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Geração de “jovens chatos” muda forma das empresas se venderem

“Chatice” da geração Millenial e sua busca por negócios com história e significado têm obrigado empresas a se renovar. Mesmo aquelas que trabalham com públicos de outras idades

Geração de “jovens chatos” muda forma das empresas se venderem. Na foto, Suellen Mylla, empreendedora que criou a Casa da Bruxa, loja que promete vender “doces com magia” e que parece ter entendido bem os clientes Millenials. | Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
Geração de “jovens chatos” muda forma das empresas se venderem. Na foto, Suellen Mylla, empreendedora que criou a Casa da Bruxa, loja que promete vender “doces com magia” e que parece ter entendido bem os clientes Millenials. Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
 
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É uma loja de doces. E a intenção do cliente pode ser de só comprar um doce (para ornar com o cafézinho do pós-almoço). Mas quem entra na Casa da Bruxa fica com a sensação de que um Oompa Loompa pode surgir de um canto, a qualquer instante. Com o lema de vender “doces com magia”, a marca curitibana pegou o espírito dos negócios voltados para os novos adultos, a chamada geração Millenial. São jovens “chatos”, profissionais e clientes exigentes, e que buscam um ideal ou propósito que vá além do simples “consumir por consumir”.

Não faz muito tempo que essa geração chegou ao mercado de trabalho. E no começo era novidade. Escritórios não tradicionais, horários flexíveis, trabalhos com propósito. A essa altura, já virou jargão da turma do RH. Os Millenials já não são os líderes do futuro. São os líderes do presente. O que traz mudanças para a forma como as empresas se organizam.

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Mas isso não é a parte mais importante. “A maior pressão vem de fora para dentro”. Ou seja, dos consumidores que vão ter este mesmo padrão de cobrança na hora de escolher as marcas de tudo que vão consumir, explica Claudia Bittencourt, da consultoria Bittencourt.

Na Casa da Bruxa, esta é uma preocupação constante, conta Suellen Mylla. Simplesmente declarar que a sua missão é vender “doces com magia” é fácil. Fazer com que os clientes tenham esta impressão é muito mais difícil. E um desafio diário. O jeito é investir em todas as frentes, começando pela música ambiente e pelos adereços do ambiente, e chegando ao treinamento dos funcionários.

Além de doces, as lojas da marca vendem adereços, como copos e bonecos. Alguns produtos são de franquias famosas, como filmes de super-heróis e animações. Mas há toda uma produção própria, o que permite diversificar produtos. A fabricação própria também permite trabalhar a figura da “bruxa” (que dá uma cara de autenticidade brasileira ao negócio).

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Esta pressão “de fora para dentro” ganha força com o mundo digital. “Os jovens querem conhecer onde a empresa pretende chegar, qual a essência, como ela surgiu, o que fez ela ficar no mercado até hoje”, explica Claudia Bittencourt. Com acesso à tecnologia, isso pode ser feito de um clique, sem sair do lugar. Quem não se adaptar vai perder clientes. E, pior, as escorregadas podem virar linchamentos digitais.

São mudanças relacionadas aos valores dos “novos adultos”. Mas que impactam no mercado como um todo. Inclusive setores mais tradicionais e aqueles que atendem públicos mais velhos. Um exemplo é a Philip Morris. Ainda que, no seu auge, nos anos 1950, a indústria do tabaco vendesse um ideal de felicidade, ela é hoje símbolo da vilania. Da busca do “lucro pelo lucro”. Mas até a fabricante do Marlboro entrou na onda de fazer o bem à sociedade.

Há uma década o setor de pesquisa e desenvolvimento da empresa trabalha em tecnologias com potencial para reduzir o risco do tabaco, segundo reportagem publicada no ano passado (2016) pela Folha de S. Paulo. Em alguns mercados, a PM já lançou uma espécie de cigarro eletrônico que, diz a empresa, teria entre 90% e 95% a menos de compostos prejudiciais à saúde.

Setores tradicionais também já se adaptam a esta nova realidade. Professor da pós-graduação em Negócios Sociais da FAE, Paulo Cruz Filho cita o caso da B2Blue, que trabalha com resíduos empresariais. É como uma “Uber do lixo”: a empresa conecta quem quer descartar com interessados em comprar matéria-prima reciclável.

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Negócios precisam ter um propósito claro

Todas as quartas-feiras, a turma do Code for Curitiba se reúne para ouvir propostas de melhorias para a cidade. As que têm o melhor propósito, eles programam. De graça. “Porque esta gurizada não busca só carreira. Mas algo que faz sentido”, comenta, empolgado, o professor da FAE.

A busca por “negócios com propósito” talvez seja o principal legado que a geração Millenial vá imprimir. Para Cruz Filho, daqui a 30 ou 20 anos (talvez menos) não vai mais fazer sentido criar uma empresa se ela não tiver um propósito de desenvolvimento ambiental, social e econômico. “Tem de ser sustentável neste tripé”.

Uma certificação, o Sistema B, já foi criada para assegurar o compromisso das organizações com propósitos sociais e ambientais. Até o mundo das finanças têm se adaptado. Estimativa do jornal DCI, de outubro de 2016, aponta que os fundos especializados em negócios de impacto social já investiram mais de R$ 100 milhões em empresas brasileiras.

Propósito guia a carreira (e a vida) de um profissional Millenial

Aos 34 anos, o uruguaio Ernesto Maceiras é o que se pode chamar de um “Millenial da primeira geração”. Começou no call center do Citibank e fez pós-graduação na Argentina, e já estava em sua quarta multinacional quando veio para o Brasil assumir a direção da fábrica de embalagens (onde trabalha até hoje), aos 28 anos. Veio com a roupa do corpo, ideias na cabeça e a vontade de dar o seu melhor, mesmo sabendo que faltava um bocado de experiência.

Hoje, aos 34, Ernesto já é um executivo experiente, que liderou a empresa em um processo de venda e expansão pela América Latina. Casado e pai de duas filhas, ele já tem a mesma mobilidade de antes. Mas a paixão por ideias inovadoras e por mudar o mundo é cada vez mais forte.

Para ele, ter um propósito é uma forma de ser um bom líder (que garanta relações justas para todos, donos, funcionários, fornecedores, clientes). Mas, principalmente, de construir um mundo melhor. Ser justo “com o planeta Terra, que é a nossa casa e que permite a vida de cada um de nós”. É o que deve guiar os negócios, todos eles. E o que deve guiar relações que garantam sustentabilidade e felicidade para as pessoas, defende o empresário.

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