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Plano familiar do Spotify exige que membros morem no mesmo endereço

Serviços de assinatura com planos familiares atraem consumidores interessados em economizar, mas termos de uso limitam adoção

  • Rodrigo Ghedin
Aplicativos do Spotify em várias plataformas | Divulgação/Spotify
Aplicativos do Spotify em várias plataformas Divulgação/Spotify
 
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Comprar em grandes volumes a fim de economizar não é uma tática nova. No digital, serviços cobrados por assinatura recorrente adaptaram essa abordagem tradicional do comércio através dos planos familiares. Neles, várias pessoas usufruem do serviço a partir de uma conta só, que custa mais caro, porém sai mais em conta do que se fossem assinadas várias contas individuais, separadas. Em alguns casos, o termo “familiar” é levado bastante a sério, o que impede que algumas reuniões de usuários para essa finalidade funcionem.

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A economia dos planos familiares é considerável. O do Spotify custa R$ 26,90 e permite até seis pessoas na mesma conta. Seis contas individuais custariam, somadas, R$ 101,40 – cada assinatura nessa modalidade custa R$ 16,90. Na Netflix, o plano padrão, de R$ 22,90, dá direito a duas telas simultâneas. Dividindo a conta com alguém, o gasto mensal fica em R$ 11,45.

Soluções profissionais também podem ser assinadas dessa forma. O Office 365 da Microsoft, que traz os famosos aplicativos de produtividade (Word, Excel, PowerPoint), mais espaço no serviço de armazenamento de dados na nuvem (OneDrive) e minutos para fazer ligações pelo Skype, custa R$ 24 no plano individual e R$ 29 no familiar, que comporta até cinco usuários. Na ponta do lápis, o custo da assinatura diluído por cinco custa R$ 5,80 para cada um.

Kotas centraliza pagamentos recorrentes e espera expansão através do offline

O problema aos que querem economizar dessa forma é que alguns serviços levam ao pé da letra o “familiar”: eles exigem que os que vão usufruir do plano residam no mesmo endereço.

Spotify e Microsoft declaram explicitamente tal exigência. No serviço de streaming musical, a previsão aparece nos termos de uso, onde se lê que “todos os titulares das contas devem residir no mesmo endereço para serem elegíveis ao Oferta de Plano Premium Familiar.” Já no da Microsoft, o site do Office 365 Home, nome dado ao plano familiar, informa que os benefícios da assinatura podem ser compartilhados “com até quatro pessoas que morem com você.”

O que é família?

O critério de “família” adotado gera algumas incongruências, afinal, nem sempre todos os membros de uma moram no mesmo endereço. Foi o que aconteceu com o engenheiro Felipe Torres, de Macaé-RJ. Ele migrou o plano individual para um familiar a fim de estender as vantagens a pessoas próximas. “A diferença era tão pouca para eu poder colocar alguém comigo que resolvi arcar com os custos,” disse. Assim, ele colocou no plano familiar a mãe, a irmã, a namorada e dois amigos. Nenhum deles reside no mesmo endereço de Torres.

Algum tempo depois, os beneficiados receberam e-mails do Spotify pedindo uma “verificação da conta”. Quatro dias mais tarde, os cinco foram desvinculados do plano familiar e voltaram ao gratuito do Spotify, que não permite escolher a ordem das músicas em dispositivos móveis e insere anúncios publicitários entre as faixas.

Torres disse que tentou restabelecer o acesso das pessoas a quem cedeu espaço em seu plano familiar. Ele pediu à namorada, que mora em Maringá-PR, para que inserisse no sistema o endereço que consta em seu cartão de crédito, usado para pagar a assinatura do Spotify. Não deu certo. Após entrar em contato com o suporte do Spotify, um representante da empresa disse ter feito “alterações nos bastidores” e que seria possível restabelecer o plano familiar. A irmã e namorada de Torres conseguiram voltar ao plano.

Casos como o de Torres são comuns. Clientes que desconhecem a política do Spotify para o plano familiar e se surpreendem com o eventual cancelamento dele quando não está de acordo com os termos de uso, vão às redes sociais reclamar:

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O que dizem as empresas

Gazeta do Povo entrou em contato com as assessorias de Adobe (que tem a Creative Cloud, com apps como Photoshop comercializados no modelo de assinatura), Microsof, Netflix e Spotify para saber o posicionamento de cada empresa em relação aos planos familiares que oferecem.

O Spotify disse que “no momento não vai comentar este assunto.” Adobe, Microsoft e Netflix não deram resposta até o fechamento desta matéria.

Aparentemente o serviço mais requisitado pelos que se associam para assinar planos familiares, o Spotify ainda não lucrou desde que foi lançado. Recentemente, a empresa, de origem finlandesa, assinou um contrato mundial com a Universal que prevê a restrição de novos álbuns da gravadora a assinantes pagantes por até duas semanas e uma reformulação na divisão dos lucros. Os detalhes do acordo, porém, não foram revelados, mas analistas veem nele um caminho promissor para que a empresa comece a fechar no azul.

Kotas centraliza pagamentos recorrentes e espera expansão através do offline

Alheio à polêmica, um site foi lançado para facilitar e dar mais garantias a quem deseja dividir a conta desses serviços por assinatura. É o Kotas, criado por dois analistas de sistemas mineiros, Frederico Faleiro (29) e Filipe Prado (28).

A plataforma permite a criação de um grupo com o intuito de atingir a quantidade de membros para fechar os planos familiares. A maioria dos grupos públicos, hoje, é para Spotify e Netflix, mas há grupos para os produtos da Adobe e Microsoft também. Desconhecidos podem se unir graças à intermediação do Kotas, que recolhe o dinheiro e o repassa ao dono da conta para efetuar o pagamento ao serviço contratado.

Lançado em outubro de 2016 como um “mvp” (sigla em inglês para “produto minimamente viável”), o Kotas já conta com seis mil usuários. Além de centralizar e automatizar os pagamentos recorrentes, outra vantagem do Kotas é oferecer garantias na forma de um “seguro”, válido por um mês, tanto para o proprietário do grupo quanto para os dependentes. A ideia é que ninguém saia no prejuízo mesmo se houver calote de uma das partes.

Os pagamentos também podem ser feitos por boleto bancário, o que ajuda aqueles que interessados na assinatura, mas que não usam cartão de crédito, meio de pagamento mais comum em serviços do tipo. Segundo Faleiro, 45% dos usuários do Kotas pagam por boleto.

À Gazeta do Povo, Faleiro comentou os planos futuros do Kotas. Eles passam pelo offline, segundo o analista. Grupos de amigos que jogam futebol regularmente e repúblicas de estudantes já se organizam na plataforma para automatizar o pagamento das despesas recorrentes. Esse uso surgiu espontaneamente, na comunidade, a princípio em grupos criados para assinar contas de sócio-torcedor dos clubes de futebol, uma assinatura que dá direito a ingressos e bebidas mais baratos nos estádios.

A dupla, que já pensa na expansão internacional do Kotas, alega que é “humanamente impossível” monitorar grupos criados para serviços que proíbem planos familiares com membros que não morem juntos, caso do Spotify. Ainda assim, eles se mostram abertos e interessados no diálogo. “Queremos que o Spotify entre na discussão e mude esse modelo. Queremos levar mais pessoas ao Spotify,” disse Faleiro.

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