Terça-feira, 09/02/2010
Valêncio criou a Cinemateca do Museu Guido Viaro, hoje Cinemateca de Curitiba, em 1975. A programação movimentada formou uma
geração de cineastas
Beto Carminatti prepara filme em que reúne inúmeros depoimentos de pessoas que acompanharam a trajetória do escritor
Publicado em 06/12/2008 | Annalice Del VecchioA abertura não poderia ser mais pertinente, afinal, o espaço municipal é obra de Valêncio, que o criou como Cinemateca do Museu Guido Viaro, em 1975 – só mais tarde, em 1998, seria rebatizado como Cinemateca de Curitiba.
A obra de Valêncio Xavier foi duplamente lembrada este ano no teatro paranaense – que pouco se serve dos escritores locais, à exceção de Dalton Trevisan e, recentemente, de Manoel Carlos Karam.
Carminatti, como muitos paranaenses, era assíduo freqüentador dos inúmeros ciclos de cinema realizados ali – assim como muitos outros jovens que formariam a chamada “Geração Cinemateca”. “Valêncio tinha uma grande competência em movimentar intelectualmente os lugares por onde passou. É o caso da Cinemateca e do Museu da Imagem e do Som (que também dirigiu, em 1980)”, conta.
Em formato digital, o filme reúne inúmeros depoimentos de pessoas que acompanharam de algum modo a trajetória do autor de O Mez da Grippe, entre outros livros. “Valêncio era um homem do cinema, da TV, do jornal e da literatura. Quero mapear sua história em todas estas áreas”, conta.
Entre os entrevistados, estão: os cineastas Rui Vezzaro e Pedro Merege, o roteirista e pesquisador Jean-Claude Bernardet, o roteirista e tradutor José Rubens Siqueira, os jornalistas da Gazeta do Povo José Carlos Fernandes e Paulo Camargo, a escritora Luci Collin e a cineasta Marília Franco, entre outros.
Mistéryos
Além do documentário, Carminatti lançou, durante o 3º Festival do Paraná de Cinema Brasileiro e Latino, realizado de 8 a 16 de outubro, o longa-metragem de ficção Mistéryos, baseado em cinco contos de O Mez da Grippe – que dirige em parceria com Pedro Merege, outro cineasta da “Geração Cinemateca”. O filme, vencedor do segundo prêmio de cinema e vídeo do governo estadual, foi gerado a partir de uma adaptação inicial da obra do escritor, o curta O Mistério da Prostituta Japonesa. Protagonizado por Carlos Vereza, o filme também participou da seleção da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, realizada de 17 a 30 de outubro.
Na obra de Valêncio, há 13 “mistérios”, cada um narrado em um conto. Os diretores adaptaram cinco deles, mas utilizaram situações de outros textos do livro. “São fantasmagorias cinematográficas que surgem no meio da narrativa como o homem-macaco e gata-gorda”, explica Carminatti.
O conto “O Mistério da Porta Aberta” é o que o diretor chama de “motivo recorrente”, pois assume a função de alinhavar os outros contos, além de alimentar a narrativa com inúmeras possibilidades metafóricas. “A porta aberta pode significar a divisão entre a vida e a morte, a realidade e a ficção, a mentira e a verdade, a vida e a arte.” É a porta que se abre às histórias dos outros contos, que têm personagens que circulam em tempos e espaços diversos, como é o caso das personagens femininas interpretadas pela atriz Stephany Brito.
A atriz Lala Schneider, que morreu em fevereiro de 2007, faz uma participação “especialíssima” nesta que é sua última aparição nas telonas. Também fazem parte do elenco – paranaense em sua grande maioria –, o ator Leonardo Migiorin, Marcos Zenni, Rodrigo Ferrarini, Lilian Marchiori e Marino Jr., entre outros.
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