Terça-feira, 09/02/2010
Confira uma seleção de títulos indispensáveis (todos disponíveis no Brasil) para qualquer um interessado em jornalismo.
FAMA & ANONIMATO
Gay Talese, Companhia das Letras, 536 págs., R$ 62.
Fama & Anonimato, do genial Gay Talese, se divide em três grandes partes. Na primeira, um estupendo perfil da cidade de Nova Iorque, com minúcias praticamente impensáveis no cotidiano das grandes cidades. Na segunda, Talese retrata a construção da ponte Verrazano-Narrows e suas conseqüências. Por último, a obra traz uma série de perfis do autor durante sua carreira, incluindo a obra-prima “Frank Sinatra Está Resfriado”.
DENTRO DA FLORESTA
David Remnick, Companhia das Letras, 576 págs., R$ 65.
O atual editor da New Yorker é um dos expoentes do jornalismo literário da atualidade. Ao contrário de autores renomados, Remnick carrega paixão especial pelos perfis de cidadãos famosos. Com texto criterioso, o autor adora destilar seu veneno ao encontrar contradições na fala de seus entrevistados, como pode-se perceber no perfil de Al Gore, candidato derrotado à eleição para presidente dos Estados Unidos em 2004.
A SANGUE FRIO
Truman Capote, Companhia das Letras, 440 págis., R$ 52.
A Sangue Frio apresenta todas as características típicas do jornalismo literário, mas é alvo de grande discussão a respeito de seu gênero, porque Capote afirmou que sua obra se trata de um romance de não-ficção. Deixando a polêmica de lado, a obra trata do assassinato da família Clutter, no pacato município de Holcomb, no estado de Kansas, e a relação do autor com os dois assassinos, principalmente com Perry Smith.
A MILÉSIMA SEGUNDA NOITE DA AVENIDA PAULISTA
Joel Silveira, Companhia das Letras, 216 págs., R$ 40,50.
O “víbora” Joel Silveira, um dos maiores nomes do jornalismo literário brasileiro, ao lado de José Hamilton Ribeiro, apresenta uma coletânea de suas melhores reportagens, incluindo o venenoso texto que dá título à obra. “Grã-finos em São Paulo” é outra reportagem com a veia típica de Silveira, recheada de ironias.
O SEGREDO DE JOE GOULD
Joseph Mitchell, Companhia das Letras, 160 págs., R$ 36.
A primeira e a segunda partes do livro estão separadas por 20 anos. Depois de contar a história do vagabundo que queria construir um clássico literário, Mitchell retornou ao tema para uma espécie de mea culpa. Joe Gould era uma farsa e sua idéia de livro era uma farsa. Eles serviram ao menos para um dos maiores clássicos do jornalismo.
HIROSHIMA
John Hersey, Companhia das Letras, 176 págs., R$ 37,50.
Com freqüência (e com justiça) considerada a melhor reportagem de todos os tempos, Hiroshima contou para os EUA e para o mundo, pela primeira vez, os efeitos da bomba atômica lançada sobre a cidade japonesa em agosto de 1945. Um ano depois, John Hersey conversou com seis sobreviventes e, para o capítulo final, voltaria a encontrá-los quatro décadas mais tarde.
FILME
Lillian Ross, Companhia das Letras, 312 págs., R$ 52.
O escritor Tom Wolfe gosta de dizer que inventou o jornalismo literário, mas qualquer um que conheça um pouco melhor a história do gênero sabe que, na urgência de descobrir um criador, o título caberia a Lillian Ross. A jornalista de 80 anos virou referência ao narrar a feitura do filme A Glória de um Convarde, de John Huston (1906 – 1987).
O GOSTO DA GUERRA
José Hamilton Ribeiro, Objetiva, 144 págs., R$ 26,90.
A história profissional de José Hamilton Ribeiro não tem paralelos no jornalismo brasileiro. Destacado pela revista Realidade para cobrir a Guerra do Vietnã, ele voltou do conflito ferido mortalmente (acabou perdendo a perna esquerda) por pisar em uma mina. O fato gerou um dos textos mais contundentes da imprensa nacional.
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