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Conheça a iniciativa que prega a produção sustentável aliada ao lucro

O chamado “Sistema B” é uma nova forma de empreendedorismo social que está sendo adotada por grandes empresas alimentícias

  • Guilherme Grandi
  • especial para a Gazeta do Povo
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O projeto de erradicar a fome no mundo, que aflige pelo menos um terço da população segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), está ganhando novos adeptos através de uma nova forma de empreendedorismo: o Sistema B. Esta nova classificação de empresas, que começou em 2006 nos Estados Unidos, está chegando no Brasil aos poucos e tem como objetivo mostrar que há negócios engajados em ir além do lucro, pensando mais na causa social.

É o que explicou o empreendedor social Marcel Fukayama durante sua palestra no seminário FRU.TO, realizado no último fim de semana em São Paulo. O evento, criado pelo chef paulista Alex Atala, teve como objetivo discutir o futuro da alimentação no mundo, e foi o primeiro do tipo no país. 

Mas, o que é o Sistema B? É um novo modelo de negócios que busca criar ou transformar empresas para ajudar a sociedade em diferentes setores, com alternativas viáveis e soluções práticas para fazer algo mais pela população necessitada. A alimentação, com a erradicação da fome, é apenas um dos braços que fazem parte do Sistema B, que conta ainda com alternativas para a inserção social, acesso à moradia, saúde e educação. “É nestes campos que entram as chamadas Empresas B, ou benefit corporation, em que os negócios visam beneficiar a comunidade”, explica Marcel Fukayama. Ele conta que o sistema já é adotado por mais de duas mil empresas em cerca de 50 países. O Brasil possui 104 delas. 

De acordo com um estudo do jornal britânico The Guardian, apresentado por ele durante a palestra, além da fome, mais de um bilhão de pessoas sequer tem acesso à água potável. Nestas lacunas estão se inserindo as empresas alimentícias que adotam os conceitos do Sistema B. Elas são avaliadas em seus métodos de governança, trabalhadores, comunidade, meio ambiente e clientes, como mostra o gráfico abaixo: 

Entre as empresas brasileiras que estão adotando os conceitos do Sistema B, estão a Guayakí, na tríplice fronteira, que processa erva mate; a Juçaí, de Resende (RJ), que descobriu no fruto do palmito Jussara a oportunidade de combater o desmatamento causado pela exploração da planta; E a Mãe Terra, que elabora alimentos 100% integrais, sem conservantes e sem produtos químicos. 

Há, ainda, grandes corporações internacionais que se mostram preocupadas em ir além apenas do lucro. Fukayama citou o exemplo da indústria de alimentos Ben & Jerry’s, que desenvolve algumas ações sociais, e a Danone, que se comprometeu a ser uma empresa totalmente voltada ao Sistema B em um prazo de 10 anos. O compromisso foi assinado no final de 2015, e é a primeira grande benefit corp dos Estados Unidos. 

As vantagens do Sistema B 

Marcel, que foi reconhecido como um dos jovens talentos da lista “Forbes 30 abaixo de 30”, explicou que o mundo vive hoje uma grande mudança de cultura, principalmente a empresarial, com uma oportunidade única de usar a força dos negócios para resolver problemas ambientais e socioeconômicos. “É nosso papel criar uma infraestrutura para as mudanças que estão ocorrendo em todo o mundo, com alternativas viáveis de soluções”, explica. 

Marcel Fukayama conta que as Empresas B não ganham simplesmente este conceito por dizerem que estão pensando na sociedade quando fazem seus negócios. “Elas precisam comprovar que estão engajadas com isso, e só são elegíveis depois de uma ampla análise”, diz. Quando são aprovadas, as Empresas B precisam alterar seu estatuto ou contrato social, assinar uma declaração de independência e compromisso de certificação, pagar uma taxa anual entre US$ 500 e US$ 50 mil, e ser reverificada a cada dois anos. 

Segundo a fundadora do movimento GoodTruck e parte das comunidades Global Shapers e Slow Food, a curitibana Gabrielle Emily Mahamud, ser uma Empresa B significa que ela tem dois índices de mensuração de crescimento: lucro e impacto. “É um grande salto em termos de responsabilidade socioambiental na comparação com empresas convencionais que visam somente lucro e, vez ou outra, se envolvem em programas sociais por obrigação fiscal ou apenas aparentemente”, explica ela ressaltando que o crescimento da certificação B é um ganho e uma vantagem pra todos nós. 

Para ela, é inegável que o consumo consciente tem crescido cada dia mais. “O processo de expansão de consciência das pessoas se manifesta nas mais variadas áreas, inclusive na cor escolhida pela Pantone neste ano de 2018. O selo de empresa B pode fazer toda a diferença na hora da tomada de decisão, tanto para o cliente nas prateleiras, quanto para um candidato na hora de assinar um contrato de trabalho”, completa. 

Além da Pantone, citada por Gabrielle, há também a brasileira Natura, que foi a primeira Empresa B de capital aberto do mundo a ser certificada para quantificar o impacto causado no meio ambiente. Há ainda outras 62 mil analisando como suas operações demandam os recursos naturais do planeta. 

Marcel Fukayama completou sua apresentação afirmando que as empresas precisam ter propósito, responsabilidade e transparência nos negócios. “É uma jornada de super longo prazo, não será da noite para o dia”, disse.

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