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Marcelo Stammer/ Divulgação / Mordida: a melhor apresentação do festival, acompanhada de Rodrigo Lemos (ex-Poléxia) nos teclados e de um duo de metais Mordida: a melhor apresentação do festival, acompanhada de Rodrigo Lemos (ex-Poléxia) nos teclados e de um duo de metais
Opinião

Uma mordida no frio

Publicado em 28/07/2009 | Cristiano Castilho

Não haveria melhor combinação para o Rock de Inverno 7 do que a chuva e o frio da última sexta-feira. Uma pena que esse duo, somado ao horário da apresentação da primeira banda (20h30), tenha contribuído para que poucos prestigiassem o trabalho da Liquespace, banda curitibana que abriu o segundo dia de shows, no John Bull Music Hall.

Bateria e baixos bem abrasileirados; sanfona e programações eletrônicas caprichadas que lembravam Mombojó e explosões instrumentais que só precisariam de uma percussão para se igualar a Nação Zumbi. Já estava bom. Mas aí surge a guitarra virtuose de Fernando Rischbieter, fazendo de cada acorde um delirante tapa nos ouvidos. Mesmo com o vocal tímido de Lique, foi um dos destaques da noite.

Quem subiu ao palco 20 minutos depois foi a Pão de Hamburguer. A mais jovem – e talvez a mais despretensiosa banda da noite. Foram eles, com um blues-rock barulhento, os responsáveis pelas primeiras manifestações calorosas à frente do palco. Destaque para o cover de “Será Que Eu Vou Virar Bolor”, de Arnaldo Baptista.

O trovador Giancarlo Ruffato subiu ao palco às 21h20 com seu Hotel Avenida. Melódica, a banda aposta em baladas ao violão e piano, mas em um show mais longo – e apesar do revezamento dos músicos – a monotonia chega de repente. O ponto alto foi a execução ao vivo de “Eu Não Sou um Bom Lugar”, ótimo single de es­treia.

Quem pulou, correu e brincou foi a Nevilton, a Supergrass de Umuarama. No palco, misturou pulos no estilo Angus Young (AC/DC) a atitudes adolescentes. Seu som anos 1990 traz uma batalha interessante entre a melodia pop e o instrumental sempre muito bem trabalho – mesmo quando Nevilton sola sua guitarra no ar. “Máscara” é hit pronto.

A paulista 3 Hombres – que conta com Jayr Marcos, do Fellini – foi anacrônica, diferentemente da colega de anos 1980 que se apresentou no sábado (leia ao lado). Era como ver um DVD de Paulo Ricardo já em sua fase decadente. A banda tem uma bela história, mas ela parece ter ficado em algum lugar.

Já na madrugada de sábado, Diedrich e os Marlenes instauraram a anarquia em canções vigorosas que lembraram os bons momentos da Pelebrói Não Sei? e Beijo AA Força, as bandas seminais. Destaque para o baixo contundente de Renato Quege.

Quem fechou a noite foi Beto Só. O grupo brasiliense traz um letrista inspirado e carismático aliado a um trio de ótimos músicos. O rock alternativo e cancioneiro que é destaque em Brasília chega para ficar.

No dia seguinte, o mesmo problema. Heitor e Banda Gentileza tocavam enquanto o palco era preenchido somente por músicos que iam em direção ao camarim. Após a gravação do primeiro disco – que sai em outubro – o sexteto parece estar mais livre: Heitor tem o controle das ações no palco e chega a brincar com sua própria arte. Os metais, agora essenciais, embalam o grande baile, que tem direito até a uma viola caipira em “Teu Capricho, Meu Despacho”.

Je Rêve de Toi foi o estranho no ninho. O duo funcionou quando se voltou 100% ao eletrônico, mas tornou-se incompreensível quando jogava bases funk à guitarras psicodélicas.

Depois dos shows competentes de ruido/mm – embora algo letárgico –, do divertido rock-folclore de Koti e os Penitentes e do Fellini, a melhor apresentação do festival: Mordida, acompanhada de Rodrigo Lemos (ex-Poléxia) nos teclados e de um duo de metais, tornou-se uma grande banda e fez um show histórico. Rock com atitude, um frontman inconfundível (Nadal) e letras inteligentemente sagazes.

A paulista Lestics fechou a noite. Sentados e serenos, aniquilaram o clima rock deixado no ar com um folk-country cansado e repetitivo. O show foi regular, mas teria sido um erro estratégico deixar qualquer banda tocar depois do que fez a Mordida.

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