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COMÉRCIO EXTERIOR

Agravamento da crise reforça protecionismo

Para proteger suas economias, países tendem a erguer barreiras contra importados. Mas essas medidas – como o aumento do IPI no Brasil – dividem especialistas

  • Cristina Rios
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Assim como ocorreu em 2008, o agravamento da crise internacional deve reforçar medidas protecionistas, na tentativa dos países de preservar suas economias dos abalos da turbulência mundial. Mas a recente guinada protecionista do governo Dilma Rousseff ainda divide opiniões de economistas e analistas de mercado.

O polêmico aumento do Im­­posto sobre Produtos Industri­­alizados (IPI) dos carros importados foi criticado na Orga­­nização Mundial do Comércio (OMC), que o encarou como uma forma “primária” de protecionismo. O decreto provocou reação de montadoras chinesas, como a Chery, que foi à Justiça para reverter a medida, e a JAC, que anunciou a suspensão do projeto de construir uma fábrica no Brasil. Para o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega, sócio da consultoria Tendências, a medida tornará a economia mais fechada e menos competitiva.

O grau de abertura do Brasil ainda é relativamente baixo se comparado a outros países desenvolvidos e alguns emergentes. Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), esse indicador – que mede o tamanho das transações comerciais em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) – era de 23% em 2010, abaixo de países como Estados Unidos e Japão (29%), Índia (46%) e Rússia (50%).

Em tempos de crise global, medidas como aumento de impostos de importação, salvaguardas, subsdídios internos de estímulo ao consumo e às exportações e ações antidumping se intensificam. Dados da Orga­­nização Mundial do Comércio (OMC) mostram que o número de ações de antidumping chegou a crescer 50% depois do início da crise de 2008.

Para o professor de Economia João Basílio Pereima, da Uni­­ver­sidade Federal do Paraná (UFPR), a questão não está tanto na adoção de práticas protecionistas, mas na forma como elas estão sendo aplicadas no Brasil. “Há claramente uma intenção da China e dos Estados Unidos de fortalecerem suas economias por meio das exportações. Nesse sentido, medidas de proteção são pragmáticas. A questão é a forma como isso foi feito, priorizando um setor apenas.”

Outros setores que sofrem com a forte entrada de produtos estrangeiros não receberam tratamento igual ao dispensado às montadoras. “A concorrência com chineses existe em vários setores, como brinquedos, eletrônicos, eletrodomésticos. Se a política do governo tivesse um mínimo de coerência, a proteção teria de ser para todos”, afirma Luis Afonso Lima, presidente da Socie­dade Brasileira de Estudos de Em­­presas Transna­cionais e da Globa­lização Econô­mica (So­be­­et).

Do ponto de vista prático, os analistas projetam que, ao encarecer os carros importados e não garantir a manutenção dos preços dos veículos produzidos no Brasil, o aumento do IPI é um componente de deterioração do já complicado cenário de inflação.

Mas, para Carlos Magno Este­ves Vasconcelos, professor de economia e política externa do Uni­Curi­tiba, é preciso evitar a análise precipitada do tema. “O aumento do IPI é, antes de mais nada, um aviso que o governo está dando a quem quer vender aqui, mas não quer produzir aqui. Assim, também é uma forma de preservar os investimentos das empresas locais”, diz.

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