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Quer abrir um negócio sem largar o emprego? Veja como empreender em meio período

Ter um emprego fixo e uma empresa própria que funcione em meio período é opção para renda extra. Mas exige muita dedicação

  • Flávia Silveira especial para a Gazeta do Povo
Empreender em meio período é uma alternativa para quem não quer largar o emprego | Pixabay
Empreender em meio período é uma alternativa para quem não quer largar o emprego Pixabay
 
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Em busca de complementar a renda ou de fazer a algo que dê mais prazer, muitos resolvem empreender, mesmo que não possam se dedicar integralmente a isso. As oportunidades existem, mas este empreendedor deve saber que os desafios são grandes e a geração de receita costuma ser proporcional ao tempo investido. “Vemos casos de pessoas que tem empregos e como alternativa adicional de renda começam a empreender. Isso funciona, porém exige muita disciplina, foco e dedicação, uma vez que uma atividade não pode atrapalhar a outra”, aponta Lyana Bittencourt, consultora e diretora executiva do Grupo Bittencourt. 

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Para Paulo Ancona Lopez, da Ancona Consultoria, dedicar apenas meio período a um negócio não é o mais indicado, principalmente se é algo novo e que está em fases de validação. “No entanto existem empreendimentos que não estão diretamente ligados ao público ou que podem ser desenvolvidos de casa ou à distância, e então podem ser empreendidos por meio período, como por exemplo prestações de serviço ou trabalhos ligados a vendas e representações”, indica. 

O planejamento e a preparação são cruciais, principalmente se você não tem muito tempo para se dedicar ao negócio. Entre os primeiros passos, está a formatação de um plano de negócios que leve em consideração a visão estratégica, uma análise de concorrência e, no caso de abrir um ponto fixo, a pesquisa pelo local onde está seu público-alvo. “Se não tiver o capital próprio, o melhor caminho pode ser procurar um investidor, um sócio ou cofundador para não precisar de um financiamento que onere o valor que vai faturar nos primeiros anos”, afirma Ricardo Baccarat, consultor da AGR Consultores. 

Lyana Bittencourt diz que algumas perguntas são essenciais no início do empreendimento, em especial para quem pretende trabalhar nisso em meio período. Quanto do tempo será dedicado aos contatos comerciais, quanto de execução do trabalho e organização das demandas? Quanto para a gestão administrativa e financeira? “Tudo isso tem que ser medido e executado para que o empreendedor não se perca e deixe o tempo se esvair em distrações desnecessárias. Organização é fundamental”, ressalta. 

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Majoritariamente, o que os especialistas observam é que as pessoas que empreendem em meio período geralmente estão em busca de uma segunda fonte de renda, além do emprego que já possuem. “Mas há também aqueles que começam a empreender num negócio de meio período para poder ganhar confiança e partir para algo maior. É como se fosse um “test-drive” antes de investir mais dinheiro e tempo num negócio próprio”, diz Bittencourt.

Segundo Luiz Gustavo Comeli, consultor do Sebrae-PR, estas pessoas pensam em aproveitar as competências e habilidades que possuem e potencializá-las, mas é também uma forma de ocupar um tempo ocioso. “Boa parte são pessoas que fazem de um período livre uma fonte de renda e ocupação. Há também os que buscam mais qualidade de vida, mais tempo para a família, e têm a percepção de que empreender vale mais a pena, que existe um senso de satisfação maior nisso”, aponta. 

Escolha bem onde empreender

A escolha de onde empreender também deve vir da identificação destas competências e habilidades. “Se o tempo de dedicação já é curto, imagina se a pessoa não tiver vontade real de fazer acontecer por não se identificar com o negócio?”, questiona Bittencourt. 

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Mesclar conhecimentos distintos e uma mesma admiração foi o que moveu Dayane Dall’Ago e Louisi Varela Bueno a abrirem a La Lou Design. Dayane é oceanógrafa e trabalha como Analista Ambiental e Louisi é designer e trabalha há sete anos com mercado de luxo, as duas em Balneário Camboriú. O interesse por botânica era algo em comum. “Foi assim que unimos meu conhecimentos em meio ambiente e os de Louisi de decoração e design”, conta Dayane. Elas fabricam vasos de concreto artesanalmente e já possuem três coleções com assinatura da marca, além de mais de 30 modelos avulsos e sob encomenda. 

As duas contam que não houve muito planejamento na hora de começar o negócio, apenas o desejo de empreender e ter uma renda extra. “O nosso “empurrão” inicial se deu através da participação de uma feira em nossa cidade, onde a boa aceitação e o feedback positivo das pessoas nos deixaram muito entusiasmadas para investir neste projeto”, conta Louisi. 

