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Deputada Manoela D’Ávila (PC do B) no momento em que um partidário de Bolsonaro a ofende perto da Polícia Federal. | Angieli Maros/Gazeta do Povo
Deputada Manoela D’Ávila (PC do B) no momento em que um partidário de Bolsonaro a ofende perto da Polícia Federal.| Foto: Angieli Maros/Gazeta do Povo

Uma confusão foi registrada no entorno da Polícia Federal (PF), em Curitiba, onde o ex-presidente Lula está preso, na manhã desta segunda-feira (9). Um partidário do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) furou o bloqueio da Polícia Militar (PM), acessou a área onde os movimentos de esquerda fazem vigília e ofendeu a deputada estadual pelo Rio Grande do Sul Manoela D’Ávila (PC do B). Pré-candidata à presidência, Manoela disse que o fato representa uma ameaça à segurança do ex-presidente.

O atrito aconteceu enquanto a deputada terminava uma entrevista aos jornalistas. Um homem furou o cerco da PM, a agarrou por trás para tirar uma selfie e disse “Aqui é Bolsonaro. Chupa”. Na sequência, ele voltou correndo para dentro do bloqueio sem ser impedido pelos policiais.

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Após a ofensa, a deputada cobrou dos PMs que estavam próximos a identificar do rapaz e o porquê de ele ter voltado à área do bloqueio sem ser retido e, ainda, com escolta policial.

Um oficial foi chamado e disse que a Polícia Militar iria tentar identificar o homem, que, antes, tirou uma foto com a equipe policial e pediu acesso à área dos manifestantes para tirar uma foto com a deputada.

Depois de questionarem a PM, Manuela, o senador Lindberg Faria (PT-RJ) e o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) entraram na PF. A ideia era levar a imagem ao superintendente para tentar identificar o provocador, mas o trio foi recebido apenas pelo responsável pela segurança da superintendência. Não chegaram nem a entrar no prédio. Enquanto os parlamentares disseram ter visto o rapaz entrar na sede da polícia, outras testemunhas afirmaram que o homem teria sido escoltado até a Rua João Gbur.

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“O problema não é essa provocação babaca. Eu quero saber como o provocador entrou e saiu da PF. Não transformem isso em atenção a mim. O fato é o agressor. Quem é o agressor? Por que ele entra e sai daqui a hora que ele quer e nós não?”, argumentou à imprensa a deputada. “Ele foi lá, falou com a polícia, se dirigiu a mim e depois voltou escoltado por ela. Eu vou tentar identificar quem ele é. E nós vamos formalizar juridicamente a denúncia”, acrescentou Manoela, levantando a possibilidade de o agressor ser um agente da PF.

Após a confusão, a PM reforçou o policiamento nas proximidades do prédio da PF. Quatro policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) a acompanharam até a entrada da superintendência.

A segurança segue reforçada nesta segunda no entorno do prédio da Polícia Federal, onde o ex-presidente Lula está preso. A PM bloqueia várias ruas e sobrevoa a região de helicóptero. Já o Grupo de Pronta Intervenção (GPI), equipe tática de elite da PF capacitado para manter a ordem em situações emergenciais e de alto risco, segue de prontidão na portaria do prédio. A Guarda Municipal de Curitiba também presta apoio nas rondas.

Risco à segurança do ex-presidente

Para a deputada e outros parlamentares que a acompanhavam, o fato de o homem ter conseguido furar o bloqueio pode representar uma ameaça à segurança do ex-presidente Lula, detido na PF.

“A preocupação que a gente tem também com a segurança do presidente Lula. A gente está preocupado com o que ele está comendo, com o que ele bebe. Então o que a gente quer saber, e quer descartar a possibilidade, de que seja alguém que trabalha aqui dentro [na PF]. Porque se for alguém que trabalha aqui dentro é muito grave. Então é importante reconhecer a pessoa”, comentou o deputado federal Paulo Pimenta.

Ao complementar, Manuela relembrou áudios ofensivos contra o ex-presidente Lula, confirmados pela Força Área Brasileira (FAB). Em um dos áudios, compartilhado nas redes sociais desde este domingo (8), é possível ouvir um homem não identificado dizendo “leva e não traz nunca mais”. Em outro trecho, outro homem que não se identifica diz “manda esse lixo janela abaixo aí”. Lula fez o trajeto até Curitiba em um monomotor. Lá, pegou um helicóptero até a sede da PF.

“A agressão contra mim a gente resolve em outro momento, juridicamente, identificando. Eu quero saber quem ele é para a proteção do presidente Lula que está ali dentro. Ontem sugeriram jogar ele de um avião, como faziam os ditadores argentinos. Hoje um provocador sai lá, defende um fascista e sai escoltado”, questionou.

PM confirma escolta do provocador

Porta-voz da Polícia Militar, o tenente Rafael Bittencourt confirmou que a PM retirou o provocador com escolta de perto dos parlamentares e dos manifestantes. Segundo ele, no entanto, o homem não foi levado para dentro do prédio da PF, e sim para o outro lado do bloqueio.

A corporação afirmou ainda que não constatou crime e, por isso, o rapaz não foi identificado.

“Ele não foi identificado porque a PM não observou, naquele momento, nenhum indício de crime”, afirmou o tenente. A PM confirmou que, antes de agredir verbalmente a pré-candidata, o homem pediu para tirar uma foto com os policiais para “registrar aquele momento histórico”. Depois, pediu para sair do bloqueio e tirar uma foto com a deputada.

Ainda conforme a PM, a escolta foi feita para que ninguém ficasse ferido. “O que a Polícia Militar fez foi agir com isonomia, sem privilegiar nenhum dos lados. Mas como era uma pessoa apenas de uma lado ideológico e toda uma multidão do outro, a equipe pinçou esse rapaz para garantir que ele não fosse machucado”.

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