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Pesquisa

Indústria paranaense inova, mas ações ainda são pontuais e locais

Fiep divulgou resultados das Bússolas da Inovação e da Sustentabilidade, levantamento bianual feito com empresas paranaenses do setor produtivo

  • Rodrigo Ghedin
Edson Campagnolo fala à imprensa e representantes da indústria. | Gelson Bampi/Fiep
Edson Campagnolo fala à imprensa e representantes da indústria. Gelson Bampi/Fiep
 
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A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) anunciou nesta quinta-feira (9) o resultado das pesquisas de inovação e sustentabilidade realizadas com empresas do setor produtivo do estado. O material deve ajudá-las no desenvolvimento de soluções e aperfeiçoamentos das áreas analisadas. 

A terceira edição da Bússola de Inovação, como é chamada a pesquisa realizada pela Fiep, contou com a participação de 503 empresas paranaenses de 19 setores, espalhadas por 91 cidades. O número é 13,8% maior que o da primeira edição da pesquisa, realizada em 2012.

O maior incentivo à participação nas pesquisas é o retorno imediato que a empresa tem. “Ao responder a pesquisa, a empresa recebe um diagnóstico personalizado na hora”, explicou Marília Souza, gerente dos Observatórios do Sistema Fiep, no evento de apresentação dos resultados. Esse diagnóstico informa o que a empresa pode fazer para melhorar nas áreas em que teve baixo desempenho e também pode ajudar a validar ações já em curso — ou seja, fornece parâmetros para mensuração. 

Para a Fiep, a Bússola de Inovação serve de guia para a proposição de ações, serviços e outras iniciativas capazes de fomentar melhorias dos indicadores nas empresas. Edson Campagnolo, presidente do Sistema Fiep, disse que “estamos preocupados em medir esses indicadores e dar suporte às indústrias para que possam avançar, produzindo itens de maior valor agregado e empregos de maior especialização”. 

Raphael Naghirniac, responsável pela gerência de tecnologia e inovação na Aker Solutions, disse que a Bússola da Inovação ajuda a identificar pontos "onde você está um pouquinho atrás" para trabalhá-los e melhorá-los. Elizângela Camargo, responsável pelo sistema de gestão da inovação dentro da engenharia da Renault do Brasil, apontou outra maneira de melhorar: na comparação com outras empresas e a média da indústria. "A questão da colaboração em inovação é muito importante. Às vezes, as empresas não são do mesmo segmento, mas as práticas são comuns e podem ser aproveitadas", complementou.

Inovação além do “raio curto” 

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Fiep/Divulgação

Diferentemente das edições anteriores, nesta a Fiep não deu ênfase a um indicador geral do nível de inovação da indústria paranaense. Os dados foram redesenhados no formato de dimensões a fim de demonstrar com maior precisão o sobe e desce dos aspectos que traduzem a inovação na indústria. De acordo com a assessoria da Fiep, o antigo indicador geral se manteve estável (5,73 de uma escala de 0 a 10), mesmo com a crise enfrentada nos últimos dois anos.

Das 10 dimensões analisadas a partir do agregado das respostas à pesquisa (acima), destaca-se a avaliação do ambiente interno das empresas, a que teve a maior nota (2,77 em uma escala de 0 a 4). "As empresas criam um ambiente interno favorável à inovação. Elas buscam criar ambiente de parceria, colaboração entre os setores da empresa. Isso traz um resultado bem melhor que a maioria das outras dimensões", explicou Marília. As dimensões de resultados da inovação e informação e conhecimento também tiveram resultados expressivos, com notas 2,37 e 2,54.

As inovações apresentadas pela indústria paranaense, porém, têm um “raio curto”, ou seja, resolvem questões pontuais dentro das próprias empresas, sem encontrar alcance ou apelo em outros locais. O reflexo dessa fraqueza aparece na dimensão pesquisa e desenvolvimento, que apresentou a menor nota entre as dez mensuradas, de apenas 0,92. 

Um dos desafios listados pela Fiep para melhorar esse indicador é estimular as empresas ao desenvolvimento de inovações mais abrangentes, que alcancem escala nacional e até mundial. 

José Antonio Fares, superintendente do Sesi e IEL e diretor do Senai no Paraná, definiu inovação, nesse sentido, como tal “porque o mercado recebe aquilo e resolve um problema que é meu, é de quem está nos EUA, na China e na Bélgica. [A inovação] Resolve um problema do ser humano”. 

Além disso, falou-se de inovação enquanto aprendizado. Marília defendeu que “a gente aprende a inovar. Aprende-se sendo empreendedor, dentro da empresa e em outros locais”. 

Sustentabilidade 

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Fiep/Divulgação

Novidade neste ciclo, a Bússola de Sustentabilidade é outra pesquisa, nos mesmos moldes da de inovação. Seu objetivo é traçar um panorama da sustentabilidade na indústria paranaense e apontar caminhos para melhorar este que, na visão da Fiep, é um fator de diferenciação e importante para que as empresas tenham competitividade. 

Nesta edição de estreia, 154 empresas de 20 setores, distribuídas em 48 municípios, responderam a pesquisa. Os setores com maior participação foram os de tecnologia da informação (14% do total) e de madeira e móveis (11%). 

O grande desafio, segundo Marília, é desmistificar a ideia de que sustentabilidade é um custo que restringe a atuação da indústria e de perfil puramente ambiental. Ela disse que “no imaginário, sustentabilidade é algo que atrapalha o negócio, principalmente em pequenas empresas”, mas que, na prática, a sustentabilidade deve ser incorporada à estratégia das empresas, pois se trata de um fator competitivo importante.

Na mesma linha, Campagnolo ponderou que sustentabilidade, mais do que um olhar às questões ambientais, “é uma gestão que considera outras relações que também são visíveis ao andamento dos negócios” 

A Bússola de Sustentabilidade apontou que 27% das indústrias desenvolvem e inovam pensando em sustentabilidade. A preocupação com o tema é mais forte nos processos e relações internos, como no planejamento e gestão de processos — essas dimensões tiveram nota média de 4,1, em uma escala de 0 a 10. As notas diminuem na medida em que o foco se distancia do núcleo das empresas. Nas dimensões macroambientais (meio ambiente e engajamento local), as mais distantes do núcleo da empresa, foram auferidas as menores notas (1,9 e 2,1, respectivamente). 

"Essa ideia, de que sustentabilidade é custo, é uma ideia velha. Sustentabilidade é oportunidade. Ela é boa para os negócios. O desafio é fazer todos entenderem isso”, disse Marília. 

Visualização dos resultados

A FIEP preparou painéis para visualizar os dados, inclusive com filtros por localidade, porte das empresas e setor, e livros digitais com a interpretação dos resultados das duas pesquisas. Eles podem ser acessados nos seguintes endereços: bussoladainovacao.org.brbussoladasustentabilidade.org.br

A expectativa é de que, no futuro, os comparativos e análises decorrentes que hoje são feitas entre as empresas participantes sejam complementados com uma visão temporal. Marília explicou que esses resultados “serão melhor compreendidos daqui a 10, 15 anos, quando houver séries históricas para análises mais complexas”.

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