Como começar a vender

Feiras e bazares podem ser uma boa oportunidade para quem quer expor seus produtos para um público variado. Os grandes centros, em especial, possuem várias feiras de artesanato e produtos de pequenos produtores fixas e itinerantes. “Se não tem condição inicial de ter uma estrutura, comece aos poucos. Principalmente para quem vende produtos, participar de eventos, feiras, bazares, é uma forma de começar a vender”, recomenda Luiz Gustavo Comeli, consultor do Sebrae-PR.

Dayane e Louisi contam que organizar o tempo livre para cuidar da marca é um desafio. “Nós duas trabalhamos 9h por dia, durante todo o horário comercial. É preciso de muita organização para dar conta do trabalho e da marca própria. Quando precisamos comprar material, por exemplo, usamos os finais de semana ou nosso horário de almoço. Produzimos durante a noite e aos finais de semana. É uma correria só, mas vale a pena”, afirma Dayane. 

Trabalhar em equipe foi essencial para que a marca crescesse. “Levar um negócio sozinho é muito difícil. Com uma sócia, são duas mentes, idéias e visões diferentes, que se ajudam e se complementam. Para nossa marca por exemplo, é essencial, visto que participamos de muitas feiras e nossa produção demanda muitas etapas e tempo”, continua. 

Além das feiras e bazares, a La Lou faz suas vendas online, pelo Facebook e o Instagram, e deve lançar um site no início de 2018. Além disso, as sócias estão fazendo parcerias com lojas que revendem seus produtos, como floriculturas e lojas de decoração. “Já temos parceria com lojas em Balneário Camboriú e em São Paulo. Nossa meta para 2018 é ampliar estas parcerias para revenda dos nossos produtos e inserir nossas peças e projetos de arquitetura”, conta Varela. 

Prestação de serviços pode ser uma boa alternativa

Entre os segmentos, o de prestação de serviços costuma ser o mais procurado por quem deseja empreender meio período, muitas vezes por não demandar uma infraestrutura específica e o trabalho poder ser feito até de casa. “Aqueles que não exigem um ponto comercial ou presença física do empreendedor e podem ser tocados online funcionam bem, ou mesmo negócios móveis. Como exemplo, temos agências de marketing digital, agências de viagens, corretores de seguros, foodtrucks, franquias de venda direta, serviços para casa”, aponta Bittencourt.

Os serviços para a casa como de manutenção e reforma seguem em crescimento, como os maridos de aluguel que fazem pequenos reparos. O segmento de alimentação também é bastante buscado. “Alimentação saudável é algo em voga no momento. A pessoa pode começar cozinhando em casa e entregando à domicílio, por exemplo”, diz Baccarat. 

As datas comemorativas também são ótimas para o setor de alimentação e decoração. “Em épocas como Natal, Páscoa, muitas pessoas investem neste tipo de serviço como forma de ter uma renda extra. É um bom momento até para testar como seu produto é recebido”, orienta Comeli. 

Aproveite conhecimentos prévios

O serviço de consultoria em diferentes áreas também é uma maneira de empreender utilizando conhecimentos prévios e expertises já consolidadas. Foi o que aconteceu com Rafize Santos, professora universitária, produtora de conteúdo freelancer e também consultora de negócios em uma empresa voltada para mulheres, a Badass. “Comecei a fazer o trabalho de consultoria primeiramente em educação e foi sem perceber, as pessoas me procuravam para desenvolver metodologias de ensino, ou sabiam o conteúdo mas não tinham didática, e comecei a aconselhar”, conta. 

A experiência de quem empreendeu em meio período

Rafize é formada em Filosofia e conta que, logo que saiu da universidade, passou por um período de “ressaca intelectual”, em que contestava muito e sabia que queria ensinar seus alunos de maneira diferente. Ao mesmo tempo, ela começou a elaborar conteúdos para simulados do Enem como freelancer para uma grande editora. “Eu trabalhava de casa e isso começou a me cansar. Ficava o dia todo de pijama. Foi então que me sugeriram procurar um coworking”. Foi no Aldeia Coworking que ela percebeu que era uma freelancer bastante organizada, que sempre tinha trabalho, conseguia organizar seus pagamentos e suas contas e isso chamou a atenção do proprietário do espaço, Ricardo Dória. 

Dória ministrava um curso de empreendedorismo para freelancers e começou a incentivar Rafize, passando conteúdos interessantes e compartilhando referências e experiências. Logo ela foi convidada para ser professora replicadora do curso, indo ministrar em empresas e faculdades. Não demorou muito até que ela fosse chamada para fazer parte da equipe de uma faculdade de Curitiba, onde atua como intraempreendedora, ou seja, é responsável pelo empreendedorismo dentro dos limites da empresa, o que engloba, inclusive, a identificação de habilidades nos alunos que desejam empreender no futuro. 

