Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

Enkontra.com
PUBLICIDADE

futuro

Coerção do mercado impede queda de juros

Conselheiro de Dilma Rousseff, Luiz Gonzaga Belluzzo acusa empresas de “comportamento ambíguo”

Belluzo: mesmos agentes que exigem desonerações cobram aumento no superávit primário |
Belluzo: mesmos agentes que exigem desonerações cobram aumento no superávit primário
 
0 0 COMENTE! [0]
TOPO

A fragilidade das contas fiscais combinada com a “coerção” imposta pelo mercado financeiro vão manter por um longo período as taxas de juros brasileiras em patamares mais elevados, afirmou o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, um dos conselheiros da presidente Dilma Rousseff sobre economia. Com uma visão ácida sobre os agentes financeiros, mas também crítica sobre a atuação do governo na condução da política econômica, Belluzzo não mede palavras para expressar seus sentimentos sobre os dois lados.

Ele acredita que os atuais problemas fiscais brasileiros devem-se a uma conjunção de fatores: falta de cuidado na política fiscal, letargia do empresariado brasileiro e acomodação do mercado com os altos rendimentos dos ativos. “Se olhar o jogo entre Banco Central e mercado, a expectativa é que nós vamos demorar sim para a Selic voltar para as mínimas históricas”, afirmou. “Neste regime, se você não tem força suficiente, tem que ser cuidadoso com a política fiscal”, emendou.

Diante da fragilização do superávit primário – a economia que o governo faz para pagar juros da dívida – e de uma aceleração da inflação, o BC iniciou um processo de aperto monetário que levou a taxa básica Selic de 7,25% para 9,5% ao ano. A expectativa é que a Selic volte a dois dígitos neste mês, quando o BC deverá elevar o juro em 0,50 ponto porcentual.

Em 2013, as contas públicas registraram crescente deterioração, culminando com o péssimo resultado primário em setembro que praticamente sepultou as chances de o governo cumprir a meta de superávit primário ajustada para o ano de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB). “Esse ano o resultado do fiscal vai ser inferior do que estava prometido. Está muito difícil conseguir os 2,3 por cento mesmo com auxílio do bônus do pré-sal”, disse Belluzzo.

Para ele, parte dos problemas fiscais tem origem nas próprias demandas do setor privado pela desoneração fiscal, que abalou as receitas do governo e não gerou o impulso esperado à atividade econômica. “Isso tudo faz parte do comportamento ambíguo dos agentes que pediram as desonerações e também ficaram cobrando por um primário de 3,1% do PIB. E aí fica difícil”, afirmou Belluzzo.

o que você achou?

deixe sua opinião

PUBLICIDADE

mais lidas de Economia

PUBLICIDADE