Domingo, 01/08/2010
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Denúncias envolvem vazamento, uso de equipamentos eletrônicos e realização da prova em grupo e à luz de velas. Funai diz que concurso só será anulado se vazamento for comprovado
17/03/2010 | 20:50 | Felippe AníbalA ONG Aldeia Brasil, sediada em Curitiba e vinculada a questão indígena, vai pedir a anulação do concurso ao Ministério Público (MP). A organização recebeu mais de uma centena de reclamações e denúncias – a maioria de paranaenses – relacionadas a irregularidades que teriam ocorrido na aplicação das provas. Como os exames não foram realizados no Paraná, os candidatos paranaenses tiveram que se deslocar até Florianópolis (SC), ponto mais próximo onde a prova foi aplicada.
A Fundação Nacional do Índio (Funai)reconhece que houve falhas em alguns locais na aplicação das provas, mas informou que o concurso só será anulado se houver comprovação de que as provas foram violadas. Segundo o presidente da comissão do concurso, Arthur Nobre Mendes, informações extra-oficiais dão conta de que não houve vazamento de prova. Com a suspeita, um delegado da Polícia Federal teria sido chamado ao local e teria averiguado que apenas as folhas de rosto do caderno de questões correspondiam às provas do ensino superior. “Estamos aguardando a confirmação dessas informações. Se isso se confirmar, o concurso será mantido”, disse.
Em relação aos acontecimentos relatados no Rio de Janeiro, Mendes classificou como ocorrências motivadas por “força maior” e que os incidentes não geram anulação do concurso. Ele acrescentou que ainda que a prova fosse encerrada quando houve a queda de energia, o concurso continuaria validado. O presidente da comissão do concurso admitiu que velas podem ter sido usadas e que os candidatos podem ter se sentado próximos, mas não vê motivo para a anulação. “Faltavam 15 minutos para o fim da prova. Os fiscais usaram as velas apenas para permitir que os candidatos preenchessem o cartão de respostas. Mas, reitero, a prova poderia ter sido encerrada naquele momento”, explicou.
Ong Aldeia Brasil
Candidatos fotografados com provas e caderno de resposta, comprovando que equipamentos eletrônicos foram usados
“Se o concurso não for anulado, avaliamos que a credibilidade da Funai pode ser abalada junto a sociedade, o que é muito preocupante”, disse o coordenador de comunicação da Aldeia Brasil, Oswaldo Eustáquio Filho.
As denúncias mais graves estão relacionadas ao suposto vazamento da prova a cargos de ensino superior. De acordo com candidatos que prestaram o concurso em uma escola em Rio Branco, o lote de caderno de questões teria sido aberto e distribuído em sala no período da manhã, na prova para ensino fundamental e médio. Mas o exame para ensino superior só seria realizado à tarde. “A prova circulou por pelo menos 20 minutos na sala, antes que os fiscais percebessem o equívoco. Muita gente teve acesso privilegiado às questões”, observou Eustáquio Filho.
Às escuras
No Rio de Janeiro (RJ), por volta das 18 horas, quando faltavam 15 minutos para acabar o tempo regulamentar da prova, houve um corte no fornecimento de energia elétrica e as salas ficaram às escuras. Os coordenadores do concurso teriam acendido velas e aproximado a carteira dos candidatos, para que concluíssem a prova. Os candidatos teriam usado equipamentos eletrônicos e digitais, o que é proibido pelo edital. Eles chegaram a fotografar o cartão de respostas e o instante em que o exame era realizado à luz de velas.
Um dos candidatos, Renan Prestes
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