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Finanças pessoais

O tal empréstimo para negativado é uma cilada. Não caia nessa!

Pesquisa indica que empréstimo para quem tem nome sujo não é eficaz para acabar com as dívidas

  • Agência RBS
Os juros que as financeiras oferecem nos empréstimos sem consulta aos serviços de proteção ao crédito são bem mais altos do que os do crédito pessoal dos bancos. Fique atento! | Roberto Custodio/ArquivoGazeta do Povo
Os juros que as financeiras oferecem nos empréstimos sem consulta aos serviços de proteção ao crédito são bem mais altos do que os do crédito pessoal dos bancos. Fique atento! Roberto Custodio/ArquivoGazeta do Povo
 
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Para quem tem dívidas até o pescoço e está com o nome sujo na praça (no cadastro de maus pagadores), os bancos tradicionais não oferecem mais crédito. Nesse cenário, caminhando pela rua ou assistindo TV em casa, é possível que o endividado depare com uma oferta providencial: empréstimos rápidos para quem está “negativado”, sem consulta aos cadastros de devedores. Cair na tentação pode piorar a situação financeira.

INFOGRÁFICO: Veja um comparativo entre crédito pessoal e empréstimo para negativado

Pesquisa deste ano do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que 15% dos brasileiros inadimplentes buscaram esse tipo de empréstimo. Mas sete em cada 10 deles reconheceram não ter resolvido o imbróglio financeiro.

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“Em momentos de estresse, é fácil tomar decisões apressadas, mas nem sempre a solução que parece ser mais fácil é a melhor”, afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Nada contra as instituições financeiras legais que oferecem esse crédito, reguladas e fiscalizadas pelo Banco Central. A questão é que, fora de uma estratégia bem calculada, esse empréstimo será mais uma dívida, e cara.

Os juros das operações são bem mais altos, porque o empréstimo é para quem já é inadimplente. De acordo com pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), os juros para o crédito pessoal oferecido nos bancos está em 4,41%. Para negativados, em financeiras, a Anefac estima taxas a partir de 15%.

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“É simples: maior o risco, maior a taxa de juros. Para negativados, é mais caro o empréstimo. É razoável falar em 15% ao mês. Mas as taxas podem ser maiores, de 20%”, diz o diretor executivo da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira.

Para especialistas em educação financeira, a armadilha do crédito para negativados está em acreditar que esse dinheiro é a “bala de prata” no endividamento. Ou seja, que somente com esse empréstimo se resolve o problema. A saída passa pela família identificar todas as dívidas, ver para onde está indo o dinheiro, cortar os excessos de gastos e tentar renegociar pendências.

Para quem busca a contratação de um empréstimo, toda a atenção é necessária. A instituição deve ser regulada pelo Banco Central. Jamais confie em quem promete tirar o nome da lista de negativados.

“Não há mágica para limpar o nome. O devedor não precisa de terceiros. Isso é diretamente com o credor”, alerta José Vignoli, educador financeiro do SPC Brasil e do portal Meu Bolso Feliz.

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Como sair das dívidas

-Tenha consciência do endividamento excessivo e de que é preciso resolver a situação é fundamental.

-É importante saber o tamanho do problema. Conheça as dívidas e mapeie detalhadamente as informações importantes.

-Coloque no papel todas as dívidas e a taxa de juros mensal de cada uma. A informação está na fatura ou carnê.

-Ordene as dívidas por ordem descrente da taxa de juros. A lista final revela a ordem de pagamento a privilegiar: pagar primeiro as com juros mais altos (cartão de crédito, por exemplo), porque crescem rápido.

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-Procure pessoalmente os credores, leve comprovante da dívida, reconheça o atraso e questione propostas para quitar o débito.

-Não faça novas dívidas e promova um corte nos gastos.

-Peça o cancelamento do cartão de crédito e do cheque especial.

-Negociar condições mais vantajosas para o pagamento das dívidas é outro aspecto fundamental para a saída do endividamento.

Fontes: Anefac, Banco Central, CNDL, SPC Brasil, Portal Meu Bolso Feliz e educadores financeiros Reinaldo Domingos e José Vignoli.

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