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Como a Positivo se preparou para a crise dos PCs e voltou a lucrar em 2016

Empresa paranaense diversificou seu negócio com o aumento da venda de celulares e novas parcerias internacionais, e reverteu um prejuízo de R$ 79,9 milhões

  • Jéssica Sant’Ana
Positivo reverteu um prejuízo de R$ 79,9 milhões em 2015 ao lucrar R$ 8,8 milhões  no ano passado | Positivo/Divulgação
Positivo reverteu um prejuízo de R$ 79,9 milhões em 2015 ao lucrar R$ 8,8 milhões no ano passado Positivo/Divulgação
 
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Para enfrentar a crise do mercado de computadores - que teve em 2016 o pior resultado dos últimos treze anos, com queda de 31,7% nas vendas -, a Positivo Informática diversificou seus negócios e focou em parcerias internacionais. A empresa paranaense apostou na venda de celulares para o mercado interno e celebrou contratos de comercialização de PCs e tablets para Argentina, Chile, Uruguai e Quênia. Com isso, reverteu um prejuízo de R$ 79,9 milhões ao lucrar R$ 8,8 milhões no ano passado e está cada vez menos dependente das vendas de computadores e tablets para os setores governamental e corporativo.

Infográfico: confira os principais números da Positivo

Desde que os smartphones ficaram mais acessíveis à população, a venda de computadores (desktops e notebooks) e tablets no país caiu. O número de computadores comercializados passou de 15,4 milhões em 2011 para 4,5 milhões em 2016, uma queda de 70%. Já os tablets tiveram em 2016 o segundo ano consecutivo de queda. As vendas dos aparelhos caíram 32% ao passar de 5,8 milhões de dispositivos para 4 milhões.

Empresa aposta em parcerias internacionais para dar sobrevida a PCs e tablets

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O cenário é reflexo de dois principais fatores. O primeiro seria a mudança de hábito do consumidor, que trocou o computador e o tablet pela facilidade do smartphone. O segundo motivo seria a recessão econômica brasileira, que derrubou a venda do setor de varejo como um todo.

A Positivo, se antecipando a esses fatores, diversificou seus negócios para diminuir sua dependência dos computadores e tablets. A principal estratégia adotada foi o foco no segmento de celular, principalmente a partir do fim de 2014 e depois com a entrada da Quantum no portfólio da marca.

Os celulares foram responsáveis por 32% das receita líquida da companhia no ano passado. A empresa também aumentou a sua participação de mercado (market share) de 2,3% para 4,8%, com 2,3 milhões de unidades vendidas. A venda de celular é, basicamente, restrita ao varejo.

A marca Quantum é o principal chamariz da companhia para a área de celulares. Somente no quarto trimestre de 2016, os produtos da marca foram responsáveis por 43% da receita de celulares, que foi de R$ 149 milhões no período. A marca foi fundada em 2015 pelos empresários Marcelo Reis, Vinícius Grein e Thiago Miashir e adquirida pela Positivo no mesmo ano.

“Eu acredito que nós executamos muito bem a estratégia de diversificação de PCs para celulares antevendo essa grande queda no mercado de computadores. A diversificação é fator chave para a companhia. A gente está tentando crescer muito em celular e pesquisando outros negócios a serem feitos para compensar esse mercado menor de computador”, afirmou Hélio Rotenberg, presidente do Grupo Positivo, em teleconferência realizada a investidores.

O vice-presidente executivo da Positivo, Carlos Augusto Moreira, em entrevista à Gazeta do Povo, confirmou que o foco da companhia é diversificar as suas fontes de receita e que, pelo ritmo de vendas e tamanho de mercado, os celulares podem ganhar o posto de carro-chefe da companhia em breve. “Em termos numéricos isso pode acontecer, porque o mercado de celulares é três vezes maior do que o de PCs e o nosso market share [de celular] é de apenas 4,8%.”

Empresa aposta em parcerias internacionais para dar sobrevida a PCs e tablets

Apesar de os celulares estarem ganhando cada vez mais destaque na Positivo, a companhia não deixou de lado os computadores e tablets e encontrou no mercado externo um espaço para eles crescerem. A empresa celebrou novos contratos com Argentina, Chile, Uruguai, Ruanda e Quênia. Alguns dos contratos não entraram no balanço de 2016 e devem contar para este ano.

Em setembro de 2016, a Positivo iniciou as vendas de computadores VAIO na América do Sul, antiga marca da Sony que fechou uma parceria de distribuição com a empresa paranaense em 2015. A distribuição é feita a partir de uma joint venture criada com o grupo argentino BGH.

O primeiro país a receber os VAIOs da Positivo foi a Argentina já no ano passado. Neste ano, a novidade chegou ao Chile e há a previsão de começar a atuar no Uruguai ainda no primeiro semestre de 2017.

Outra novidade em 2016 e que ajudou a diversificar os canais de venda da companhia foi o contrato celebrado governo do Quênia, em parceria com uma universidade local, para o fornecimento de computadores e tablets para estudantes. O contrato prevê o fornecimento de 324 mil dispositivos até este ano. As entregas começaram no quarto trimestre do ano passado. O faturamento estimado é de US$ 100 milhões. Na África, a empresa já atuava em Ruanda.

Decodificadores

Neste ano, a Positivo vai contar ainda com o apoio da venda de decodificadores de sinal digital de televisão para aumentar a sua receita. A empresa venceu uma licitação do governo federal, no âmbito do programa Seja Digital, para o fornecimento de decodificadores set-top-box para famílias beneficiárias do programa Bolsa Família.

Todos os componentes dos decodificadores vêm da Ásia e são montados nas fábricas da Positivo em Curitiba e Manaus. Depois, a distribuição é feita para famílias integrantes do Bolsa Família de todo o Brasil. A entrega dos aparelhos acontece até o fim deste ano. O contrato vai render R$ 267 milhões para a Positivo.

Sandra Peres, analista-chefe da Coinvalores, avalia que a estratégia de diversificação de produtos e canais de venda da Positivo é adequada, pois a empresa não está fugindo do seu core business, que é ser uma indústria de tecnologia, ao mesmo tempo em que enfrenta a crise dos computadores e tablets, que ainda respondem pelo maior volume de faturamento da companhia.

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