Terça-feira, 09/02/2010
E minha desconfiança de que aquilo não acabaria bem, é claro, se confirmou – em poucos dias, uma “auxiliar pedagógica” levantou a lebre de que a linguagem chula de alguns trechos do livro tinha de ser “banida” da escola, e, após uma sequência rápida e furibunda de críticas lítero-sexuais de pais e professores indignados, em que as pobres Aventuras provisórias sofreram o diabo, determinou-se o recolhimento imediato e espetacular do livro. Entre os danos materiais, está o dano moral do autor ao ver um trecho de seu próprio livro, duas ou três linhas, ser reproduzido nos jornais como se fosse um hai-kai, e não parte de um romance de 142 páginas, em que cada palavra se relaciona com o todo e é voz de um narrador-personagem capaz de dar significado à sua linguagem. Notem: não faço uma apreciação de valor. É simplesmente um dado técnico para o leigo entender como uma narrativa produz sentido.
Colocado no centro dessa fogueira de paspalhos, faço um apelo: por favor, não me adotem. Não sou um escritor de confiança. Ainda há pouco, cancelei minha participação em uma Feira de Livros de Lages, minha terra, por motivos óbvios, e a resposta aliviada põe a coisa nos eixos: “Realmente é uma pena, mas precisamos ponderar uma vez que o governo do estado através da Secretaria de Educação é um dos patrocinadores deste evento”.
Cristovão Tezza é escritor.
Ney repetirá seu feito de 2008?
ATUALIZADOhá 8h
ATUALIZADOhá 14h
Os melhores preços estão aqui, clique e compare!
Powered by: Buscapé