Terça-feira, 09/02/2010
Caio Vieira
Curitibana de 16 anos ganha concurso e bolsa para estudar na companhia American Ballet Theatre
Publicado em 20/05/2008 | Annalice Del VecchioEstudar na escola da American Ballet Theatre (ABT), uma das melhores companhias de dança do mundo, sediada em Nova Iorque, já é um feito e tanto. Mas a aluna da Escola de Dança do Teatro Guaíra Nayara Macedo conseguiu mais do que isso: será a primeira bailarina brasileira a ir para lá com uma bolsa integral de um ano.
O privilégio não costuma ser concedido a bailarinos estrangeiros. “Quando viram Nayara dançando, identificaram nela uma aquisição para o ABT. Ela tem o perfil, mas ainda não tem idade. A idéia é contratá-la para integrar a companhia depois do curso, assim que completar 18 anos”, diz Jocy Beckert, diretora da Escola de Dança do Teatro Guaíra, onde a menina estuda desde os oito anos.
Conheça a história do American Ballet Theatre (ABT)
- Fundada em 1940, a companhia, patrocinada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, é uma das mais importantes do mundo.
- O ABT foi criada para desenvolver um repertório que incluísse os melhores espetáculos de balé do passado e encorajar a criação de novos trabalhos de jovens coreógrafos.
- No repertório, estão grandes obras do século 19, como O Lago dos Cisnes, A Bela Adormecida e Giselle; do começo do século 20, como Apollo, As Sílfides, Jardin aux Lilas and Rodeo; além de peças contemporâneas aclamadas, como Airs, Push Comes to Shove and Duets.
- O ABT abrigou trabalhos de coreográfos do século 20 como George Balanchine, Antony Tudor, Jerome Robbins, Agnes de Mille e Twyla Tharp, entre outros.
- In 1980, Mikhail Baryshnikov tornou-se diretor artístico da companhia, substituindo Lucia Chase e Oliver Smith. Sob sua liderança, numerosas peças clássicas foram apresentadas, reapresentadas e reformadas. Em 1990, Jane Hermann e Oliver Smith substituíram Baryshnikov.
- Em 2000, o ABT fez sua primeira visita à China, com apresentações em Xangai, Hong Kong, Taipei e Cingapura.
- Ao longo de 60 anos de história, a companhia apresentou-se em 126 cidades de 42 países e em todos os 50 estados dos Estados Unidos, onde realiza anualmente turnês para mais de 600 mil pessoas.
- Desde 1992, Kevin McKenzie é o diretor artístico da companhia.
Com apenas 16 anos (ela completa 17 em julho), Nayara foi classificada em 6º lugar na etapa final do Youth American Grand Prix, competição que reúne jovens solistas e conjuntos de diversos continentes, realizada em Nova Iorque, de 17 a 21 de abril. Concorreu com 616 jovens bailarinos do mundo inteiro, após ser aprovada em 2º lugar na primeira etapa, que peneirou brasileiros, em São Paulo.
O talento da futura bailarina chamou a atenção dos árbitros internacionais que, além de lhe atribuírem a nota 94,8, escreveram vários elogios nas fichas de avaliação. Nayara teve a chance de escolher entre duas bolsas de estudos que lhe foram oferecidas na ocasião: uma no Ballet de Hamburgo (Alemanha) e outra no American Ballet Theater – pela qual optou. “Ela se preparou anteriormente para ir à Alemanha, achava que ser aprovada no ABT seria impossível. Acabou ganhando as duas bolsas”, conta a mãe, Ilza Macedo Lopes.
A menina não pára de receber prêmios. Há poucos dias, recebeu três troféus no 2º RV Dança Curitiba (revelação, 1º lugar na categoria solo neoclássico juvenil; e 2º lugar, na categoria solo de repertório juvenil). No evento, são escolhidos os melhores bailarinos dos estados para participar de uma competição nacional, no próximo semestre. Também ganhou uma bolsa de estudos para participar, em julho, da 5ª Edição da Temporada do Balé Russo, em São Paulo.
A mãe conta que Nayara começou a dançar aos 6 anos, em uma escolinha de bairro. Dois anos depois, foi com a mãe inscrever a irmã no teste seletivo da Escola de Dança do Teatro Guaíra e se interessou em participar. Passou. “Ela se entusiasmou e não parou mais”, lembra Ilze.
“O bailarino consegue, com muito trabalho, executar bem os movimentos, mas Nayara tem, além disso, um talento artístico muito desenvolvido”, conta Jocy Beckert. Ela lembra que as oito horas de prática diária e as inúmeras apresentações contribuíram para o amadurecimento da bailarina.
Apoio
No ano passado, a adolescente tentou participar do Youth American Grand Prix, mas a falta de recursos a impediu de participar das provas. Desta vez, a Provopar (Programa do Voluntariado Paranaense) pagou as passagens aéreas. No entanto, para se manter em Nova Iorque por um ano, Nayara precisa encontrar um patrocinador, já que a bolsa não inclui passagem, hospedagem e alimentação.
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