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Aceleradora ‘leite quente’ sonha com Vale do Silício brasileiro no Sul do país

Com quatro meses de atuação, Hot Milk apoias dezenas de startups e planeja expandir o trabalho para Santa Catarina e interior do Paraná

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Em uma conversa informal com o colega da Universidade do Texas, o reitor da PUCPR quis saber qual o segredo por trás do crescimento das universidades americanas. "Apoie startups" foi a resposta. O bate-papo resultou na criação da Hot Milk, uma aceleradora que aposta em uma forma "sulista" de empreender, com inovação adaptada à economia tradicional da região. "É um futuro Vale do 'Sulício'", brinca José Pugas, gestor da entidade.

Adaptação da clássica expressão curitibana "leite quente", o nome Hot Milk traduz a ideia de empresas que querem impulsionar a economia local e ter alcance internacional. Fundada há apenas quatro meses, a aceleradora conta com 52 empresas pré-aceleradas, incluindo startups avaliadas em mais de R$ 2,5 milhões, e uma fila de mais de 120 interessadas. Com uma filial recém-inaugurada em Palhoça (SC), o plano é expandir o apoio para Florianópolis e outras cidades do interior do Paraná e de Santa Catarina.

"O Sul tem uma forma de pensar específica. Queremos criar empresas que durem mais de 20 anos e transformem a realidade do território ao invés de irem para grandes centros e serem vendidas em poucos meses", diz José Pugas, gestor da Hot Milk, que destaca a necessidade de diálogo com o poder público para um trabalho conjunto pela região.

Na "leiteria", como foi batizada a sede, empreendedor recém-chegado é "bezerro", grupo é "rebanho", aplauso é "mugido" e dinheiro é "MUeda". A ideia é criar um senso de comunidade entre os empreendedores para que compartilhem experiências e se ajudem mutuamente. "Mais do que um espaço para trabalhar, o ambiente proporciona uma troca que é essencial para nosso crescimento. Em poucos meses na Hot Milk, encontrei um sócio e minha empresa avançou mais do que em dois anos que trabalhei sozinho", conta Daniel Antar, criador do Menthor, um editor de texto online que aplica as normas da ABNT em qualquer documento.

Diferentemente de outras aceleradoras, o foco da Hot Milk são os empreendedores e não suas ideias. "Aceleramos os inovadores e consequentemente as startups criadas por eles. O bom inovador vai ter muitas ideias. O medíocre tem apenas uma e não a aproveita em sua excelência", explica Pugas. Por isso, entre os critérios de seleção estão ética, automotivação e colaboratividade. Para as empresas, os pré-requisitos são a relação direta com o território e a capacidade para atravessar décadas e contribuir de maneira significativa para a realidade local.

"Ajudar as pessoas com algo que criamos nos motiva a transformar o que vemos lá fora. Temos a obrigação de ajudar o próximo e, com isso, obtemos um crescimento pessoal cada vez maior", diz Lucas Bonafé, sócio da Care On, outra acelerada pela Hot Milk, que deve lançar no mercado pulseiras que ajudam os pais a garantir a segurança de seus filhos pequenos.

A aceleradora investe nas startups, mas não exige participação, deixando a empresa com maior liquidez para ir ao mercado. Sem custo, na Hot Milk os selecionados dispõem de espaço, infraestrutura, capacitação e mentoria com empresários e consultores com formação em diversas áreas, que aplicam a metologia de "smart fails", contando seus fracassos para maior aproximação com os empreendedores.

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