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Antônio More/ Gazeta do Povo / Tráfego na Baía de Paranaguá não para de bater recordes, de tempo de espera e em número de embarcações Tráfego na Baía de Paranaguá não para de bater recordes, de tempo de espera e em número de embarcações
Porto

Paranaguá acumula fila de 126 navios

Cada navio custa, em média, US$ 40 mil por dia. Apenas nesta sexta, em Paranaguá, o país está pagando US$ 5 milhões para manter os 126 navios fundeados ao largo do porto aguardando a atracação

27/07/2012 | 15:47 |
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A falta de estrutura do Porto de Paranaguá (PR), agravada por chuvas e greves, criou uma fila de 126 navios que aguardam uma vaga no cais para descarregar nesta sexta-feira (27). A previsão é que nas próximas 48 horas, apenas 21 embarcações sejam autorizados a atracar.

Na tarde desta sexta, 18 embarcações estão descarregando ou carregando no porto. "A situação atual de Paranaguá mostra claramente o nosso apagão portuário. As greves dos funcionários da Anvisa e dos auditores da Receita agravam a situação, mas não é isso que está criando essa confusão. Isso é o resultado da política do governo federal para o setor portuário", disse Luiz Antônio Fayet, consultor e especialista em logística portuária.

Cada navio custa, em média, US$ 40 mil por dia. Apenas nesta sexta, em Paranaguá, o país está pagando US$ 5 milhões para manter os 126 navios fundeados ao largo do porto aguardando a atracação.

No Porto de Santos, o maior complexo portuário do país, havia hoje ao meio dia 80 navios na Barra, onde as embarcações ficam paradas aguardando vaga em um dos terminais santistas.

Neste mesmo momento, outros 34 navios estavam ancorados no porto público e outros 10 estavam atracados em terminais privados.

Fayet lembra que essa situação afeta o balanço de pagamento do país. Os custos com a estadia de navios são de milhões por dia. Só entre Paranaguá e Santos, hoje, o país vai pagar US$ 8,3 milhões com custos de estadias.

De acordo com o consultor, esse agravamento da situação portuária ocorre pela falta de novos terminais nos portos brasileiros, processo que foi dificultado, diz, a partir de decisões tomadas pelo governo.

Preocupação

O governo federal está preocupado com a situação desses portos. Agora pela manhã, o ministro da Secretaria Especial de Portos, Leônidas Cristino, monitorava a situação.

Segundo a assessoria do ministério, pelo menos três relatórios foram produzidos nesta manhã sobre a situação.
A avaliação é a de que a greve da Anvisa não estava afetando mais o fluxo de carregamento e descarregamento nos postos.

A agência liberou navios de Paranaguá e de Santos a operarem por meio da chamada "livre prática". Isso tem sido possível pelo sistema de porto sem papel implantado em 15 complexos portuários pelo país. A livre prática é uma autorização antecipada para atracação.

O governo afirma que as filas foram geradas por causa das chuvas, no Paraná, e também pelo acúmulo de navios que chegaram à região nos últimos dias. A alta do dólar, ainda segundo a Secretaria, teria retardado o fechamento dos contratos para compra de fertilizantes. O mesmo efeito também teria afetado os contratos de exportação.

A SEP informa que os investimentos nos portos estão sendo feitos, conforme relatório divulgado no balanço do PAC, divulgado na última quinta. Os portos estão recebendo R$ 6 bilhões em investimentos.

Ainda segundo a Secretaria, esses investimentos encerraram um período de 20 anos sem a atualização da infraestrutura portuária.

A Secretaria não quis falar sobre as mudanças que o governo prepara no marco regulatório. O tema que, segundo fontes, tem atravancado o desenvolvimento de novos terminais portuários no país ainda não tem prazo para ser definido.

Em 2011, os portos brasileiros movimentaram 886 milhões de toneladas de carga, crescimento de 6,4% sobre o ano anterior. A previsão é que neste ano o país eleve ainda mais o volume de carga que passa pelos portos brasileiros.
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) estima que até 2017, o Brasil movimentará mais de 1,5 bilhão de toneladas.

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