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Risco: os drones se popularizaram, mas as pessoas ainda não sabem pilotá-los

  • The New York Times
Anthony Melton e seu filho, Noah, pilotam um drone em Sugar Land, texas | BRYAN SCHUTMAAT/NYT
Anthony Melton e seu filho, Noah, pilotam um drone em Sugar Land, texas BRYAN SCHUTMAAT/NYT
 
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Se o último Natal foi a temporada dos drones, também foi um período de quedas, perdas e lamentos no Twitter. A rede social está cheia de comentários sobre os pais (principais alvos) derrubando drones, namoradas com as pequenas lâminas presas no cabelo (que as mães as removem) e crianças chorando porque seu presente favorito desapareceu no céu.

“Você iria gostar se seu laptop saísse voando?”, o marido perguntou a Shelley Holloway depois de ter perdido o drone que ganhara de Natal. Shelley, de Clawson, no Michigan, postou uma nota no Nextdoor, rede social comunitária, dizendo que “desde então, o Natal ficou arruinado”. (Aparentemente, ele não gostou da brincadeira).

Os drones em geral são brinquedos inofensivos – mesmo aqueles que parecem ter uma vida útil mais curta do que uma árvore de Natal – e podem ser comprados na Amazon ou no Wal-Mart por menos de US$ 100. Porém, especialmente os maiores, podem causar grandes danos e lesões, especialmente nas mãos dos principiantes.

Como os pássaros, podem ser sugados para dentro de motores, criando o risco de queda de aviões. Há também a probabilidade de que caiam na cabeça de alguém ou na sua propriedade. A Administração Federal de Aviação (FAA) exige um registro de US$ 5 para drones com mais 250 gramas e as companhias de seguros estão se preparando para uma onda de reivindicações relacionada a acidentes com o dispositivo.

“Estamos inflexíveis. Se um drone for visto nas proximidades de uma floresta em chamas, removeremos nossas aeronaves, o que infelizmente podem fazer o fogo se espalhar exponencialmente”, disse Scott McLean, porta-voz do Departamento de Florestas e Proteção contra Incêndios da Califórnia.

A agência, conhecida como CalFire, adotou o lema: “Se você voa, nós não podemos levantar voo”. Ela possui uma frota de 50 aviões e 12,5 milhões de hectares para cobrir. Em meados do ano passado, depois que um drone voou sobre o que foi chamado de Fogo de Trailhead em Auburn, Califórnia, a CalFire manteve suas aeronaves no solo por duas horas.

Pilotos inexperientes

Aproximadamente 2,8 milhões de drones foram vendidos nos Estados Unidos no ano passado, cerca de 1,2 milhão deles na época do Natal, de acordo com a Associação dos Consumidores de Tecnologia, um grupo de lobby. Até 13 de dezembro, pouco mais de 500 mil pessoas haviam se registrado na FAA. Certamente, o resto dos proprietários vai aparecer em breve, se é que já não derrubaram seus drones.

“Minha filha ganhou um drone do Papai Noel e na primeira decolagem, ele foi embora e nunca mais voltou. Se você encontrar um drone branco e laranja em seu quintal ou em alguma árvore, por favor, me avise”, escreveu Jim Stephens, de Orinda, na Califórnia, no Nextdoor.

Em uma entrevista, Stephens disse que controlar a engenhoca foi mais difícil do que esperava. “Eu deveria ter deixado minha filha pilotar; assim talvez ele não tivesse desaparecido”, disse ele. A filha, Iris, tem 6 anos.

Juan J. Alonso, professor de Aeronáutica e Astronáutica da Universidade de Stanford, que atua no conselho consultivo de drones da FAA, suspeita que muitos usuários novatos ficaram surpresos com o poder de suas máquinas – que os amadores geralmente pilotam a 24 km/h, mas que os mais experientes podem fazer alcançar até 65 km/h.

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Faine Greenwood, pesquisadora de Harvard, com seu drone em um parque perto da universidadeTONY LUONG/NYT

“Normalmente, as pessoas compram pequenos drones, de US$ 500 ou US$ 600. Provavelmente são novatos que logo excederem a capacidade do drone ou sua própria capacidade de piloto. A maioria não tem nenhum treinamento”, disse ele.

“Embora um drone voe tão alto quanto você imagina, a FAA limita a altitude a 121 metros”, disse Alonso.

“São máquinas muito sofisticadas. Queremos ter certeza de que serão usadas de forma responsável.”

A FAA recebe mais de 100 relatórios por mês de pilotos se queixando de drones que voam perto demais de suas aeronaves, disse um porta-voz da agência. Eles já feriram pessoas e causaram interrupções de energia.

