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Por dentro do Vale

Brasileiro de 24 anos sai de Harvard com US$ 1,2 mi para abrir startup no Vale do Silício

O capixaba Gabriel Guimarães é fundador da Pagedraw, startup que quer automatizar a parte mais mecânica do processo de desenvolvimento de um software

  • Naiady Piva
O brasileiro Gabriel Guimarães (direita) e seu sócio, Jared Pochtar | Pagedraw
O brasileiro Gabriel Guimarães (direita) e seu sócio, Jared Pochtar Pagedraw
 
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Aos 14 anos, Gabriel Guimarães conciliava as aulas do ensino médio com as disciplinas de física e cálculo, na universidade. Foi nesta época que ele traduziu, por puro hobby, 450 páginas de um curso de Harvard, aonde ele acabou indo estudar ciência da computação. Em 2017, Gabriel desembarcou no Vale do Silício. Sua startup, a Pagedraw, já recebeu US$ 1,2 milhão em investimentos.

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Morando atualmente na Baía de São Francisco, nos Estados Unidos, Gabriel está com 24 anos e tem planos de revolucionar o trabalho de programadores no mundo todo. Tais planos não faziam parte nem dos sonhos de Gabriel quando ele ainda era aluno de escola pública em Vitória, no Espírito Santo. 

Foi aos 14 anos que ele e a irmã, de 11 anos, prometeram um para o outro fazer faculdade nos EUA — hoje ela é aluna da universidade de Yale. Gabriel sabia que precisava de mais do que boas notas para isso. Foi monitor de física e cálculo na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), fez um intercâmbio colegial na Alemanha e deu aulas do CS50, o maior curso de programação de Harvard no Brasil. 

Passou em várias faculdades americanas e escolheu Harvard, onde estudou com tudo pago. Logo que chegou, virou monitor do mesmo CS50 que tinha traduzido para o português.

O curso ocupa um prédio inteiro, e conta com mais de 150 alunos trabalhando dia e noite (equipe que ele acabou coordenando, depois de seis meses). Ao final de dois anos, saiu do CS50 para alçar voos maiores. 

O período sabático durou três dias. Jared Pochtar, um colega de graduação que programava desde os 6 anos de idade — e que deu aulas na Universidade de Columbia quando ainda estava no ensino médio — procurou Gabriel com o embrião do que seria o Pagedraw. No verão eles estavam no Vale do Silício. 

Pagedraw: transformar desenhos em linhas de código

O Pagedraw trabalha com um ramo da computação que são os "compiladores", que é basicamente transformar uma linguagem de programação em outra. Para ter uma noção do que é um código, clique com o botão direito do mouse em algum site (pode ser o da Gazeta) e numa opção chamada "exibir/ver código fonte". Esta sequência de letras e números é um compilado de diferentes linguagens de programação. 

O Pagedraw é um pouco diferente. Ele compila desenhos em códigos. Normalmente, um software começa com o design, e os desenvolvedores "front" transformam o desenho em código. Depois, é feita a "infraestrutura" da coisa toda; mas é naquela primeira etapa que o Pagedraw entra.

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"O nosso insight é que no desenho já tem todas as informações necessárias para fazer 'a casca' do app. A parte que o designer já fez é muito importante, mas não tem nada muito criativo depois disso. Então a gente descobriu que era um algoritmo". 

Não é uma aplicação para substituir programadores. A ideia do Pagedraw é automatizar a parte mais mecânica do trabalho de um time de desenvolvedores. E é por isso que Gabriel e Jared escolheram se instalar onde estes times existem aos montes: no Vale do Silício. 

A chegada no vale 

A primeira temporada dos meninos no Vale foi um estágio de verão. O fundo de venture capital Lightspeed pagou US$ 20 mil para cada um, para que eles passassem as férias lá, desenvolvendo o próprio projeto, sem precisar ceder uma porcentagem da startup nem nada. 

"Aqui tem muito disso. Eles pagam para ter acesso às melhores empresas. A coisa mais valiosa não é dinheiro, são conexões; e para um fundo é importante ter acesso primeiro para não perderem bons negócios". 

Foi nesse mesmo verão que investidores-anjo ofereceram US$ 1,2 milhão para a startup (cerca de R$ 3,8 milhões, em valores atuais). Gabriel e Jared aceitaram a oferta sob a condição de deixar o dinheiro parado por um ano, até terminarem os estudos em Harvard. Em maio do ano passado, eles desembarcaram em São Francisco para montar a equipe que hoje trabalha para tornar o Pagedraw um negócio viável. 

Hoje são quatro pessoas, todos programadores, que usam o próprio Pagedraw para programar a plataforma. Cerca de dez times de desenvolvedores já incorporaram a ferramenta (que é toda na web) em suas rotinas de trabalho. 

Por enquanto, o programa é todo gratuito. A ideia é cobrar conforme o produto ficar mais complexo, e exigir códigos mais bem trabalhados. Nas próximas três semanas, a equipe deve finalizar os últimos ajustes antes de jogar a ferramenta com tudo no mercado. Aí é hora de pisar no acelerador. 

A meta é que "todos os desenvolvedores do mundo" usem o Pagedraw. "Para ser uma empresa realmente de valor, você precisa ter um produto que muitas pessoas amam. E é mais fácil deixar de ser um produto que poucos amam para um que muitas amam do que deixar de ser um que muitas pessoas gostam para um que muitas amam", resume Gabriel. 

O aplicativo está disponível de forma gratuita no site pagedraw.io.

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