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Edson Militão

O tempo ruge

Publicado em 23/03/2013 |
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O ator José Wilker interpretou tempos atrás o personagem de um bicheiro poderoso que usava um bordão engraçado, justo pelo erro grotesco de português: o tempo ruge (e a Sapucaí é grande), dizia ele, referindo-se à urgência de uma situação qualquer. O contraventor do seriado, ou novela, não lembro, repetia tanto que acabou caindo no gosto popular. Ontem, depois do amistoso contra a Itália, lembrei-me do “felomenal” Wilker e o divertido personagem de terno branco com lencinho vermelho no bolso do paletó.

Pois é, o tempo ruge... Mas o que é que mais preocupa para a Copa do ano que vem: a conclusão das obras – estádios, avenidas, aeroportos, etc – ou a escolha tática e individual da seleção. A impressão que eu tenho é que Felipe Scolari tem menos tempo para arquitetar o time brasileiro do que os engenheiros para receber os alvarás.

Há três anos a comissão técnica observa jogadores e rabisca esquemas táticos. A peneirada de atletas começou com Mano Menezes e Felipão continua testando. Pra quê? Até parece que estamos sabatinando um grupo de meninos, catando um aqui outro ali para ver quem leva jeito de entrar na categoria de base. Ora, é necessário testar Kaká e Ronaldinho Gaúcho, com dois jogos para cada um mostrar quem é o melhor? Isso é ridículo. Por outro lado o que soma neste momento observar Diego Costa, Luiz Gustavo e outros calouros?

Sou do tempo onde se escalava a força máxima nos jogos amistosos, e quando se aproximava da Copa, a seleção já estava pronta. João Saldanha assumiu o comando em 1969 e durante a coletiva de apresentação já escalou o time, nominando de Félix a Edu os 11 titulares que disputariam as Eliminatórias da Copa de 70. E assim fez, mantendo os mesmos jogadores e classificando o Brasil. Deu confiança aos titulares e foi sincero com os reservas. Estar pronto e afiado para entrar no time principal, como Djalma Santos na final de 58, é uma coisa; abrir concorrência entre companheiros por uma vaga nem sempre é salutar.

No intervalo do amistoso de quinta-feira – e aí é que entra o dedo dos treinadores –, o italiano mexeu com sabedoria e massacrou taticamente o brasileiro. Fez apenas dois gols, mas não deixou o Brasil jogar. Felipe Scolari contrariou a lógica, colocou Hulk na esquerda, isolou Oscar pelo lado direito e deixou a defesa vulnerável. Como técnico, fez tudo errado. Teve a graça de contar com a precisão de Fred, Neymar (deu passe) e Oscar para fazer os dois gols que evitaram a derrota.

Claro que concordo que o clímax não deva ocorrer na Copa das Confederações, muito menos agora, mas sim semanas antes e durante a primeira fase de classificação do Mundial. Esse é o borbulhar, a ebulição, o orgasmo numa competição de altíssimo nível. Mas é um momento que tem mais a ver com os valores físicos e de meditação absoluta no objetivo. A cara do time, porém, já deveria ter saído da fôrma a um bom tempo. Temos hoje, quando muito, apenas os caixilhos da obra mais importante da Copa, a seleção. Felipão, o tempo ruge! “Tô certo, ou tô errado?”

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