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O Coro da Multidão

Os três pilares contra a corrupção

Publicado em 20/07/2012 |
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Quer combater a corrupção? Não é fácil, ela se prolifera com mais virulência que a gripe. Porém, uma estratégia eficaz para combatê-la se fundamenta sobre três pilares: cultura de participação cidadã, fiscalização e punição efetiva. O primeiro desses pilares pode ser considerado uma condição sem a qual não é possível reduzir a corrupção a níveis menos alarmantes. Sem uma população acostumada a exercer a cidadania e reivindicar direitos, as ações fiscalizadoras e punitivas tendem a se enfraquecer, resultando em impunidade.

É por essa razão que o Movimento Paraná sem Corrupção (leia mais na página 13) merece ser acolhido pela sociedade. A iniciativa permite a difusão de uma cultura de aversão à improbidade, ao envolver estudantes do ensino médio em atividades cujo objetivo é conscientizar sobre os danos que a corrupção traz para a sociedade e a necessidade de usar o voto como forma de remover os maus políticos do cenário eleitoral.

Tendências

Campanha em marcha

Nas redes sociais a campanha começou. Não se trata da eleitoral, mas da divulgação da 8.ª Marcha contra a Corrupção, marcada para o Sete de Setembro. Se ela repetirá o sucesso da primeira passeata, que contou com a participação de 25 mil pessoas em Brasília, é uma incógnita.

Capacidade de mobilizar

Quase um ano depois da 1ª Marcha contra a Corrupção, o empresário Walter Magalhães, um dos organizadores do protesto, avalia o resultado da passeata. Em entrevista à coluna, Magalhães afirma que a marcha do Sete de Setembro do ano passado mostrou que é possível mobilizar a população. “A marcha, independentemente de quem começou ou permaneceu, conseguiu mobilizar e, aos poucos, criaram-se vários grupos ligados ao objetivo de combate à corrupção”, afirma Magalhães.

Pequenos atos,grandes mudanças

Walter Magalhães não pensa em se candidatar, porque entende que possui mais liberdade para lutar por um país melhor estando fora da política partidária. Para ele, a primeira passeata do ano passado contribuiu para conquistas importantes, como o voto aberto, a manutenção dos poderes do Conselho Nacional de Justiça e a declaração de validade da Lei da Ficha Limpa. “Tenho analisado os efeitos de pequenos atos de comunidades do mundo inteiro, que acabam resultando em grandes mudanças. Aquela marcha foi o primeiro passo de grandes atos futuros, que no momento certo, vão acontecer.”

É fácil perceber o quanto a corrupção é nociva. A Fundação Getulio Vargas (FGV) apresentou no ano passado uma estimativa que mostrava a gravidade do problema no país. Entre 2001 e 2008, a FGV estima que foram para o ralo R$ 40 bilhões de recursos federais por causa de atos de corrupção. É dinheiro que poderia servir para melhorar a prestação de serviços de saúde, educação, para promover a economia e a inovação.

Os eleitores, em especial os mais jovens, deveriam se preocupar com o assunto. A eles pertence o futuro. Porém, podem acabar se tornando “idiotas”, no sentido grego. Na Grécia antiga, “idiota” era o cidadão que, apesar de ter direitos garantidos, ainda assim preferia ignorar os assuntos públicos. Nunca antes na história desse país isso pode ser uma escolha tão consciente.

Aqui vale um apelo. Todos os meses os jornais publicam notícias sobre protestos de grupos setoriais – feministas, ciclistas, LGBT, skatistas – sempre ocupados em defender suas causas. Todos eles possuem reivindicações extremamente relevantes. O envolvimento desses grupos em temas mais amplos – como a corrupção – é imprescindível. Do contrário, podem acabar se tornando “idiotas” setoriais.

A mobilização pública já induziu mudanças no Paraná. Foi assim no caso dos Diários Secretos. Isso pode voltar a ocorrer. É preciso que a sociedade aproveite momentos como esse para disseminar uma nova cultura. Uma cultura de controle social sobre os políticos e de pressão inclusive sobre os órgãos de controle. A sociedade não pode permitir inclusive que órgãos de controle evitem fiscalizar a administração pública. O movimento lançado hoje se tornará importante se for adotado pela sociedade. Porque o temor de todos os homens e mulheres de boa vontade é que, passada a eleição municipal, voltemos a cair no marasmo dos “idiotas”.

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