Terça-feira, 09/02/2010
Variedade geneticamente modificada com patente nacional é resultado de uma parceria público-privada
09/08/2007 | 00:30 | José Rocher - Gazeta do PovoA maior parte dos experimentos que resultaram na soja transgênica anunciada esta semana pela Basf e pela Embrapa foi desenvolvida no Paraná. A primeira semente geneticamente modificada com tecnologia brasileira tem raiz no estado em que mais surgem restrições à produção de grãos transgênicos. Os produtores paranaenses não podem usar o glifosato pós-emergente para cultivar soja Roundup Ready e a seção estadual da Justiça Federal suspendeu, há um mês, o processo de liberação comercial do milho Liberty Link, com efeito para todo o Brasil. Os pesquisadores da nova soja acreditam, no entanto, que a participação brasileira vai favorecer a liberação comercial da semente.
Albari Rosa - Gazeta do Povo
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Laboratório da Embrapa Soja, em Londrina, no Norte do estado: unidade de pesquisa serviu de base para o desenvolvimento da nova tecnologia
Cadastro no estado é desafio
A Basf terá de enfrentar, no Paraná, o mesmo trâmite que barrou o glifosato Roundup Ready da Monsanto, ameaçando o cultivo de soja transgênica na próxima safra. Para a comercialização da semente geneticamente modificada em parceria com a Embrapa, a multinacional alemã deve lançar no mercado produtos com a mesma função do glifosato, ou seja, o controle de ervas daninhas em lavouras já desenvolvidas. Esses herbicidas pós-emergentes terão de ser cadastrados nas secretarias estaduais da Agricultura, do Meio Ambiente e da Saúde, onde o Roundup Ready ainda não é aceito.
A Monsanto tenta reverter no Tribunal de Justiça decisão que permite à autoridade ambiental exigir informações extras antes de cadastrar o Roundup Ready. Para a multinacional norte-americana, o estado trava o sistema de cadastro para inibir a produção de transgênicos. O governo paranaense alega que a Monsanto deve informações essenciais à proteção do ambiente.
A Basf está se preparando tanto para o cadastro estadual de herbicidas quanto para a liberação nacional da semente transgência, afirma o gerente de Biotecnologia da empresa, Luiz Louzano. Os mesmos testes realizados neste ano devem atender aos dois processos.
José Rocher - Gazeta do Povo
Segundo Toledo, todos os testes realizados até agora mostram que a nova soja, que deve ser chamada de Cultivance, é tão segura quanto a Conquista. "Estamos colhendo parte das sementes que vão para os testes finais. Os resultados serão, logo em seguida, encaminhados à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio)."
A Basf prevê que os testes ambientais e de saúde sejam concluídos ainda neste ano. O pedido de liberação comercial deve ser protocolado junto à CTNBio em 2008. A estimativa dos pesquisadores é de que este trâmite leve dois anos. Nesse período, eles pretendem desenvolver pelo menos cinco tipos de sementes da nova soja apropriadas a diferentes regiões, do Sul ao Nordeste do país.
Os testes seguem em quatro frentes, afirma o diretor de Biotecnologia da Basf, Luiz Carlos Louzano. Numa delas os pesquisadores investigam se a proteína produzida pelo gene ahas (proteína ahas) pode ser consumida com segurança. Em outra avaliam a equivalência nutricional entre a soja transgênica e a variedade Conquista. O terceiro ponto abrange a caracterização agronômica (germinação, vigor, crescimento, relação com insetos e fungos). Antes da liberação comercial é necessária ainda a caracterização molecular, que retrata a identidade genética do grão.
"Estamos prevendo que a liberação comercial vai levar dois anos, um prazo bastante razoável", afirma Louzano. Hoje a CTNBio avalia dez pedidos para produção em escala: seis de milho, três de algodão e um de arroz. Para cada um desses pedidos de liberação comercial, há outros quatro de licenças para realização ou ampliação de pesquisas com grãos geneticamente modificados. A primeira soja transgênica brasileira é também o primeiro grão geneticamente modificada da Basf. A empresa pretende registrar o produto para distribuição em 20 países.
No desenvolvimento da nova soja serão investidos R$ 13,5 milhões, dos quais R$ 10 milhões já foram aplicados.
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