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Inovação industrial brasileira esbarra em burocracia

Estudo aponta que proporção de indústrias que investiram em produtos inovadores caiu nos últimos anos. Dificuldade em empreender explica queda

Movelaria Paranista pretende aplicar tecnologia eletroquímica na indústria moveleira |
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Inovação industrial brasileira esbarra em burocracia

A inovação no Brasil está estagnada. De acordo com a última Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (Pintec), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de indústrias que introduziram pelo menos um produto ou processo inovador caiu de 38,1% em 2008 para 35,6% em 2011. O resultado é reflexo da crise econômica que assolou o mundo inteiro dois anos antes, mas o excesso de burocracia para empreender e a falta de capilaridade dos investimentos e subvenções indicam que pouco mudou de lá para cá.

De acordo com empresários e especialistas do setor, a dificuldade começa quando um empreendedor tenta abrir uma startup (empresa tecnológica em estágio inicial), contratar funcionários e ter acesso a fundos públicos e privados de financiamento. “Este é um dos mais elementares motivos para o modesto índice de inovação registrado no Brasil”, afirma Carlos Eduardo Calmanovici, presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadores (Anpei).

Segundo ele, um dos exemplos que evidencia essa morosidade é o número de patentes aguardando análise no Instituto Nacional de Patentes Industriais (Inpi): 160 mil. “Além do mais, é muito difícil contratar o pesquisador sem que ele se desligue de uma universidade, onde leva sua pesquisa. Falta segurança jurídica”, explica.

Concentrado

A falta de capilaridade dos recursos é outro ponto que tem travado a inovação no país. No Paraná, por exemplo, apenas 442 empresas realizam projetos internos de pesquisa de desenvolvimento (P&D). “É muito pouco. É preciso expandir e garantir que a inovação chegue a mais empreendimentos”, afirma o gerente de inovação do Senai no Paraná, Filipe Cassapo.

No entanto, ele acredita que aos poucos os fundos de inovação estão capilarizando suas atuações, o que pode ter impacto positivo para os próximos anos. “Alguns programas específicos para regiões menos favorecidas foram criados nos últimos meses porque a concentração estava muito flagrante”, explica Cassapo. Um deles é o Tecnova, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que lançou em julho um projeto de subvenção de R$ 190 milhões em todo o Brasil, mas com recursos mínimos destinados para cada estado.

Regulamentação

Uma ação que eliminaria boa parte dos entraves burocráticos existentes hoje e, consequentemente, levaria a inovação a um maior número de empresas é a regulamentação da Lei de Inovação. Aprovada no Paraná na metade do ano, o texto ainda não define quais os métodos de subvenção econômica e abatimento tributário para as empresas inovadoras. “É preciso regulamentar a lei o quanto antes. Só com uma regra clara que poderemos mudar de patamar”, observa Cassapo.

Gastos em pesquisa crescem em três anos

A queda da taxa de inovação contrasta com indicadores da Pintec que apontam um aumento das atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) das empresas brasileiras. O investimento total das empresas em atividades inovadoras em 2011 foi de R$ 64,9 bilhões – ou 0,71% da receita líquida de vendas das indústrias em pesquisa e desenvolvimento, percentual acima dos 0,62% registrados em 2008.

A relação destes investimentos com o Produto Interno Bruto (PIB) do país, no entanto, ainda deixa o Brasil bastante abaixo de outras nações. Enquanto por aqui o índice está em 0,59%, a China gasta 1,38% e nos Estados Unidos a proporção está em 1,83%.

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