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De parafuso a plataforma, indústria do petróleo busca 4,5 mil itens

Em dez anos, a Petrobras e outras companhias devem gastar US$ 400 bilhões em bens e serviços. E precisam de fornecedores brasileiros

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A retomada das concessões para exploração de petróleo e gás, que estavam suspensas desde 2008, dá novo impulso à cadeia de fornecedores do setor.

INFOGRÁFICO: Veja os fornecedores

O governo leiloou 142 blocos em maio e o campo de Libra em outubro, e vai oferecer mais 240 áreas no fim deste mês. Incluindo os campos já em desenvolvimento ou produção, a Petrobras e outras petroleiras vão desembolsar US$ 400 bilhões (mais de R$ 900 bilhões) em bens e serviços nos próximos dez anos, estima a ANP, que regula a atividade.

Apenas Libra, no pré-sal, vai exigir até 15 plataformas e 90 embarcações de apoio. Mas a demanda não se restringe a equipamentos de alta complexidade. O setor também precisa de produtos triviais, de parafusos a utensílios de cozinha, e dos mais variados serviços, da instalação de pisos e persianas a cursos de língua estrangeira. A demanda é imensa: a Petrobras enumera quase 4,5 mil itens – 1.980 bens e 2.513 serviços – em seu portal de compras e contratações.

Quem produz uniformes ou equipamentos de proteção individual, por exemplo, tem uma multidão para vestir. Quase 100 mil pessoas trabalham na extração e no refino de petróleo e gás no país, e o número tende a aumentar. "Temos uma linha de luvas de segurança adequada a esse setor, e planejamos atendê-lo", diz Cristina Yeh, administradora da Luvas Yeling, de Curitiba.

Conteúdo nacional

A Petrobras tem cerca de 20 mil fornecedores em todo o país, e está aberta a interessados, até porque luta para cumprir os índices mínimos de conteúdo nacional – em geral, o governo exige que mais da metade das compras sejam feitas no país.

Como a capacidade de fornecimento local é limitada, essa política costuma elevar os custos e atrasar os cronogramas das petroleiras. Mas, inegavelmente, facilita a vida das empresas brasileiras. O difícil, dizem candidatas, é obter o Certificado de Registro de Classificação Cadastral (CRCC), que habilita uma companhia a negociar com a Petrobras.

Visibilidade

Para receber o CRCC, é preciso cumprir uma série de requisitos, tarefa complicada e custosa para empresas pequenas. O laboratório Amiolab, de Pinhais, tenta o cadastro há dois anos. A recompensa é que a empresa ganhará visibilidade quando consegui-lo, diz a proprietária, Marta Rejane Neves da Silva. "Além de poder ter a Petrobras como cliente, acreditamos que empresas que prestam serviço para ela vão nos procurar."

É o que ocorre com a indústria mecânica Engetank, de Colombo, que obteve o cadastro em 2012. Por enquanto ela só forneceu um tanque de aço inox de 1,5 mil litros para a Petrobras, mas é procurada com frequência por outras fornecedoras. "Se precisam de peças, elas buscam em empresas cadastradas", explica Jean Claudee Dufour, gerente de engenharia da Engetank.

Colaborou Lais Capriotti

Custo inibe empresas menores

A empresa interessada em negociar com a Petrobras é avaliada a partir de critérios técnicos, econômicos, legais, de SMS (segurança, meio ambiente e saúde) e gerenciais. Alguns são obrigatórios e outros, apenas classificatórios, variando conforme o tipo de serviço ou produto demandado. Dessa forma, quem pretende vender sabonetes à estatal tem de cumprir exigências menos severas que um fabricante de sondas de perfuração.

Companhias de médio e grande porte em geral já cumprem todos os requisitos, o que torna o processo de análise muito mais rápido – algumas conseguem o cadastro de fornecedor em poucas semanas. Por outro lado, empresas menores quase sempre têm de trabalhar para se adequar às normas, o que exige tempo e dinheiro.

"As exigências da Petrobras não são muito diferentes das de outras petroleiras. O que incomoda os empresários, e faz alguns desistirem, é que há um custo elevado para atingir certos critérios técnicos e conseguir certificações como as de SMS", explica Jerri Chequin, executivo da Câmara de Petróleo e Gás do Paraná.

A empresa Engetank, de Colombo, precisou primeiro obter o certificado ISO 9000, relativo à gestão da qualidade, para então dar sequência ao cadastro na Petrobras. O processo ficou mais caro e demorado: consumiu R$ 90 mil e durou dois anos e meio.

Para Chequin, o investimento e o esforço para atender aos níveis de qualidade exigidos pela indústria de óleo e gás têm retorno. "Além de o CRCC servir como um selo de qualidade, quem conseguiu atingir esses requisitos alcançou um patamar de eficiência que o permite fornecer para o mundo inteiro."

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