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Terça-feira, 14/02/2012

Antônio Costa/ Gazeta do Povo

Antônio Costa/ Gazeta do Povo / Maysa Simões, da APC: mulher não quer abrir mão do trabalho nem da educação dos filhos Maysa Simões, da APC: mulher não quer abrir mão do trabalho nem da educação dos filhos
trabalho

Afazeres do lar atrapalham o avanço profissional das mulheres

Apesar das conquistas recentes, elas ainda dedicam 2,5 vezes mais tempo do que os homens em serviços domésticos

Publicado em 09/03/2010 | André Lückman, com agências

As mulheres estão ocupando cada vez mais postos no mercado de trabalho, mas ao mesmo tempo ainda são as maiores responsáveis pelos serviços domésticos. Em média, elas dedicam quase 24 horas semanais aos afazeres da casa – os homens, apenas 9,7 horas. Esse fenômeno, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), atrapalha a ascensão das mulheres no mercado de trabalho.

A contradição entre o crescente protagonismo feminino na economia e as atividades do lar têm influência negativa na remuneração média: mesmo com indicadores de escolaridade superiores aos do sexo masculino, as mulheres ganham salários 27,7% inferiores, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Outro exemplo da desigualdade dos gêneros é que as mulheres também estão mais inseridas em ocupações consideradas precárias, de baixa remuneração: em 2008, 42,1% tinham esse tipo de emprego, frente 26% dos homens.

Elas são maioria nas classes mais ricas

As mulheres são maioria em dois dos três grupos sociais mais ricos da população, diz um estudo da Serasa Experian divulgado ontem. O trabalho define as classes sociais em dez grupos (de A a J), subdivididos em 39 segmentos. Elas têm maior peso numérico nos grupos B e C (moradores urbanos prósperos e assalariados urbanos), enquanto a camada A, de maior renda (formada por ricos, sofisticados e influentes), os homens ainda são maioria.

Nos grupos ricos e prósperos (fatias A e B), as mulheres são 4,9 milhões e os homens, 4,7 milhões. “Os dados revelam que a mulher não é apenas rica porque vive numa família com boas condições financeiras, mas sim porque é agente econômica desse clã”, afirmou o presidente da Serasa Experian, Ricardo Loureiro.

Investidoras

Além de dominarem boa parte dos segmentos sociais mais ricos, o público feminino também está ampliando a participação no mercado de investimentos. O volume total ainda não é muito significativo, no entanto a participação de mulheres na BM&FBovespa cresceu quase 10% em 2009. Em janeiro de 2010, as mulheres corresponderam a 24,54% dos investidores individuais, ante 22,39% no mesmo período do ano anterior. Em números absolutos, são 136,6 mil investidoras ativas frente ao total de 556,8 mil.

Na Expo Money, evento de educação financeira e formação de investidores da América Latina, a participação desse público também tem crescido – em 2004, elas representavam 15% dos inscritos, enquanto em 2009 passaram a corresponder a 35% do público nas dez capitais onde ocorre o evento.

De acordo com consultora financeira Sandra Blanco, autora do título A Bolsa para Mulheres (Coleção Expo Money/Campus-Elsevier), apesar de ainda preferirem a segurança da poupança, agora as mulheres já buscam mais equilíbrio entre rentabilidade e segurança. “A mulher entendeu que é preciso correr mais risco para conseguir maior rentabilidade”, afirma. (AL, com agências).

De acordo com a coordenadora de igualdade e gênero do Ipea, Natália Fontoura, o crescimento no número de profissionais liberais mais escolarizadas não necessariamente muda o cenário – porque elas delegam as responsabilidades da casa a outras mulheres, as empregadas domésticas. “Isso cria um encadeamento perverso de mulheres ligadas a atribuições que deveriam ser de todos”, diz.

O pesquisador Cimar Azeredo, do IBGE, afirma que os números são um reflexo da atuação de homens e mulheres em um mercado de trabalho de funções heterogêneas. “No setor de saúde, por exemplo, há muitas mulheres trabalhando como enfermeiras e muitos homens trabalhando como médicos – profissão que dá um retorno financeiro maior. Da mesma maneira, há muitas mulheres trabalhando como professoras do ensino básico e muitos homens, como professores universitários”, diz. “Ainda há carreiras em que a mulher não está muito presente.”

Ascensão

Empregos que tradicionalmente eram exclusivos de homens, no entanto, começaram a ser ocupados por mulheres. É o caso da publicitária Maysa Simões, que há quase dois anos trabalha como diretora de comunicação e marketing da Associação Paranaense de Cultura (APC). Com 13 anos de atuação executiva no currículo, ela se tornou a primeira mulher em um cargo diretivo da entidade, principal mantenedora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). “Faço parte de uma geração que tem perspectivas de conquista, que não abre mão do trabalho, mas também não quer abrir mão da educação dos filhos”, diz. Quem perde espaço nessa disputa, então, é o lazer. “A parte do descanso, ligado à criatividade, sem dúvida está sendo suprimida.”

Interatividade

Na sua opinião ainda há muito preconceito contra a mulher no mercado de trabalho?

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