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Sábado, 31/07/2010

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Rodolfo Bührer/ Gazeta do Povo / Monteiro da Silva, da Aymará, que deve faturar R$ 50 milhões em 2009: edição de livros puxa expansão do estado Monteiro da Silva, da Aymará, que deve faturar R$ 50 milhões em 2009: edição de livros puxa expansão do estado
Produção

Indústria do PR tem o maior crescimento do país

Em julho, a alta registrada pelo setor no estado foi de 15,3% – sete vezes mais que o resultado brasileiro. Mas concentração dos números positivos traz dúvidas quanto à superação da crise

Publicado em 04/09/2009 | Cinthia Scheffer

A produção industrial paranaense cresceu 15,3% em julho, na comparação com junho. O estado teve o maior acréscimo entre as 14 regiões pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e cresceu bem acima da média nacional no período, que foi de 2,2%. Na comparação com julho do ano passado, no entanto, a produção paranaense registra queda de 5,3% – e o índice só não foi menor por causa do desempenho do segmento de edição e impressão (cujo aumento foi de 117,6%) e de outros produtos químicos (33,3%).

Dez das 14 atividades pesquisadas tiveram resultado negativo na comparação com o mesmo mês do ano passado. O pior desempenho foi da indústria de veículos automotores, com queda de 41%. Também houve forte recuo no segmento de madeira (27,6%) e na indústria de alimentos (15%). “Para a maioria dos segmentos, o resultado ainda foi bastante negativo. Por isso, não podemos olhar o dado de julho isolado e imaginar que a indústria do Paraná voltou a crescer vigorosamente ou que está melhor que a dos demais estados”, alerta o consultor Christian Majczak, da Go4! Consultoria de Negócios. “Além disso, a base de comparação (junho) é bastante fraca.”

Outras regiões

SP cresce 1,4% e “segura” média nacional

Agência Estado

Rio de Janeiro - A produção industrial de São Paulo, que concentra mais de 40% de tudo o que é produzido no país, subiu 1,4% em julho em relação a junho, na série ajustada sazonalmente, divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já em relação a julho de 2008 houve um recuo de 11,9%, com queda na produção em 16 das 20 atividades pesquisadas. Os principais destaques de queda foram registrados em máquinas e equipamentos (-29,5%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (-55,0%) e veículos automotores (-16,2%).

Outros equipamentos de transporte (16,3%), perfumaria, sabões e produtos de limpeza (10,4%) e farmacêutica (3,6%) foram os impactos positivos mais significativos na indústria do estado vizinho no período. Até julho, a indústria de São Paulo registra quedas de 14% em 2009 e de 8,3% nos últimos 12 meses.

Alem do bom desempenho do Paraná, com alta de 15,3%, a produção industrial também cresceu em 10 das 14 regiões pesquisadas em julho. Espírito Santo (8,9%), Goiás (6%) e Amazonas (3,6%) completam a lista das regiões que cresceram acima da média brasileira (de 2,2%).

Ainda com resultados positivos em julho ante junho estão Rio de Janeiro e Minas Gerais (ambos com 1,8%), São Paulo (1,4%), Rio Grande do Sul (1,1%), Ceará (0,9%) e Santa Catarina (0,8%). As quedas apuradas nessa base de comparação ocorreram na Bahia (-6,0%), Região Nordeste (-3,5%), Pernambuco (-1,5%) e Pará (-1,0%).

Em relação a julho do ano passado, os resultados foram predominantemente negativos. Das 14 regiões investigadas, 13 apontaram queda na produção em julho de 2009 comparativamente a julho de 2008, com resultado positivo apenas em Goiás (4,4%). As principais taxas negativas foram registradas no Espírito Santo (-20,0%), Minas Gerais (-16,1%) e São Paulo (-11,9%). As demais regiões apontaram recuos inferiores à média nacional (-9,9% nessa comparação): Rio de Janeiro (-4,1%), Paraná (-5,3%), Pernambuco (-6,2%), Ceará (-6,4%), Pará (-6,6%), Santa Catarina (-7,3%), Rio Grande do Sul (-7,6%), região Nordeste (-8,2%), Amazonas (-8,6%) e Bahia (-9,6%).

O economista Christian Luiz da Silva, professor da UTFPR, concorda que ainda não é possível dizer que o estado está entrando em uma fase de crescimento sustentável, apesar do dado positivo de julho. Na opinião do economista, a dependência de setores bastante específicos da indústria faz com que o Paraná sofra com oscilações constantes. “Setores estratégicos, e que vinham ditando o ritmo de crescimento da economia do estado, como a indústria automotiva e de alimentos, ainda estão com valores negativos.”

Na avaliação do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), no entanto, os resultados de julho deixam claro que o setor industrial, em termos gerais, “ganhou dinamismo e começa a recuperar o ritmo de produção que foi perdido no fim do ano passado com o agravamento da crise internacional”. Para o instituto, o resultado positivo entre as várias regiões – 10 das 14 áreas pesquisadas tiveram crescimento – favorece as expectativas de que a indústria brasileira possa entrar em uma “trajetória de crescimento mais consistente ainda neste segundo semestre”, refletindo as melhores condições do mercado interno e, em alguma medida, do mercado externo”.

O dado positivo, diz o consultor da Go4!, é que o ritmo de queda vem diminuindo. Ainda assim, ele acredita que é pouco provável que o setor feche o ano com dados positivos. Entre janeiro e julho deste ano, o Paraná acumula queda de 5,8% na produção industrial e a indústria brasileira como um todo, recuo de 12,8% – todos os estados apresentaram índices negativos. A avaliação do Iedi também é que a indústria fechará este ano com uma “forte queda” no seu nível de produção, em comparação com o de 2008.

Os números positivos do Paraná em julho devem-se fundamentalmente ao desempenho da indústria gráfica – que tem segurado os números ao longo dos últimos meses. O estado vem se consolidando como um polo de editoras, e os resultados são sempre bastante influenciados pelos contratos de venda de livros didáticos para escolas públicas – o que traz a previsão de novos picos para os próximos meses, quando começam a ser produzidos boa parte dos materiais didáticos para 2010. Só a Editora Positivo vai entregar ao Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), do governo federal, 8 milhões de livros, cuja impressão começa neste mês.

Já a editora curitibana Aymará deve produzir ao longo deste ano 1,298 milhão de exemplares para programas de educação do município e do governo federal. Em 2008, foram 446 mil livros.

O diretor geral da editora, Áureo Monteiro da Silva, atribui o crescimento da empresa aos contratos governamentais, mas também a uma “retomada do setor”. “O livro está em um bom momento. Ler está na moda”, aposta. A Aymará tem quatro anos e em 2009 deve faturar R$ 50 milhões, com uma produção de 60 mil páginas impressas. Apostando em um crescimento do mercado, a empresa deve fechar o ano com um aumento de 40% no seu quadro funcional, na comparação com 2008. A empresa tem hoje 147 empregados, e 56 novos postos devem ser preenchidos até dezembro.

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