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Vocação, mercado ou influência familiar: o que importa na escolha da profissão? 

Estudo sobre o perfil do candidato a vagas de estágio em 2018 revela as mudanças de comportamento entre os jovens

  • Carol Nery Especial para a Gazeta do Povo
Leandro Moschini Macedo, 23 anos, precisou fazer uma escolha equivocada de graduação para entender qual era a verdadeira vocação profissional. | Albari Rosa
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Leandro Moschini Macedo, 23 anos, precisou fazer uma escolha equivocada de graduação para entender qual era a verdadeira vocação profissional. Albari Rosa Gazeta do povo
 
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Tempos atrás era comum que os filhos seguissem os passos dos pais na escolha da carreira profissional e ainda herdassem a clientela dos seus negócios. O comportamento levava, muitas vezes, a escolhas equivocadas. Em tempos tecnológicos, o excesso da oferta de informações sobre cursos, fácil acesso a currículos detalhados das instituições e uma infinidade de métodos de orientação vocacional, além de notícias atualizadas velozmente sobre as tendências de mercado, permitem escolhas mais acertadas e uma mudança de comportamento de carreira. 

Uma pesquisa realizada pela Companhia dos Estágios, assessoria e consultoria especializada em vagas de estágio e trainee, mostra que muita coisa mudou nesses últimos anos. A influência familiar, por exemplo, foi relevante para apenas 2,3% dos entrevistados. Esta geração é mais conectada e informada do que a de seus pais, por isso é natural que haja um rompimento desse vínculo, avalia a psicóloga Greta Munhoz. “A juventude está mais independente e isso se reflete em suas atitudes, especialmente na tomada de decisões.” 

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A tendência aparece claramente no resultado da pesquisa. A maioria, 61% dos participantes, informou que escolheu o curso superior com base no critério da vocação. “O estudante procura trabalhar com algo que, principalmente, desperte paixão.” Outros 33,1% levaram em consideração as tendências de mercado (oportunidades, remuneração, chances de crescimento, etc). 

Segundo a psicóloga, os jovens se guiam até o caminho profissional por três vertentes principais: afinidade, boa remuneração ou maiores chances de sucesso. No primeiro caso, estão aqueles que encontraram o curso que mais se identificam, mesmo que signifique salários menos atraentes. Do outro, a tendência de crescimento de determinado campo de trabalho nos próximos anos tem mais relevância. “É preciso que o aluno faça um levantamento sobre o seu universo de interesses e limpe o terreno para deixar vir o que lhe é natural e compatível com sua personalidade. É possível cruzar as habilidades com as atividades que mais gosta de realizar e defrontar com as oportunidades do mercado.”

O primeiro passo para uma escolha assertiva da carreira é detectar, em uma profunda análise, o que se tem de bom, para conseguir aproveitar as oportunidades, e eventuais falhas, para fazer o mapa de desenvolvimento pessoal, recomenda o consultor de carreira da ESIC Business & Marketing School, Alexandre Weiler. Ele aponta o aconselhamento de carreira como a melhor saída para não errar na hora da decisão.

“O coaching tem um trabalho interessante, que desenvolve a pessoa de forma bastante aprofundada. Os testes vocacionais resgatam no íntimo o que é mais interessante. Mas o aconselhamento é o melhor dos dois mundos. Ele faz um link das aptidões pessoais com as oportunidades de mercado e ajuda a construir um planejamento estratégico de carreira. E o melhor, em muito menos tempo.” 

Muitas pessoas não se conhecem. Por vezes, têm percepções equivocadas do que é potencialidade, ponto forte e ponto fraco, comenta Weiler. “Há pessoas com autoestima baixa ou sentimento de inadequação, por outro lado outros com autoestima elevada e que até exergam pontos fracos como potencialidades. Quando se faz aconselhamento, passa-se por cima disso, faz-se um processo mais sério, coerente, pé no chão e com muito mais chances de sucesso.”

Para atenuar o peso dessa escolha o jovem deve encarar o ensino superior apenas como ponto de partida e, a partir daí, procurar investir constantemente na formação. Para aumentar as chances de sucesso e evitar uma decisão prematura sobre rumos da vida profissional é necessário que não haja uma imposição de limites, destaca o diretor da Companhia de Estágios, Tiago Mavichian.

“Pelo contrário, a rota pode ser alterada por novos cursos, como especialização, mestrado ou mesmo uma formação complementar. O importante é ter em mente que a graduação é uma porta que se abre para novas descobertas e o profissional pode se atualizar e enriquecer seu currículo com o tempo.”

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Estágio é jeito prático de confirmar a profissão certa

Outro meio utilizado pelos jovens para se certificar da escolha certa e acelerar o desenvolvimento profissional é o estágio. Segundo Mavichian é comum, inclusive, que muitos se inscrevam a vagas já nos primeiros períodos do curso. De acordo com o levantamento, 57.6% dos entrevistados procuram especificamente uma vaga de estágio e mais de 66% afirmam que o principal objetivo é ganhar experiência profissional.

“O estudo mostra que para mais de um terço dos estudantes, ter experiência para se tornar mais competitivo no mercado de trabalho é a principal preocupação no momento, o que fortalece ainda mais o programa de estágio como uma ferramenta para que esses novos profissionais tenham contato com a profissão, fator que pode ser determinante para conseguir uma boa colocação ao final do curso”, diz.

A pesquisa revela ainda que, para a maioria dos estudantes, o grande ponto negativo do programa de estágio é o menor número de vagas no mercado de trabalho. 57% deles consideram a falta de oportunidades o pior efeito da crise que o país enfrenta nos últimos anos. Mas, mesmo em meio a esses percalços da economia brasileira, 78% dos entrevistados tem uma visão otimista do mercado e crê que o cenário irá melhorar – 2% a mais em comparação com o ano passado.

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Do erro na escolha à carreira dos sonhos

Leandro Moschini Macedo, 23 anos, precisou fazer uma escolha equivocada de graduação para entender qual era a verdadeira vocação profissional. Antes da formatura no curso superior de tecnologia em gestão comercial, ele cursou cinco períodos de administração, por influência da mãe, que via na carreira um futuro promissor para o filho.

“Sabia que alguma parte da área de negócios me encantava, mas não exatamente qual era. Acabei por concordar com a sugestão dela, mas algo não encaixava”, conta. Foi quando trancou o curso, buscou por um aconselhamento de carreira e descobriu que o que realmente o encanta é a gestão comercial. Leandro estagiou por quase um ano, na própria instituição de ensino, e já conquistou duas promoções. Passou ao cargo de auxiliar e hoje é coordenador comercial na área educacional. 

No final do ano passado, um novo aconselhamento de carreira o levou a iniciar uma pós-graduação na área de gerenciamento de marketing e negócios. A meta agora é partir para um âmbito internacional.

“Tenho inglês fluente e uma base em espanhol, mas a experiência internacional é extremamente relevante”, diz. A primeira delas será em novembro. Depois, em abril do ano que vem, Leandro participará de módulos internacionais do curso de pós-graduação. “Em um ano devo alcançar o patamar que desejo para seguir com meu planejamento de carreira e continuar trabalhar com o que realmente amo.” 

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