Brad Koeckeritz, chefe da divisão de sistemas de aeronaves não tripuladas do Departamento do Interior, afirmou: “Drones parecem brinquedos inocentes, mas, no ano passado, o departamento registrou mais de 50 avistamentos em incêndios florestais, a maioria pilotada por amadores”, disse ele.

“O problema é que colisões em pleno voo com aeronaves envolvidas no combate a incêndios ou que se aproximam de uma pista poderiam ter consequências fatais”, disse ele.

No dia de Natal, com o Twitter cheio de dramas envolvendo drones, Faine Greenwood, pesquisadora da tecnologia aérea não tripulada da Iniciativa Humanitária Harvard, retuitou mensagens com a hashtag #dronecrashmas [um trocadilho das palavras ‘christmas’, Natal, e ‘crash’, acidente]. Esse foi o segundo ano que ela seguiu a onda de acidentes com drones. “Está virando um tema importante de Natal”.

Por trás do humor está a preocupação com o fato de que drones que caem na época do Natal mostram que as pessoas não estão levando a questão a sério como deveriam. “É preciso que haja um trabalho melhor para educá-las”, disse Faine, que possui cinco drones e escreve sobre eles para a revista Slate.

Em vez de ir ao parque, muitos usuários pilotam suas pequenas naves na porta de casa, sem considerar o vento e as árvores.

“Estamos vendo uma convergência da tecnologia futurista com os EUA do consumo de massa”, disse Nirav Tolia, diretor executivo do Nextdoor. Na semana do Natal, a rede social tinha 8.709 mensagens de drones, quase todas sobre dispositivos achados ou perdidos.

“As pessoas costumavam perder gato nas árvores; agora são os drones”, disse Kelsey Grady, chefe de comunicações do Nextdoor.

Regras

Para melhorar a segurança, a FAA criou um aplicativo, o B4UFly, e um site cheio de dicas. Mesmo quem pilota drones que tenham luzes deve aderir às regras do FAA, que incluem não usá-los no escuro, manter a nave à vista e não voar sobre grupos de pessoas ou perto de aeroportos ou outras aeronaves.

Anthony Melton, de Sugar Land, no Texas, apesar de seguir as regras, sofreu um desastre.

“É, isso mesmo, outro drone perdido no bairro”, disse Melton em um post no Nextdoor. Seu filho estava comandando a nave quando ela se perdeu e o garoto começou a chorar; Melton ficou muito abalado e não conseguiu dormir. Então, um vizinho o avistou em seu telhado, e a crise terminou.

Para os drones de todos os tamanhos, há muito o que aprender. Jim Hayes, repórter da Fox Sports, tuitou seu progresso lento. “Tempo de sobrevida do minidrone do Natal de 2015: 5 segundos (bateu na parede)/ tempo de sobrevida do minidrone do Natal de 2016: 3 minutos (perdido no parque).”

“Os drones têm um visual legal e parece que podem voar sozinhos, só que as pessoas se esquecem de que realmente estão pilotando uma aeronave”, disse Brian Wynne, presidente da Associação Internacional de Sistemas de Veículos Não Tripulados, um grupo da indústria.

“A tecnologia chegou às massas rápido demais; por isso, a educação e, por que não, as normas, estão no prejuízo”, disse Wynne.

Os fabricantes alertam as pessoas sobre os perigos, mas será que alguém realmente lê as longas instruções antes de sair e experimentar o brinquedo novo?

“É preciso dizer que ninguém deveria tirar o drone da caixa e tentar descobrir como funciona durante o voo”, disse Brendan Schulman, vice-presidente de política e assuntos jurídicos da DJI, a empresa chinesa que domina o mercado de drones pessoais e profissionais, para fotografia aérea.

Os drones pessoais da DJI, que custam entre US$ 399 e US$ 1.199, têm medidas de segurança interna, incluindo retorno e aterrissagem automáticos para quando a bateria estiver acabando, desvio de obstáculos e delimitação geográfica, que impede que um exemplar voe próximo de aeroportos, usinas nucleares ou outros locais sensíveis (incluindo qualquer lugar em Washington, D.C.).

Mas o mercado está repleto de imitações que podem não ter essas características. E o “erro do piloto” é um grande problema.

“Meu pai bateu o drone da Julia na árvore do vizinho e ele quebrou no primeiro voo. Feliz Natal!”, tuitou @RachelGriffith. Duas horas depois, ela atualizou o post: “Ele conseguiu fazê-lo funcionar de novo e imediatamente fez com que se enganchasse no topo de uma árvore enorme”.

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