Terça-feira, 09/02/2010
O número de provas que acontecem no país, de trechos de cinco quilômetros a maratonas de 42 mil metros, dão uma boa noção de como o mercado cresceu e, principalmente, evoluiu. Só em São Paulo, são realizadas três provas regulamentadas, em média, por fim de semana, segundo estimativa da Latin Sports Marketing Esportivo, uma das maiores organizadoras deste tipo de evento no país. Em Curitiba, são pelo menos duas por mês.
O mercado ficou tão concorrido, diz a diretora de marketing da Latin Sports, Fernanda Curti, que já não basta mais organizar o percurso e oferecer água aos corredores. “Estamos tendo que criar diferenciais.” É por isso, por exemplo, que as provas do circuito da marca de roupas e acessórios esportivos Track&Field, organizada pela Latin, acontece sempre em parceria com um grande shopping center. “Assim, podemos oferecer estacionamento gratuito, espaço para deixar as crianças e banheiros para os corredores, por exemplo”, explica.
A Track&Field Run tem hoje 13 etapas anuais, em várias cidades brasileiras. Em 2004, quando começou, eram apenas três, em São Paulo. A etapa curitibana aconteceu em 14 de junho e reuniu 1,5 mil corredores. O custo para organizar o evento, diz Fernanda, foi de cerca de R$ 300 mil. Mas não faltam interessados em apoiar. “Recebemos muitos contatos de empresas querendo ligar seu nome às provas. A corrida é um esporte bastante democrático. Por isso, é um ótimo momento para falar com clientes e possíveis clientes.”
600 quilômetros
Outra amostra de como as provas estão crescendo não apenas em número, mas também em sofisticação, é a Corrida SP - RJ / Desafio dos 600K, que será promovida pela Nike em outubro. Durante quatro dias, vinte equipes de corredores amadores de todo país vão percorrer 600 quilômetros entre as capitais dos dois estados – segundo a empresa, será a maior corrida de revezamento das Américas. Durante a noite, eles serão acomodados nas “Nike Villages”, montadas especialmente para o evento.
A Nike também promove em São Paulo, desde 2006, a Human Race (de 10 quilômetros). O investimento é mantido em segredo. Mas o gerente de running da Nike, Christiano Coelho, revela que o Brasil é um dos mercados prioritários da Nike no segmento de produtos para corrida – ao lado de Estados Unidos, China, Inglaterra, Japão e Alemanha. “A Nike global já entendeu o fenômeno da corrida no Brasil e, por isso, o país é prioridade.”
Orçamento
O bancário Eldimir Müller Filho é parte desse fenômeno. Ele treina há quase oito anos, e corre cerca de 100 quilômetros por semana. “Eu priorizo as provas longas. Como a maioria delas acontece fora de Curitiba, gasto em média R$ 500 para participar, já considerando a gasolina e a inscrição”, diz. “Posso dizer que hoje não consigo mais largar desse esporte. Correr pra mim representa muito.”
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