Sábado, 31/07/2010
Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo
“Os sebos, mais que um negócio, são uma maneira de um acervo passar de uma geração para a outra.” Paulo José da Costa, proprietário do Sebo Fígaro
O próprio Costa entrou no ramo quando teve de vender parte de sua biblioteca. Há 20 anos, o salário achatado não dava mais conta das despesas. No momento em que se desfez de alguns livros e outros discos, percebeu que havia um nicho de mercado. Cinco anos depois, pediu demissão no banco e assumiu o comércio de livros e discos usados como o seu meio de vida. Todo mês, vende 3 mil livros – a mesmo quantidade de obras que compõem o seu acervo pessoal. Atualmente, compra uma biblioteca por semana.
A exemplo da biblioteca de Temístocles Linhares, muitas das centenas de coleções particulares que existem em Curitiba têm o seu final nas mãos de Costa. Mudança, separação, doença e falecimento são alguns dos motivos que podem provocar o desmanche de um acervo. Em tempos de crise, o endividamento também. Dia desses, Costa foi até o apartamento de um sujeito endividado e, ao fazer a oferta, o possível cliente começou a chorar. O proprietário do Sebo Fígaro decidiu não efetuar a compra. Ainda: ajudou o leitor a encontrar soluções para saldar a dívida.
Costa acredita que os sebos têm uma função social, de utilidade pública. “Os sebos, mais que um negócio, são uma maneira de um acervo passar de uma geração para a outra”. Ele ainda considera, e muitas vezes tem quase certeza, de que os livros à venda na loja fazem parte de sua biblioteca pessoal. (MRS)
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