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Bolsa supera recorde de 2008, mas se é hora ou não de investir depende de você

A Bolsa atingiu um patamar histórico na segunda-feira (11), com o Ibovespa – seu principal índice – ultrapassando pela primeira vez a casa dos 74 mil pontos

  • Estadão Conteúdo, com informações de Fabiane Ziolla Menezes
Bolsa supera recorde de 2008. Do lado econômico, a Bolsa se beneficiou dos indícios de que o pior da crise já passou e da queda dos juros | Creative Commons/Pixabay
Bolsa supera recorde de 2008. Do lado econômico, a Bolsa se beneficiou dos indícios de que o pior da crise já passou e da queda dos juros Creative Commons/Pixabay
 
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Impulsionada pela prisão do empresário Joesley Batista e pelo consequente cenário favorável ao governo de Michel Temer, a Bolsa atingiu um patamar histórico na segunda-feira (11), com o Ibovespa – seu principal índice – ultrapassando pela primeira vez a casa dos 74 mil pontos. O índice subiu 1,7% e fechou em 74.319 pontos. Até então, o recorde era de 73.516 pontos, registrado em 2008. As razões para esses resultados são várias, mas elas não significam que você que nunca investiu em ações antes deva sair correndo para fazer isso. 

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A leitura do mercado é de que a prisão de Joesley, aliada à saída do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, do cargo no fim desta semana, enfraquece a possibilidade de uma segunda denúncia contra Temer, que poderia ameaçar o governo. Com a permanência de Temer, crescem as expectativas de que a reforma da Previdência sairá este ano. Detalhe: as movimentações na Bolsa não consideravam o relatório da Polícia Federal encaminhado na segunda-feira (11) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que aponta indícios de que Temer cometeu crime de corrupção. 

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A colaboração do ex-ministro petista Antonio Palocci com a Lava Jato também alavancou o Ibovespa, segundo o professor de estratégia financeira do Ibmec Paulo Azevedo. “O acordo (do político com a Justiça) reduz as chances de uma candidatura de Lula em 2018, e o mercado financeiro prefere um governo de direita”, diz. 

Do lado econômico, a Bolsa se beneficiou dos indícios de que o pior da crise já passou e da queda dos juros – na semana passada, o Banco Central reduziu a Selic, a taxa básica de juros, a 8,25%. “Os juros mais baixos desviam os investimentos da renda fixa para a variável”, diz o economista Silvio Campos, da Tendências Consultoria. 

A diretora da consultoria MB Associados Tereza Fernandez lembra também que, com a redução da Selic, as empresas precisam de um volume de recursos menor para o pagamento dos juros da dívida. Há também a tendência de que as empresas procurem mais a bolsa para abertura de capital, fazendo de 2017 o ano em que elas voltarão a olhar a para a abertura de capital como a possibilidade real de alavancar recursos. A Gazeta do Povo falou sobre isso em fevereiro.

Há ainda, segundo os economistas, um fator externo: o mundo continua com grande liquidez e com apetite a risco, já que os países ricos estão pagando taxas de juros baixas. Nos EUA, por exemplo, os juros básicos estão entre 1% e 1,25%. 

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa

Essas razões citadas acima são parte das explicações para a trajetória de alta da bolsa, que vem desde o início do ano passado, interrompida brevemente apenas por alguns micos políticos. Embora desenhem um cenário otimista, essas razões, no entanto, não devem ser, sozinhas, motivo para quem nunca investiu na Bolsa começar a fazê-lo sem pensar bem antes.

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É sempre importante avaliar se você faz o tipo que consegue aguentar a oscilação do mercado numa boa. Quando o áudio de Joesley e Temer foi revelado, em maio deste ano, o dia seguinte da Bolsa foi para os fortes. A orientação, na ocasião, era para que os investidores não fizessem nada até que a tempestade passasse. Mas isso não é algo fácil de se fazer. 

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Para quem já tem certa experiência em renda fixa e quer começar a arriscar, a dica dos especialistas é começar com algo apenas um pouco mais arriscado, como os fundos multimercado e os fundos imobiliários, de preferência, em ambos os casos, com a assistência de uma boa gestora já que essas são aplicações mais complexas. 

Ficar de olho nas ofertas de debêntures também é uma maneira de arriscar um pouco mais tendo como contrapartida a perspectiva de uma bom retorno. A última realizada pela Petrobras, em agosto, tinha como base para as condições das séries destinadas às pessoas físicas o rendimento do Tesouro IPCA 2022 e do Tesouro ICPA 2024, com um extra de 0,05% ao ano e 0,30%, respectivamente.

Para quem, apesar das advertências acima, já se sente preparado para começar a investir em ações, vale conferir, a seguir, as previsões dos especialistas para a Bolsa até o fim de 2017.

Futuro é bom, mas não milagroso

As estimativas das consultorias indicam que a Bolsa continuará sua tendência de alta, mas numa velocidade menor. A XP Investimentos projeta um crescimento de 15% – em um cenário base – até o fim de 2018, com o Ibovespa atingindo 85,2 mil pontos. Em sua estimativa mais otimista, a corretora aposta em 90,8 mil pontos, o que significaria uma elevação de 22%. No acumulado deste ano, a expansão foi de 23,5%. 

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“Por enquanto, o clima é positivo. Mas talvez isso não vá muito longe. Ano que vem tem eleições e aumenta a volatilidade política”, destaca Campos. 

O economista-chefe da ModalMais, Álvaro Bandeira, projeta um Ibovespa de 77 mil pontos até dezembro deste ano. “A Bolsa está claramente em uma tendência primária de alta e não deve mudar tão cedo”. Bandeira faz apenas uma ressalva para a possibilidade de o governo falhar com o avanço das reformas. “Se o governo não tocar direito isso, vai ficar complicado.”

Para André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimento, a euforia na Bolsa indica que o mercado não está atento às questões estruturais do país, já que a economia ainda está frágil e a dívida pública é crescente. Perfeito destaca que o crescimento de 0,2% do PIB no segundo trimestre se deu sobretudo pelo aumento do consumo das famílias impulsionado pela liberação dos recursos das contas inativas do FGTS. 

O analista da XP Investimentos Marco Saravalle diz que os investidores estão olhando “a metade cheia do copo”, como a privatização da Eletrobrás. “No curto prazo, o mercado vem perdendo o foco com as preocupações.”

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Ganhos com ações deve desacelerar

Analistas projetam que a Bolsa continuará sua tendência de alta, o que significa que ainda dá tempo para investir em ações. Eles destacam, entretanto, que o rendimento para os próximos 12 meses deve ser inferior ao registrado nos últimos 12. “A tendência (de alta) não deve se reverter no curto prazo”, diz André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos. Perfeito destaca que, também nos últimos 12 meses, o Ibovespa avançou mais que os índices de bolsas de países como China (11,73%) e Índia (10,7%). 

“Aqui, foi 28% no mesmo período. Não dá para imaginar que vai continuar subindo tanto”, acrescenta. O analista da XP Investimentos Marco Saravalle conta que tem indicado investimento em ações até para quem tem perfil mais conservador por causa da possibilidade de retornos de 15% e do cenário mais favorável na Bolsa. Ele lembra, porém, que o risco é maior. 

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