Terça-feira, 09/02/2010
Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo
Fábio Zago, gerente da concessionária Sevec: seguro “barato” atrai consumidor
Em baixa nos Estados Unidos, venda de utilitários esportivos cresceu 57% e – passando por cima da preocupação com preço de combustível e poluição – eles já respondem por um em cada 20 automóveis vendidos no país
Publicado em 17/08/2008 | Fernando JasperOs utilitários esportivos sempre reuniram essas características, mas, nos últimos tempos, o principal obstáculo à sua expansão no Brasil – o preço – deixou de ser incontornável. A desvalorização do dólar, as facilidades de crédito e o aumento da concorrência no segmento tornaram esses modelos mais acessíveis, e ficou cada vez mais comum vê-los pelas ruas.
É um fenômeno que vai na contramão do que ocorre na pátria-mãe dos jipões, os Estados Unidos. Com a economia em crise e o preço da gasolina nas alturas, os norte-americanos estão tendo que deixar seus “beberrões” na garagem. No Brasil, em franco crescimento econômico e com os preços da gasolina controlados pelo governo, a situação é oposta. Por aqui, as vendas desse tipo de veículo – conhecido como “SUV” no jargão da indústria automotiva – têm crescido em uma velocidade que supera até a do vigoroso mercado automobilístico nacional.
Segurança e altura atraem consumidor
Além da queda dos preços, as revendedoras de automóveis atribuem a forte alta das vendas de utilitários esportivos a uma mudança na preferência dos consumidores.
“Durante muito tempo, a moda foram as minivans, como Scénic, Zafira e Picasso. Essa fase passou”, diz José Martins Filho, gerente comercial da Ponto K, concessionária da Kia.
“Muita gente que estava em uma minivan passou ao lado de um SUV e viu que não estava tão por cima quanto pensava. É impressionante o número de pessoas que deixa sua minivan para levar um utilitário esportivo.”
Uma avaliação quase unânime entre revendedores e especialistas é que, em função da similaridade dos preços, a mudança de comportamento do consumidor está fazendo com que os jipes urbanos também tomem parte do espaço que era dos sedãs médios e de luxo.
O fator psicológico de estar “acima” dos demais veículos, e a conseqüente sensação de mais segurança no trânsito, também influencia. Por sinal, a segurança é fundamental para explicar por que tantas mulheres preferem os utilitários esportivos.
Um administrador de empresas curitibano, que pediu para não ser identificado, confirma a tese. Ele usa um New Civic, da Honda, mas a esposa prefere o jipão. “É confortável, macio para dirigir, imponente. E a segurança é fundamental para ela, que transporta as crianças pelo menos duas horas por dia.”
Fábio Zago, gerente da concessionária Sevec, da Hyundai, diz que, desde o ano passado, as vendas de SUVs saltaram de 30 para até 80 por mês. “Além de todas as outras vantagens, existe a questão do seguro. Por ser um carro menos visado por ladrões, o seguro sai relativamente barato. Hoje uma Tucson com câmbio mecânico sai por R$ 79,9 mil e o seu seguro fica entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil.” (FJ)
No ano passado, foram vendidos 108 mil utilitários esportivos no país, 41% a mais que em 2006, enquanto o mercado total cresceu 28%, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Nos sete primeiros meses de 2008, o avanço dos SUVs foi ainda mais forte: de 57%, com vendas que já chegaram à casa das 80 mil unidades, frente ao crescimento médio de 30% da soma de todos os segmentos.
Em um mercado que já passou da marca de 1,6 milhão de automóveis neste ano, a participação dos SUVs ainda é tímida, mas vem crescendo. No mês passado, um em cada 20 automóveis vendidos no país era utilitário esportivo, e alguns modelos já têm fila de espera. Em Curitiba, quem quiser comprar um Honda CRV 4x4, por exemplo, precisa aguardar dois meses. De todo modo, variedade de opções é o que não falta: entre os 150 modelos de veículos disponíveis nas concessionárias brasileiras, 42 são utilitários esportivos.
Como a margem de lucro na venda desses modelos pode chegar a 25%, cinco vezes acima da média de carros mais populares, o segmento virou uma generosa porta de entrada para marcas desconhecidas até pouco tempo atrás, como a coreana Ssangyong. A rentabilidade maior compensa o fato de não poderem competir com os fabricantes dos chamados “carros de entrada”, que ganham na quantidade. Mais experientes no Brasil, as também coreanas Hyundai e Kia só engrenaram quando passaram a se concentrar nesse segmento, destinando verbas generosas à publicidade. Hoje, essas duas marcas têm quatro jipões entre os dez mais vendidos no país.
É claro que o aquecimento da economia e a expansão dos prazos de pagamento ajuda, mas, no caso dos SUVs, o que pesou mais foi a redução dos preços, que tornou mais próximo um sonho de consumidores que já tinham certo poder aquisitivo. “Muita gente que comprava um sedã médio de R$ 60 mil migrou para utilitários esportivos importados. Alguns podem ser encontrados por pouco menos de R$ 80 mil”, conta o diretor da Fenabrave no Paraná, Luiz Antônio Sebben.
O gerente comercial da concessionária Niponsul, Edenílson Reinhardt, explica que não foi só a queda do dólar que barateou os veículos. “Até o ano passado, o Honda CRV 4x4 era importado do Japão. Hoje ele vem do México, que tem acordo de redução de tarifas com o Brasil. Com isso, o preço caiu de uns R$ 130 mil para cerca de R$ 119 mil.” Nesse cenário, a opção mais barata do mercado nacional, o Ford Ecosport, ainda lidera o ranking de vendas com folga, mas, com o acirramento da concorrência, a fatia do modelo tem encolhido rapidamente. Sua participação nas vendas do segmento, que era de 57% há dois anos, está em 33%.
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