhares de fãs que fizeram coro para a expulsão do homem, que foi retirado por seguranças. “Olha gente, eu queria pedir desculpas por isso. Mas o cara xingou a minha mãe, que aliás está ali óh... então realmente não deu!”, disse Dado apontando para a área VIP, logo depois de completar: “Vai pra casa querido, teu lugar não é aqui!”.

Clima normalizado

O incidente com o único “não-fã” entre 7 mil não mudou o clima harmônico do show. Interações fantásticas do simpático Wagner Moura, como quando direcionou o microfone para a plateia no clássico e imortalizado grito (vindo de um fã) na música “Sereníssima”, foram alguns dos destaques da apresentação.

No bis, ao invés de chamar a banda ou bater palmas, a multidão puxou um coro uníssono de “Faroeste Caboclo”, mostrando que fã que é fã não tropeça em sequer um trechinho da canção de 159 versos. A demonstração de amor foi tão convincente que, mesmo sem ensaio, os músicos encerraram o show com a música de mais de 9 minutos de duração. E cada segundo foi cantado e vivido com doses cavalares de emoção.

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