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Aírton Cordeiro

O povo paga o luxo

Publicado em 13/09/2012 |
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A culpa não é do Atlético. O Rubro-Negro é beneficiário da ilegalidade que o governo do estado e a prefeitura de Curitiba estão praticando conscientemente. Sabem que dinheiro público não pode ser aplicado em obra particular. O potencial construtivo gera dinheiro público. Vai para os cofres da prefeitura e só pode ser utilizado para construir obras públicas. Verdade que já foi dita reiteradas vezes para compreensão dos sensatos, racionais e respeitadores dos deveres constitucionais. Só erra quem quer desrespeitar os mandamentos legais e morais.

Quem tem medo da verdade? A Câmara Municipal ou a prefeitura de Curitiba? As perguntas são pertinentes pelo inusitado adiamento, para depois da eleição, do projeto encaminhado pelo prefeito aos vereadores aumentando o valor do potencial construtivo dos R$ 90 milhões iniciais para R$ 123 milhões para as obras particulares do Estádio Joaquim Américo.

Quem conhece minimamente a política da capital sabe que o papel submisso dos representantes do povo no poder legislativo levará o projeto do prefeito à aprovação de forma inevitável. É uma questão de tempo. Só posso entender que a matéria ainda não foi votada por interesses político-eleitorais das partes envolvidas no processo. Para ser mais explícito, por medo da repercussão popular a poucos dias das eleições de 7 de outubro. Ninguém deve temer a verdade pronunciada com soberania pelo povo de Curitiba.

E a cobertura, quem paga?

Não me consta que o caderno de exigências da Fifa imponha que os estádios da Copa devem ser totalmente cobertos. No projeto elaborado pelo beneficiário do dinheiro público, está prevista uma bela cobertura retrátil. Aquela beleza da arquitetura moderna que permite o abrir e fechar do dispositivo que protege da chuva e exibe o gramado ao banho de sol para secar o campo de jogo, evitando o excesso de umidade.

O luxo da cobertura retrátil está no projeto arquitetônico do estádio e quem vai pagar a conta? É óbvio. Os contribuintes da prefeitura de Curitiba, não importa quem vença as eleições municipais. Se o luxo não é exigido pela Fifa, por que o poder público vai pagar a conta? Aliás, já está pagando, pois adiantou R$ 30 milhões para agilizar as obras do estádio. Refletir com sensatez só ajuda, não prejudica.

Boa explicação

O vice-presidente de futebol do Atlético explicou o motivo da inexistência de vínculo contratual formal entre Ricardo Drubscky e o clube. Disse o cavalheiro João Alfredo Costa Filho. “Conheci um homem e uma mulher que viveram maritalmente por quarenta anos, sem que fossem casados com certidão passada em cartório. Um dia, enfim, resolveram legalizar a união. Em seis meses, o casamento foi desfeito!”.

Moral da história: Drubscky é o técnico do Atlético, sem precisar do anúncio formal do clube.

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