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Rosana Félix

Apontamentos sobre o Ideb

Publicado em 18/08/2012 | atualizado em 21/08/2012 às 15:00
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Se falhamos na educação atualmente, falharemos em todo o resto no futuro. Não é a toa que a divulgação das notas do Ideb, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, trouxe tanta preocupação. Os dados, divulgados na quarta-feira, mostram que, na média, estamos evoluindo nos primeiros anos do ensino fundamental, mas no geral as notas dos estudantes do ensino médio pioraram.

Felizmente a rede municipal de Curitiba continua em destaque, mas agora aparece em segundo lugar no ranking do Ideb entre as capitais, atrás de Florianópolis, que teve nota 6. Mas, na educação, é preciso avançar sempre, não podemos baixar a guarda. Além disso, agora a capital paranaense aparece empatada com Campo Grande (MS) e Palmas (TO), com uma média de 5,8 nos anos iniciais do ensino fundamental. Mas, enquanto a capital paranaense evoluiu apenas 0,1 ponto, as outras duas cidades tiveram um incremento de 0,6 e 0,2 na média, respectivamente.

Resultado em 2011

Desempenho das 170 escolas municipais de Curitiba em relação ao Ideb anterior:

• Aumentaram a nota: 48,8%
• Reduziram a nota: 37,1%
• Mantiveram a mesma nota: 14,1%

Fonte: Inep

Para continuarmos avançando em um bom ritmo, é preciso investigar os motivos que fizeram com que várias escolas municipais de Curitiba tivessem redução na nota do Ideb em 2011. Do total de 173 estabelecimentos públicos municipais que participaram da prova em 2009 e 2011, 37% tiveram redução na nota. A maioria (48,8%) apresentou crescimento na média, mas é isso o que se espera de todas as escolas.

Ensino Médio

O Ministério da Educação já tentou mostrar trabalho. No mesmo dia em que as notas foram divulgadas, falou-se na reestruturação curricular do ensino médio. As disciplinas obrigatórias (que variam de 13 a 15) seriam reorganizadas em quatro módulos multidisciplinares: linguagem, ciências humanas, ciências da natureza e matemática. Muitos educadores foram ouvidos pela mídia para comentar sobre essa proposta, e o que se vê é que não há consenso. Mas, mesmo quem diz que a reestruturação é uma boa ideia, alerta para a dificuldade de implementá-la, já que os atuais professores não têm formação multidisciplinar.

O fato é que o ensino médio é um grande desafio, mesmo em países mais desenvolvidos, conforme apontado pela renomada pesquisadora Françoise Caillods no seminário “Como Aumentar a Audiência no Ensino Médio?”, promovido pelo Instituto Unibanco no fim de 2010. Ela apontou que a dificuldade de motivação é muito grande pois “no ensino médio os alunos entram como adolescentes e saem como adultos”. Entre as causas para o desinteresse estão a prática de aulas expositivas, em que só o professor fala; disciplinas distantes do dia a dia; cultura da escola muito diferente da cultura dos jovens; e o descompasso do perfil da escola com o perfil do aluno em um cenário onde a tecnologia é dominante.

Na média, o ensino médio no Paraná retrocedeu, de nota 4,2 para 4. A secretaria estadual justificou a queda à redução de carga horária das disciplinas de português e matemática (para acréscimo de outras). Quinze disciplinas constam das diretrizes curriculares: arte, biologia, ciências, educação física, ensino religioso, espanhol, filosofia, física, geografia, história, inglês, língua portuguesa, matemática, química e sociologia.

O Rio de Janeiro, que ainda está mal colocado no ranking, ao menos teve uma evolução importante entre as notas do Ideb de 2009 e 2011, passando de 3,3 para 3,7. As escolas fluminenses também têm várias disciplinas – 12 (ciências e biologia são juntas e não espanhol e ensino religioso). Segundo a secretaria de educação fluminense, as notas melhoraram devido às aulas de reforço e à formação continuada dos professores. Mas um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que o investimento em aulas de reforço não é garantia de que o aprendizado melhorará. “Para concluir: Quando se trata de aprender, é a qualidade das aulas na escola e a atitude do aluno com relação à aprendizagem o que mais conta, não o número de horas que o estudante leva estudando”, diz o documento.

E então? Bom, ao que parece, não há fórmulas prontas. Cada realidade é diferente. Por isso vale muito o envolvimento de cada comunidade, dos pais, familiares, assim como dos diretores e professores. Estes últimos têm um papel fundamental, de transmitir conteúdo, motivar o aluno, em fazer com que ele se interesse pelos livros e pelo mundo ao seu redor. Isso é básico: precisamos de mestres capacitados e com o devido reconhecimento, tanto financeiro como moral, pela grande responsabilidade que carregam nos ombros.

Obs: Coluna atualizada na terça-feira, dia 21 de agosto, corrigindo informação sobre o ranking da rede municipal de ensino.

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