Terça-feira, 09/02/2010
Benett
Foi em novembro de 2008 que o analista de internet da Universidade Castello Branco, no Rio de Janeiro, Lindenberg Moreira, de 32 anos, teve a ideia de fazer uma rede social para trocar experiências de leituras sobre livros técnicos com seus colegas de trabalho.
No Skoob, cadastro é simples e exige do usuário apenas o estado em que reside e o nome completo. Alguns sinais deixam claro o experimentalismo do site, como os poucos recursos para personalizar um perfil. O sistema de busca possibilita achar obras segundo autor, título, editora ou tag (marca), e permite também a pesquisa por usuários.
A procura por títulos pode ser um pouco decepcionante caso o leitor busque livros menos populares. Para a estante virtual deste repórter, vários livros tiveram de ser cadastrados – o que significa que não foram abordados por nenhum outro leitor antes. Entre eles, as obras de Valêncio Xavier (autor de O Mez da Grippe) e o metalinguístico O Fantasma da Infância, de Cristovão Tezza. Alguns têm edições duplicadas, uma falha para a qual o site já dispõe de um mecanismo de correção.
Entre os recursos na página da estante, está o de adicionar notas ao livro que está sendo lido e o de marcar a página de alguma passagem.
Como media tracker (banco de dados) para aficionados em livros, o Skoob é uma boa opção. Como rede social, existem alternativas para promover uma interação maior entre os usuários, como a criação de fóruns de discussão. Por hora, a contato se dá por meio de resenhas e recados.
Da Redação, com a colaboração de Yuri Al’Hanati
Moreira, que se espelhou em versões similares norte-americanas, ficou surpreso com a rápida adesão dos usuários leitores. “Primeiro eu abri só para os meus amigos verem, mas alguém divulgou no Orkut e aí não deu mais para segurar. E eu achava que os brasileiros, de uma forma geral, não gostassem muito de ler”, conta o analista. Ele afirma que a intenção não é fazer um novo Orkut.
Diferente da já conhecida rede social, o Skoob (anagrama de books, livros, em inglês) disponibiliza uma vasta quantidade de informações técnicas sobre livros e espaço para resenhas e comentários de usuários, que podem adicioná-los as suas estantes virtuais em quatro modalidades: “Lido”, “Lendo”, “Vou Ler”, “Relendo” e “Abandonei”.
Além disso, é possível classificar o livro com estrelas e adicionar marcas como “Favorito”, “Emprestei” ou “Desejado”, entre outras. Mas, segundo seu criador, a grande vantagem do site é a possibilidade, por parte dos usuários, de cadastrar livros novos.
“Se você não achar um livro lá, você pode cadastrá-lo. Isso é um diferencial, porque o acervo se torna ilimitado”, explica Moreira. Outra diferença apontada por ele é o objetivo dos usuários. “Enquanto, no Orkut, as pessoas entram para brincar, os usuários do Skoob entram com um propósito muito específico, que é trocar informações sobre livros”, diz. Um dado curioso: a quantidade de usuários que encerram suas contas é mínima.
Um dos primeiros a se cadastrar no Skoob, o publicitário carioca Marcos Bassini, de 39 anos, descobriu o site através de um amigo e hoje é um dos que mais colaboram, cadastrando livros e escrevendo resenhas. Para Bassini, o Skoob é uma boa oportunidade para trocar experiências com pessoas afinadas com seu gosto literário.
“Descobri que as pessoas que gostam dos mesmos livros que eu geralmente são muito parecidas comigo”, diz Bassini, mais de 300 livros lidos em sua estante virtual. A estante aliás, é um aspecto importante do site para o publicitário: “Muito da personalidade da pessoa pode ser descoberta pelos livros que ela leu”, afirma.
A bailarina Déa Paulino, de 29 anos, entrou para o Skoob para fazer um controle de suas leituras. “Leio mais ou menos cinco livros por semana, e vi no site uma boa maneira de organizar meus títulos favoritos”, explica. Com o tempo, Déa também começou a se relacionar virtualmente com pessoas com gostos parecidos e a escrever resenhas de seus livros favoritos.
A interação entre os leitores participantes do Skoob extrapola os limites virtuais. Quatro encontros de skoobers (como são chamados os usuários) já aconteceram em bares da cidade do Rio de Janeiro. Marcos Bassini compareceu e diz que é fantástico ver tanta gente reunida pelo mesmo propósito. “A gente troca livros, conversa, recita poesias e compartilha nossas próprias produções literárias. E é claro que o papo não fica só na literatura”, conta.
Moreira teve a iniciativa de criar o site, mas os eventos são todos organizados pelos próprios usuários, que se mobilizam com facilidade.
Apesar de ser uma rede social com grande potencial de expansão, o Skoob ainda não dá lucro. “Recebemos uma comissão de uma livraria do Rio, mas por enquanto é só. Dá para ficar no azul”, diz o analista, que já trocou quatro vezes de servidor para conseguir abranger todos os usuários desde que o site foi inaugurado.
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