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Reservas mantêm trajetória de queda na Argentina

Influenciada pela saída de divisas e pelo retrocesso da cotação do ouro, as reservas argentinas recuaram a US$ 37,8 bilhões

27/06/2013 | 19:22 |
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O câmbio oficial na Argentina manteve tendência de desvalorização gradual em torno de 0,19% e fechou a 5,33 pesos para a compra e 5,385 para venda nesta quinta-feira, 27. O paralelo, por sua vez, se mantém "congelado" em 8 pesos (venda) e 8,05 (compra), com poucos negócios entre os pequenos doleiros. Os grandes mantiveram as operações paralisadas, a pedido do governo. A estratégia oficial é "segurar" as transações do paralelo até a entrada em circulação do Certificado de Depósito para Investimento (Cedin), na próxima segunda-feira, 01. Enquanto o governo tenta controlar o mercado paralelo, as reservas mantiveram trajetória de queda e atingiram o menor valor desde 20 de abril de 2007.

Influenciada pela saída de divisas e pelo retrocesso da cotação do ouro, que tem um peso em torno de 7% em sua composição, as reservas argentinas recuaram a US$ 37,8 bilhões, segundo os últimos dados do Banco Central, relativos à terça-feira, 25, e divulgados ontem, 26. Hoje, o BC comprou US$ 40 milhões no mercado, mas o volume não compensaria a nova queda do ouro, verificada durante o dia. No último levantamento da autoridade monetária, esta variável havia provocado uma perda de US$ 150 milhões no volume total das reservas.

As projeções indicam que, ao final de 2013, as reservas chegariam a US$ 35 bilhões, mesmo nível verificado em 2 de março de 2007. Desde outubro de 2011, quando o governo iniciou uma série de medidas de controles do câmbio, as reservas retrocederam mais de US$ 9 bilhões. No mesmo período, o Brasil aumentou suas reservas em 19%, o Uruguai, 74%; Peru, 47%; e o Chile, 27%, segundo recente comparação feita pela consultoria Economia & Regiones.

O mercado estima que, a exemplo do que ocorreu naquele ano, após a reeleição de Cristina Kirchner, a moeda vai disparar depois das eleições parlamentares de outubro próximo

Cedin

A grande expectativa do governo é o Cedin, instrumento principal da estratégia oficial para preservar as reservas necessárias para pagar os serviços da dívida e garantir uma parte da base monetária. O Cedin é um dos dois instrumentos desenhados pela equipe econômica para tentar atrair dólares fora do mercado formal, por meio de uma anistia fiscal que vai durar 90 dias. O próprio governo estima a existência de cerca de US$ 40 bilhões guardados em caixas fortes dos bancos ou "debaixo do colchão" e outros US$ 160 bilhões depositados em contas no exterior. A expectativa oficial é de que o Cedin seja o novo árbitro do mercado de câmbio, o qual vai fixar um teto para a cotação paralela da moeda, impedindo que ultrapasse os 10 pesos por unidade. Em maio, o paralelo chegou a tocar a casa dos 10,45 pesos.

O congelamento "temporário" começou no dia 6 de junho, após reunião do secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, com os principais formadores do mercado paralelo na city portenha. Nesse período, as operações foram realizadas apenas em alguns dias e com o valor na faixa de 7,90 a 8 pesos. Moreno pediu uma banda entre 6,50 a 7 pesos para o câmbio paralelo.

Porém, entre os doleiros informais, há dúvidas de que esse valor possa ser atingido. "Pode até ser, mas a tendência é de que fique na faixa dos 8 pesos até outubro, pelo menos", opinou um operador.

Ele explicou que "houve novas negociações, nos últimos dias, entre Moreno e as seis casas de câmbio mais importantes para soltar dólares, na próxima semana", suficientes para abastecer o mercado e evitar que o preço dispare justamente nos dias de estreia do Cedin.

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