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Terça-feira, 09/02/2010

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Curitiba com preço de São Paulo

Curitibano viu disparar o valor dos imóveis. Em alguns casos eles custam tanto quanto na capital paulista

Publicado em 20/09/2009 | Cristina Rios

Quem quis comprar um imóvel novo nos últimos meses já percebeu uma mudança no patamar de preços em Curitiba. Os valores de apartamentos na capital paranaense, em alguns casos, já encostam nos de São Paulo. O valor do metro quadrado privativo varia entre R$ 1,8 mil e R$ 3,5 mil, mas pode chegar a R$ 4,5 mil em alguns bairros, como Batel e Ecoville. Trata-se da mesma faixa praticada em bairros de classe média alta da capital paulista, como Vila Mariana e Morumbi.

A combinação entre demanda aquecida, aumento de custos, recomposição das margens de lucro das construtoras e disparada dos preços dos terrenos inflacionou a tabela de preços dos imóveis residenciais novos em até 30% nos últimos 12 meses.

Daniel Castellano/ Gazeta do Povo

Daniel Castellano/ Gazeta do Povo / Edifício Contemporâneo, construído pela Thá no Batel: R$ 4,5 mil o metro quadrado Ampliar imagem

Edifício Contemporâneo, construído pela Thá no Batel: R$ 4,5 mil o metro quadrado

Crédito farto segura as vendas

A alta dos preços está surpreendendo quem procura apartamento para comprar em Curitiba.

Leia a matéria completa

Comparação

Indústria diz que recupera defasagem

Apesar de alguns imóveis daqui já serem tão caros quanto os de São Paulo, na média os preços são menores dos que na capital paulista. Marcos Kahtalian, da Brain Consultoria, estima que na média Curitiba ainda é 22% mais barata. Mas essa diferença, no passado, foi bem maior. Os preços daqui chegavam a representar um terço dos de São Paulo. O metro quadrado mais caro do país é o Rio de Janeiro. Na orla, o preço chega a R$ 22 mil. Em São Paulo, ele atinge picos de R$ 8 mil e em Florianópolis R$ 6 mil.

Para Selig, da Ademi, de fato alguns imóveis já têm preços semelhantes aos de São Paulo, mas eles ainda não são uma regra geral. “Curitiba hoje se equipara a Belo Horizonte em termos de preços”, acrescenta.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-PR), Hamilton Franck, argumenta que alta dos preços é, na realidade, uma recuperação em relação aos patamares de 2002. De acordo com ele, Curitiba foi uma das cidades que mais sentiram a quebra da Encol, no fim dos anos 90. O episódio deixou mais conservadores os compradores, que praticamente abandonaram a prática de adquirir apartamentos na planta por medo de que as empresas não honrassem a entrega. A procura diminuiu e os preços não acompanharam os das demais capitais.

O fraco desempenho

gerou, por sua vez, uma postura também mais conservadora dos agentes financeiros. Muitos bancos não liberavam crédito quando o projeto era para Curitiba, revela um empresário do ramo. A virada veio com a adoção de mecanismos que elevaram a segurança das operações tanto para empresas quanto compradores. Em paralelo, a redução da taxa de juros reduziu o risco de inadimplência e o aumento da renda e do crédito impulsionou as vendas. Agora, o momento favorável está fazendo com que as empresas do setor possam recompor suas margens. (CR)

Em média, os apartamentos com um dormitório tiveram reajuste real – já descontada a inflação – de 25% no último ano. Os lançamentos de dois dormitórios subiram 14,12%, os de três 9,28% e os de quatro 7%, de acordo com dados da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi). Segundo o presidente da entidade, Gustavo Selig, os imóveis de Curitiba devem fechar o ano com uma valorização real da ordem de 17%. Entre 2007 e 2008, eles já haviam subido em torno de 25%.

O mercado de Curitiba vem sendo pressionado pelo descompasso entre a oferta e a procura, segundo Gilmar Mendes Lourenço, coordenador do curso de Ciências Econômicas da FAE Centro Universitário. De acordo com a Ademi, a oferta de imóveis hoje no mercado, de 7 mil unidades por ano, é praticamente metade da procura, que atinge 14 mil unidades.

João Paulo Galvão, diretor executivo da incorporadora Lopes para a Região Sul, conta que a cidade vem de um histórico de lançamentos muito baixo. Em 2004, foram lançadas 1,2 mil unidades. Em 2008, o volume subiu para 6,7 mil, mas ainda assim inferior ao de cidades do mesmo porte, como Porto Alegre, cuja média é de 10 mil unidades/ano. “Isso deve garantir uma valorização real (já descontada a inflação) de cerca de 15% ao ano daqui para frente”, afirma.

Terrenos

Parte da alta de preços também foi provocada pela chegada de construtoras e incorporadoras de fora, que inflacionaram o mercado de terrenos. De acordo com Nelson Queiroz, diretor comercial do grupo Thá, os preços dos terrenos duplicaram nos últimos três anos, e os custos com mão de obra e insumos também aumentaram. Ao mesmo tempo, o crédito, os prazos mais longos de financiamento e a queda na taxa de juros estimularam a demanda. A Thá acaba de vender, antes mesmo de fazer o lançamento oficial, 100% de um empreendimento de 42 apartamentos no Água Verde, com preço médio de R$ 600 mil (R$ 2,2 mil por metro quadrado útil). Antes desse, a empresa lançou um outro empreendimento no Batel, com preço de R$ 4,5 mil o metro quadrado privativo.

Com a demanda em alta, já faltam no mercado alguns imóveis para pronta entrega, como os na faixa de preços entre R$ 100 mil e R$ 180 mil, segundo Mariano Dynkowski, diretor do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-PR). A valorização, de acordo com ele, se dá em bairros com pouca oferta de terrenos, como Água Verde, Batel, Bigorrilho e Cabral. Em alguns desses locais, onde o metro quadrado de área privada não superava R$ 1,6 mil há três anos, os preços batem a casa dos R$ 3 mil. “Quem comprou apartamento na planta viu o valor do imóvel pronto dobrar em dois anos, quando pegou as chaves”, afirma.

“Havia o mito de que Curitiba tinha valores de venda menores que as demais capitais, que não era um mercado maduro e que não se vendia imóvel na planta. Mas nos últimos dois anos o que se viu foi que a construção na cidade ganhou vigor, acelerou seu crescimento e não foi tão afetada pela crise como São Paulo”, afirma Vitor Wjuniski, diretor de incorporação da paulistana Stuhlberger.

A companhia lançou recentemente um empreendimento em parceria com a construtora curitibana Monarca na avenida Silva Jardim, no Rebouças, cujo metro quadrado privado foi negociado entre R$ 4,1 mil e R$ 4,2 mil. Em 90 dias, 85% das unidades foram vendidas. Nas próximas se­­manas a Stuhlberger lança em São Paulo, na Vila Ma­­riana, um em­­preen­dimento com pre­­ços entre R$ 4,3 mil e R$ 4,7 mil.

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