Quinta-feira, 02/09/2010
Categorias que exigem regime de trabalho diferenciado fazem “operação tartaruga” no Porto de Paranaguá. Grupo teria inclusive sabotado equipamento para carregamento de navios
Publicado em 03/04/2008 | Carlos OharaOs transtornos começaram logo pela manhã, após trabalhadores portuários avulsos (como são chamados os operadores que não são vinculados à administração do porto), de diversas categorias, decidirem realizar uma “operação tartaruga”. A movimentação era uma forma de pressionar o Sindicato dos Operadores Portuários (Sindop) e o Órgão Gestor de Mão-de-Obra (Ogmo) a aceitarem que os trabalhadores possam trabalhar sem a necessidade de respeitar o período de rodízio de 18 horas. Na segunda-feira, o Ogmo determinou que os portuários avulsos desenvolvessem suas atividades diárias respeitando a carga horária de 6 horas, como determina a legislação trabalhista, e só retornassem à atividade após um descanso de 18 horas.
Valterci Santos/Gazeta do Povo
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Ela voltou: fila de caminhões à beira da BR-277 chegou a 20 quilômetros na tarde de ontem. Juntos, eles armazenam quase 13 mil toneladas de soja.
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Veja na reportagem do Paraná TV a fila de caminhões na BR-277
Em 2006, em acordo intermediado pelo Ministério Público, operadores e trabalhadores decidiram que a jornada de trabalho no porto seria desenvolvida durante o período de 6 horas, com intervalo mínimo de 11 horas, para que o trabalhador avulso voltasse a trabalhar. Com base no acordo, 850 trabalhadores impetraram ações trabalhistas, solicitando indenizações pelo trabalho realizado além do prazo estipulado pela lei e ratificado pelo acordo. As ações, que solicitam valores retroativos a cinco anos, tramitam na Justiça. No ano passado, o Sindop tentou selar um acordo com os trabalhadores com a garantia de retirada das queixas trabalhistas e não conseguiu. “Agora, estamos respeitando o que determina a legislação para não correr o risco de ampliar o passivo de débitos trabalhistas”, disse um dirigente do Sindop.
Os portuários avulsos que atuam no porto, estimados em 5 mil , pretendem, no entanto, trabalhar mesmo após cumprir a jornada de 6 horas diárias. “A logística do porto exige isso e nosso trabalho é sazonal, ocorrendo apenas nesta época de escoamento da safra”, disse o presidente do Sindicato dos Estivadores (Sindestiva), Arivaldo Barbosa. Segundo ele, as ações trabalhistas foram impetradas individualmente, sem interferência dos sindicatos, e a legislação permitiria que a carga horária de trabalho fosse ultrapassada. Barbosa diz que a operação tartaruga vai continuar.
Sabotagem
Com a deflagração do movimento, sindicalistas entraram na área de movimentação portuária para mobilizar membros da categoria. Por volta das 9h40, um operador de ship loader disse que um grupo teria invadido o silo vertical, onde está localizado o painel de controle das torres de carregamento, e desligado a chave geral, o que paralisou o embarque de dois navios.
A Guarda Portuária deteve 9 pessoas ligadas ao Sindestiva, e as manteve isoladas no porto até as 17 h, quando foram levados para a 1ª Subdivisão Policial de Paranaguá em duas viaturas. O delegado José Antônio Zuba de Oliva indiciou os portuários pelos crimes de dano ao
“Ninguém entrou no local. Se alguém esteve lá, eles têm a imagem para comprovar. São 72 câmeras espalhadas pelo porto e é impossível acreditar que uma área como aquela não seja monitorada”, disse Nesias Paulino, secretário do Sindestiva, um dos indiciados pela polícia. O advogado dos sindicalistas, Eliezer Pinto, contestou o fato de a apuração ser encaminhada à polícia civil e aconselhou seus clientes a só depor em juízo. Para ele, por se tratar de área e equipamentos da União, o caso deveria ser investigado pela Polícia Federal.
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