Rafize tinha ainda o desejo de trabalhar especificamente com o público feminino, mas não sabia por onde começar. Foi quando convidou Lila Mantolvão, que também trabalhava no Aldeia, para uma reunião. “Eu queria ter um canal no Youtube sobre empreendedorismo feminino, mas não sabia mexer com isso. A Lila, em compensação, trabalhava exatamente com esta plataforma, já tinha um plano desenhado para fazer algo assim, mas não tinha coragem. Eu tinha a coragem e ela tinha a expertise. Juntamos tudo isso e fundamos nossa empresa”, conta. 

A Badass possui apenas uma página no Facebook e um perfil no Instagram. Todas as consultorias são feitas por Skype, uma vez que Mantolvão agora está morando no Canadá. “Acredito que, dependendo do negócio, a internet é a melhor ferramenta de teste para quem começar. Você se posiciona sobre o que quer fazer, conta para sua rede de contatos suas ideias, mostra seu produto e tem uma resposta quase imediata”, afirma. 

A internet realmente dispõe de inúmeras possibilidades. “Pessoas que tem algum conhecimento que é interessante de compartilhar podem criar um canal no Youtube, fazer podcasts, ter um blog. Se ela tiver um pouco de tempo livre no final de semana, por exemplo, pode elaborar todo o conteúdo que será publicado no decorrer da semana”, aconselha Baccarat. 

Até os stories do Instagram podem ajudar. “Com vídeos curtos, de dez segundos, você pode mostrar mais do seu trabalho, fazer enquetes, pedir opinião das pessoas”, indica Rafize. Para ela, empreender pode ser muito rentável, mas é preciso desmistificar a ideia de que ser seu próprio chefe permite que você trabalhe menos. “Empreender te coloca em uma jornada profunda de autoconhecimento. Você vai errar dez vezes para acertar uma, e está tudo bem, faz parte do processo e te mostra em que você precisa melhorar. Mas é preciso estar sempre atento”, afirma. 

Comprar uma microfranquia pode ser uma opção

Dentro do setor de franchising, as microfranquias possuem opções de marcas que não exigem dedicação de 100% do tempo, com investimento inicial de até R$ 90 mil. “Mas há de se ter cuidado com este tipo de negócio. O franqueado deve utilizar o período útil do dia para fazer as vendas, contatos comerciais e fechar parcerias. Isso não tem como ser flexibilizado, afinal, ele tem horário flexível mas o cliente e os fornecedores podem não ter”, diz Lyana Bittencourt. 

As microfranquias tiveram um crescimento considerável nos últimos anos. Só entre 2013 e 2016 houve um aumento de 45% no número deste tipo de modelo enxuto, passando de 384 para 557 redes. Dentre as redes que não trabalham com este formato, 36% afirma que tem interesse em desenvolvê-lo para os próximos anos. Os dados são da Associação Brasileira de Franchising. “Vemos uma ampla oportunidade de crescimento tanto de oferta do mercado, quanto aumento da demanda, o que pode levar marcas consolidadas e com investimentos mais altos a oferecerem a alternativa de modelo mais enxuto e investimento inferior, alcançando cidades do interior que antes com o modelo atual eram inviáveis financeiramente”, aponta Bittencourt.

Investir em uma microfranquia tem como atrativos começar com um negócio que já foi testado, já com um know-how formatado e uma marca conhecida pelo público, mas existem pontos importantes que pedem atenção. “As condições de ser um franqueado têm muitos detalhes e regras, contrapartidas, parâmetros mínimos de qualidade que devem ser seguidos. Você tem obrigações e precisa apresentar resultados, o que pode demandar mais de meio período mesmo que tenha uma proposta de jornada reduzida. Por isso, é imprescindível que um advogado acompanhe todo o processo de contratação do negócio, para que tudo seja claro”, aconselha Comeli. 

Segundo Paulo Ancona Lopez, o caminho para se escolher uma franquia passa por análise de um estudo financeiro de viabilidade, de lucro estimado esperado e de tempo de retorno de capital. “Além disso deve-se escolher um segmento que o agrade e tenha afinidade, uma franqueadora que lhe garanta a supervisão e know how necessários e de qualidade, e um ponto comercial estudado e adequado ao negócio e seu publico alvo”, finaliza. 

Busque capacitação para o seu negócio

Estudar é uma constante para quem deseja abrir ou já tem seu próprio negócio. É possível encontrar cursos livres sobre empreendedorismo, tanto online como em hubs e coworkings. “É legal estudar também as áreas tangenciais ao empreendedorismo, como marketing, branding e design. Existem muitos cursos acessíveis sobre estes assuntos”, recomenda Santos. 

Uma opção de curso mais acessível é o Empretech, oferecido pelo Sebrae, uma imersão de seis dias que busca identificar e potencializar as ideias e habilidades dos empreendedores. “Muita gente ali descobre se tem ou não perfil e capacidade de ser um bom empreendedor. É uma capacitação de descoberta, que você consegue identificar seus potenciais, pontos fortes e fracos”, explica Comeli. Novas turmas serão abertas a partir de fevereiro de 2018.

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