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Mercado já largou o governo Temer

  • Guido Orgis
 
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No dia seguinte à divulgação das gravações envolvendo o presidente Michel Temer e seu ex-ainda-assessor Rodrigo Rocha Loures, parecia que os mercados iam derreter com a possibilidade de sua queda. Não mais. As chances de Temer cair são tão grandes, que a moçada das casas de investimento e o empresariado já estão mais interessados em saber quem o Congresso vai colocar no lugar.

O governo Temer está acabando sem drama porque a tese mais forte hoje é que a solução será uma eleição indireta controlada e com a manutenção da equipe econômica. Talvez até com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles como o escolhido para tocar o barco até as eleições do ano que vem – embora não seja o nome mais forte no Congresso hoje.

Assustou mais a saída da presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, na sexta-feira, do que o quebra-quebra na Esplanada dos Ministérios na quarta. Maria Silvia vinha fazendo no banco o que dita a cartilha do bom senso econômico: redução de subsídios, fim da política das campeãs nacionais, abertura de espaço para o capital privado.

A resposta do mercado à nova política do BNDES foi boa. No setor de transmissão de energia, por exemplo, vimos novas empresas entrando no último leilão. Elas tinham dinheiro e não vinham antes porque a combinação de retorno baixo e juro subsidiado não era o que interessava. Elas querem retorno de mercado para colocarem seus recursos, e não o do governo, nos projetos.

É uma mudança de mentalidade que incomoda quem estava acostumado com velhos modos. Não por acaso, a ala política do governo vinha reclamando que Maria Silvia estava segurando os empréstimos do banco. Estavam com saudades do tempo em que o dinheiro era abundante no BNDES como nunca na história deste país.

O governo Temer chega ao fim carregando em suas entranhas esse jeito antigo de se fecharem negócios. Foi assim a narrativa do acordo conduzido pela JBS com intermédio de Rocha Loures. O dinheiro pavimentaria a intervenção em um órgão público criado para garantir a competição no mercado. No fundo, nenhuma empresa gosta de competição e algumas caem na tentação de buscar os atalhos. No Brasil há muitos e eles hoje ainda passam pelo Palácio do Planalto.

O risco da transição é a visão desse grupo político da velha guarda se sobrepor à necessidade de reforma do Estado. Ela vai muito além da aprovação das reformas trabalhista e da Previdência, pauta que pode ser vendida como o sinal de que os tempos mudaram. Não mudaram.

O Congresso que negocia nos bastidores o próximo governo é o mesmo que emperrou reformas encaminhadas ainda no governo Dilma Rousseff e é muito parecido com o que aprovou orçamentos com déficits crescentes e que maquiavam as pedaladas. O mercado sabe disso e não espera muito, portanto. Só que 2018 chegue logo, com algumas reformas antes disso e com a manutenção da estabilidade.

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