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Cinema

"Não estou preocupada com a imagem que farão do Brasil", diz Andréa Beltrão

"Salve geral", protagonizado pela atriz, pode representar país no Oscar. Longa é inspirado nos ataques criminosos que paralisaram SP em 2006

19/09/2009 | 09:18 |
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Geralmente lembrada por papéis cômicos, como a Marilda da “A grande família”, a atriz Andréa Beltrão aparece no filme “Salve geral”, de Sergio Rezende, como uma personagem nada alegre. Ela vive Lúcia, uma professora de piano sofrida e endividada, que tenta proteger o filho a todo custo, mesmo que para isso tenha de se envolver com uma organização criminosa.

A história culmina nos ataques que paralisaram São Paulo em maio de 2006, comandados por uma organização criminosa contra policiais nas ruas e dentro do sistema penitenciário. “Ela se oferece ao sacrifício pela cria, é uma situação trágica”, disse Andréa.

Divulgação

Divulgação / Andréa Beltrão em cena do filme Ampliar imagem

Andréa Beltrão em cena do filme "Salve Geral"

O filme foi escolhido nesta sexta-feira (18) como o longa-metragem brasileiro que irá disputar uma das cinco vagas na categoria melhor filme de língua estrangeira do Oscar 2010, que acontece em 7 de março, em Los Angeles. “Recebi a notícia com muita alegria; essas coisas são melhores ainda quando a gente não espera”, conta a atriz. A lista final dos indicados será divulgada em 2 de fevereiro.

Andréa afirma que foi surpreendida pela escolha de Salve geral como representante brasileiro na premiação de Hollywood, mas não acredita que a temática violenta da produção possa ser negativa para a imagem do país lá fora. “Não estou preocupada com a imagem que vão fazer do Brasil. Eu conheço meu país, o que esta ou aquela pessoa pensa não importa. Embora o assunto seja perturbador, o que importa é a qualidade cinematográfica do filme. Estamos fazendo cinema de gente grande, temos que nos orgulhar.”

Leia a seguir trechos da entrevista com Andrea Beltrão sobre “Salve geral”.

Como você recebeu o anúncio de que “Salve geral” vai representar o Brasil rumo ao Oscar?

Recebi a notícia com muita alegria; essas coisas são melhores ainda quando a gente não espera. Fiquei surpresa, porque o filme nem estreou nos cinemas [a data prevista é 2 de outubro] e já tem uma honraria dessas. Mas ainda falta muito para o Oscar, estou com minhas barbas de molho.

Você acredita que o longa, por sua temática de violência, possa ser negativo para a imagem do Brasil lá fora?

Não acho nada disso. Não estou preocupada com a imagem que vão fazer do Brasil. Eu conheço meu país, o que esta ou aquela pessoa pensa não importa. Embora o assunto seja perturbador, o que importa é a qualidade cinematográfica do filme. É uma excelente história. Estamos fazendo cinema de gente grande, temos que nos orgulhar.

O filme lembra os ataques criminosos de maio de 2006, que pararam São Paulo. Esse retrato da realidade contribuiu para te atrair para esse projeto?

Naquele dia, São Paulo parou, teve pânico e caos. É um episódio da nossa história recente muito bem escolhido como gênese do filme. É como se tivesse fechado um zoom, no meio daqueles acontecimentos terríveis, focando naquelas duas vidas, da minha personagem e do filho. O bacana é mostrar essa utopia: todo mundo quer viver com paz, justiça e liberdade. O Sérgio (Rezende) levanta essa discussão, mas não vejo o filme tomando partido.

Como você definiria a sua personagem? Como você se preparou para o papel?

Ela é uma grande mulher comum, de temperamento controlado, discreta e de grande inteligência no comportamento. Ela age de maneira quase matemática para que nada prejudique seu objetivo de proteger o filho depois que ele vai para a prisão. Ela se oferece ao sacrifício pela cria, é uma situação trágica. Não fiz laboratório para essa personagem, o roteiro já era tão potente, eletrizante, que se bastava.

Como foram as filmagens?

Foram quase quatro meses de trabalho. Foi muito divertido, um enorme prazer, até nas cenas mais difíceis. Mesmo quando o papel é pesado, não levo para casa carga emocional nenhuma. É muito importante não confundir esses dois universos, trabalho e realidade. O corpo pode ficar exausto, mas a cabeça fica leve.

Você ficou conhecida, principalmente na televisão, por papéis cômicos. Como é encarar um papel tão dramático na tela grande?

Não foi uma novidade, já tinha feito “Verônica” (de Maurício Farias, lançado no início do ano) e algumas peças dramáticas. Fico feliz por ser mais um papel maravilhoso que caiu na minha mão. Mas carrego no peito o orgulho de ser comediante. É realmente um título de nobreza. Um comediante pode fazer muito bem um papel dramático, mas nem todo ator dramático pode fazer comédia. Por isso, quero ser chamada de comediante a vida toda.


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